A Depressão Como Sintoma Social
Acabei de assistir uma ótima palestra da psicanalista Maria Rita Khel, conferência que fez parte do ciclo Fronteiras do Pensamento, o mesmo que trouxe o Luc Ferry no ano passado.
O tema era a depressão como sintoma da contemporaneidade. Desde o início o papo já me interessou porque ela começou falando do TEMPO , tema sobre o qual eu já escrevi bastante aqui nesse ano , sobre o qual tenho pensado muito e que, por vias tortas, acabou entrando no Papo Cabeça que eu fiz semana passada com a Martha Medeiros, Ingra e a Fernanda.
Maria Rita disse que nós vivemos em uma época de over estímulos, na qual vivemos respondendo a eles o tempo todo, seja à TV, seja ao celular que toca, seja ao email na internet, seja ao ciclo (que eu chamo de "escravidão virtual") twitter- facebook- orkut-myspace , seja à informação que nos chega sem que precisemos ir atrás. Essa quantidade absurda de estímulos que recebemos nos tira uma coisa essencial: o tempo da compreensão, o tempo de compreender o que acontece.
Mas como ter esse tempo se nossa vida é pautada pelo imperativo da finalidade? Tudo deve ter uma finalidade, não há espaço para digressões, devaneios, sonhos, não há tempo para coisas supostamente “supérfulas”. Uma sociedade que considera supérfulo tudo o que não tem um fim, digamos, produtivo, é uma sociedade que nos limita a uma existência básica e eternamente a serviço de algo. Assim nos tornamos sujeitos dependentes e incapazes de aproveitar um tempo ocioso –sem estímulos - sem culpa ou sem tédio. Isso fica bem claro com um exemplo que ela deu: vários casos de crianças que se passam muito tempo na internet ou jogando videogame e quando estão sem esses tais estímulos, sentem-se perdidas e tristes, ou seja, uma espécie de depressão infantil típica dessa época. As crianças nunca foram tão medicadas. Os adultos também. Daí que vem o tema da palestra, a depressão vem como resposta a esse tempo. E nem sempre é uma depressão as we know it, tipo o sujeito isolado, sem querer sair de casa, querendo se matar. A depressão de hoje muitas vezes se dá sem que os outros notem que a pessoa está deprimida ou mesmo sem que a pessoa tenha total consciência: num automatismo, ela faz as coisas, segue na engrenagem social meio zumbi, sem ter prazer nas coisas, simplesmente existindo e reagindo à demanda dos estímulos, sem ver muito sentido em tudo ao redor.
Ela disse uma coisa interessante, que é inegável a plasticidade do ser humano, claro que ele tem capacidade de se adaptar a esse tempo frenético, mas a questão é: como estamos reagindo a isso tudo? Tem dado bons resultados? Claro que não.
Cada vez mais eu vejo a importância do equilíbrio em um mundo que nos puxa o tempo todo para os extremos.

26/10/2009 23:30:00
Carol Teixeira
Que legal, Géssica! Obrigada pela dica, fiquei louca para ler esse livro!
E quanto ao meu novo livro: fiquei um tempo sem escrever devido a essa correria inicial do Brollies & apples, mas agora já retomei. Espero acabar rápido! :)
beijos
28/10/2009 17:37:18
Carol Teixeira
Tenho tentado também Jana :)
beijos!
28/10/2009 17:33:24
Jana Lauxen
3am.jana@gmail.com
Bá.
Este teu texto falou de um negócio que, eu acho, já entendi há algum tempo: parar.
E eu paro mesmo.
Mando tudo e todos esperarem porque eu preciso PARAR.
Demorei um certo tempo até conseguir desacelerar sem me sentir culpada – e não adianta parar se a cabeça continua a mil: ‘você precisa fazer isso’, ‘precisa fazer aquilo e aquele outro’.
Mas hoje posso dizer que consigo.
Pelo menos na maioria das vezes.
Porque tem horas que precisamos parar para, quando voltarmos à ativa, fazermos o que temos que fazer com mais qualidade, serenidade e compreensão.
É mais ou menos como ler oito livros em um mês e não entender nada. Melhor ler um, e absorver dele tudo o que ele tem a oferecer.
Enfim: super jogo no time do ócio criativo.
E funciona, ô se funciona.
Coração calmo, coluna ereta e mente quieta: eis o segredo do universo.

Beijo Carolzinha – me senti íntima agora, hahaha.
:)
27/10/2009 06:13:39
Géssica
Oi Carol, li um livro a umas semanas atras, indicado por um professor de filosofia da la puc, Felicidade Artificial, do Dworkin, ele toca bem no ponto em que, o mundo nunca esteve tao medicado, tao artificialmente feliz, e acho que tem mt a ver com isso tambem, alem dos motivos que ele indica, apesar de mt informativo e cansativo, bem boa a leitura.

" Tudo deve ter uma finalidade, não há espaço para digressões, devaneios, sonhos, não há tempo para coisas supostamente “supérfulas”. Uma sociedade que considera supérfulo tudo o que não tem um fim, digamos, produtivo, é uma sociedade que nos limita a uma existência básica e eternamente a serviço de algo.

achei uma identificação total, com a minha familia, trabalho, convivencias..
as coisas precisam mudar. hehe
beijao, adorei a atualização...
e o livro novo? to ansiosa..

27/10/2009 01:55:30
Carol Teixeira
Que ótimo, Fabi, adorei! :)Obrigada pelas boas vindas e pelos ótimos elogios!!!
beijos
26/11/2009 11:01:54
fabiana sp
fhabiana777@hotmail.com
depressão
É impressionante sua capacidade de absorver os assuntos e distrinchá-los da melhor forma e simplicidade possível.
Acompanho vc aqui há anos. Como se fosse minha irmã mais nova...rss eu tenho 30.

Nasci em sampa, apesar de tralhar muito na minha empresa eu tbm me divirto muito. Se precisar de alguma dica sobre SP conte comigo, ok? Bjs

Seja Bem Vinda.
26/11/2009 10:23:24
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