Desassossego
“Acontece-me às vezes, e sempre que acontece é quase de repente, surgir-me no meio das sensações um cansaço tão terrível da vida que não há sequer hipótese de ato com que dominá-lo. (...)
É um cansaço que ambiciona não o deixar de existir – o que pode ser ou pode não ser possível – mas uma coisa muito horrorosa e profunda, o deixar de sequer ter existido, o que não há maneira de poder ser.(...). O fato é que me creio o primeiro a entregar a palavras o absurdo sinistro dessa sensação sem remédio. E curo-a com o escrevê-la. Sim, não há desolação, se é profunda deveras, desde que não seja puro sentimento, mas nela participe a inteligência, para que não haja o remédio irônico de a dizer. Quando a literatura não tivesse outra utilidade, esta, embora para poucos, teria. Os males da inteligência, infelizmente doem menos que os do sentimento, e os do sentimento, infelizmente menos que os do corpo. Digo infelizmente porque a dignidade humana exigiria o avesso. (...) Escrevo como quem dorme, e toda minha vida é um recibo por assinar.”
(Fernando Pessoa, ‘Livro do Desassossego’ )


Adoro esse livro do Fernando Pessoa. Começando pelo título, "Livro do Desassossego" (acho a palavra "desassossego" linda e tudo a ver comigo). O mais especial, para mim, é que ali ele fala de sensações que parecem indizíveis - o livro todo é isso: um dizer o indizível. Aliás, toda sua obra poética consiste nesse belo exercício, mas no 'Livro do Desassossego' ele vai ao extremo.
Sempre foi e sempre será meu poeta preferido, fiquei mega emocionada quando estive no Museu Fernando Pessoa, em Lisboa (que fica na casa em que ele morou antes de morrer).


29/07/2009 01:16:00
Carol Teixeira
Muitíssimo obrigada pelas palavras, Lucia! que ótimo ler esse teu comentário!!!
beijos
31/07/2009 22:12:03
Lucia Righi
lurighi@gmail.com
Oi Carol,
Que lindo isso!
Há um tempo já que leio teus textos, e achei que já era hora de comentar! Ainda não li os teus livros, mas tudo que vejo aqui no teu blog me inspira muito! Adoro ver a vida por outros ângulos, outros filtros, com outras sensações, e os teus são incríveis! É maravilhoso ver alguém que vive tão intensamente! Já li quase o blog inteiro, viciei nisso aqui!

Sempre venho com caderninho e caneta em punho anotar todas as maravilhas do teu mundo, e as milhões de dicas de cultura e literatura que tens para compartilhar!! Mudou minha vida!! ;)

bjos

http://luciarighi.spaces.live.com
31/07/2009 07:02:21
Carol Teixeira
Frase incrível, Jana! Sinto exatamente isso...
beijos!
29/07/2009 19:39:54
Carol Teixeira
Eu também AMO essa parte, Géssica! Lê esse livro, ele é super denso, vale a pena.
beijos
29/07/2009 19:38:18
Carol Teixeira
Que legal, Ignacia! Obrigada! :)
Livramento lembra muito a minha infância, eu ia direto para aí, a fazenda do meu cunhado é bem na fronteira.
beijos
29/07/2009 19:36:42
ignacia caçapietra
ignacia2212@hotmail.com
li e tb fiquei emocionada
oi
moro em Santana do Livramento, fronteira com o Uruguai, leio direto o teu blog, sou tua fã.
hoje li e tb me emocionei.
besos Ignacia
29/07/2009 10:31:13
Jana Lauxen
3am.jana@gmail.com
Tenho esse livro há uns 5 anos, e fazem uns 5 anos que leio e releio, todo dia, um pedacinho.
É de Fernando, o Pessoa, a frase que mais repito na minha vida: 'a literatura é a melhor maneira de ignorar a vida'.
E não é?

;)
29/07/2009 10:28:43
Géssica
"Os males da inteligência, infelizmente doem menos que os do sentimento, e os do sentimento, infelizmente menos que os do corpo. Digo infelizmente porque a dignidade humana exigiria o avesso"
essa seria minha parte marcante,
nunca li muitas coisas dele, buscarei.
:)
beijos carol
29/07/2009 06:17:02
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