O Grito e o Silêncio
Sempre me considerei uma borderliner, sempre vivi ENTRE muitas coisas. Não no sentido de estar em cima do muro, mas sim como quem está em uma fronteira, com os pés bem posicionados, um de cada lado. É diferente, entende? Sou inteira nas minhas pluralidades.
Por exemplo, sempre vivi na corda bamba entre o silêncio e o grito. Porque tem um lado meu muito introspectivo e melancólico. E outro extrovertido até demais. Um que grita, outro que cala.
Sei que o grito é inimigo do silêncio, mas eu vivo bem entre eles.
Ontem fiz uma aula de yôga incrível. E finalmente, depois desse furacão que passou na minha vida nos últimos tempos (o grito) , eu vivenciei de novo o silêncio.
Acho que o silêncio é uma das coisas mais subestimadas do mundo, embora seja uma das mais importantes. Mas quando falo em silêncio, não falo da ausência de som que rola enquanto estamos na internet, ou escrevendo, ou simplesmente sem falar. Falo do silêncio interno – que é o que busca a meditação seja no yôga, seja no budismo ou em outra prática qualquer. Tem a ver com contemplação. E infelizmente a coisa que menos fazemos nos dias de hoje é contemplar. Porque uma das idéias que nos foram introjetadas ao longo da história é a idéia de finalidade – as coisas tem que ter um objetivo final definido, senão, por que fazê-las? Não é assim que todos pensam?
Lembro que quando resolvi cursar filosofia na faculdade, as pessoas me olhavam espantadas e perguntavam: Mas para quê? Por quê? Elas não entendiam. Daí eu tinha que ficar pensando e dando uma longa explicação, tentando achar uma forma de explicar que as fizessem entender a tal “finalidade” que elas procuravam em tudo. Eu fazia porque gostava, essa era simples resposta, e com o tempo parei de tentar fazê-las entender, e respondia simplesmente isso: porque sim.
Essa mania dos outros sempre me incomodou e quando me vi mais adulta e identifiquei certos sinais disso em mim, entrei em pânico (maturidade demais é uma cilada, chega um momento em que a gente precisa aprender a “desamadurecer” ) e consegui retomar essa visão, esse meu jeito de me sentir tranqüila em relação à ausência de finalidade das coisas. Porque sempre fui regida pelo princípio do prazer: se me deixa feliz, eu faço. E é uma boa finalidade, embora não seja suficiente para a maioria das pessoas, que geralmente precisam de objetivos mais nobres e mais, digamos, produtivos, resultados mais palpáveis “que levem a algum lugar”. Mas a felicidade e o prazer não deveriam ser o maior de todos os objetivos?
Para mim esse PARAR é essencial. Essa tentativa de esvaziamento da mente, esse silêncio profundo do qual falei no início do texto, do qual as pessoas fogem se perguntando “POR QUE eu vou ficar aqui parada se eu poderia estar respondendo emails, resolvendo coisas, produzindo, interagindo com pessoas?”
Eu respondo:
Porque sim.
Porque sim.
Porque SIM.
E acho a melhor das respostas.


21/08/2009 20:50:00
Carol Teixeira
É verdade, Laurinha. Seria TÃO mais simples se as pessoas entendessem isso, né?
beijos
24/08/2009 18:02:59
Carol Teixeira
Que máximo, Leninha! É isso aí!
beijos
24/08/2009 18:01:48
Laurinha
laurinhagps@gmail.com
Emocionante, pra variar...
Carol, lindo o post! Como sempre, me identifiquei muito. Minha maneira de levar a vida é exatamente essa "Porque sempre fui regida pelo princípio do prazer: se me deixa feliz, eu faço."
É tão simples, mas as pessoas tem tanto medo...



24/08/2009 12:49:06
Leninha Ramos
leninharamos818@hotmail.com
Opção...
Optei por ser livre. Optei por não ter filhos. Optei por não ter um casamento convencional...e as pessoas sempre me perguntavam o POR QUÊ???...eu respondia: Pq sim...ngm entendia nada...hahaha...Que bom que não estou só.
love, love
bjbjbjbj
21/08/2009 20:28:23
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