Luc Ferry
Na correria da última semana, acabei esquecendo de comentar uma coisa incrível: a palestra do filósofo francês Luc Ferry. Ela fez parte da primeira edição do ciclo de palestras Fonteiras do Pensamento, que trouxe, em 2007 e 2008, diversos pensadores para conferências na cidade. Eu, claro, era presença mega assídua nos dois anos, mas tinha perdido justamente essa, a do Luc Ferry, filósofo que admiro muito por conseguir trazer a filosofia para os “não-iniciados” de uma forma acessível e ao mesmo tempo nada banalizada (Falei um pouco sobre isso em um post antigo, o título é "A felicidade, desesperadamente". Dêem um search aqui no site.)
Mas então fiquei sabendo, há algumas semanas atrás, desse novo projeto que estava rolando no Studio Clio, que consistia na transmissão de algumas palestras do ciclo, seguidas de um debate ministrado pelo Juremir Machado da Silva (meu amigo, que eu considero o intelectual mais foda dessa cidade, e que escreveu a orelha do meu livro “Verdades & Mentiras”). A primeira palestra foi justamente essa que eu tinha perdido.
Luc Ferry é O cara.
Saí de lá extasiada, a cabeça a mil, daquele jeito que eu amo ficar. Deu saudade das aulas de filosofia.
Ele tem uma visão muito interessante sobre certos assuntos. Para ele a filosofia não é, como muito dizem, a arte de questionar. Todo sistema filosófico tem como objetivo dar respostas, é isso que tentam todos os filósofos, logo toda filosofia tem como objetivo ser uma doutrina de salvação – uma doutrina de salvação sem Deus. E é aí que ela se diferencia positivamente do cristianismo e vira o melhor instrumento de compreensão do mundo e do ser humano – por pretender dar respostas através da razão e não da duvidosa fé.
Ele também falou sobre as duas grandes questões de infelicidade do ser humano: o passado e o futuro. Todas as nossas tormentas vem dessas duas coisas justamente porque elas não existem, são irreais. O passado já passou e o futuro ainda não chegou. A única coisa que temos de REAL é o presente. Parece óbvio, mas esquecemos disso o tempo todo. Daí vem todas as ansiedades que atormentam, atrapalham nosso sono, atrapalham nossas vidas – dessas duas irrealidades. E nesse ponto há uma visão que fecha com o budismo, e ele comenta isso. Por esse motivo eu sempre achei essa religião, quer dizer, essa filosofia (pois o budismo está um degrau acima das religiões que prescindem da razão) muito interessante.
Enfim, eu poderia ficar horas aqui escrevendo sobre o que ele disse, mas não seria a mesma coisa. Eu sugiro livro “Fronteiras do Pensamento: Retratos de um Mundo Complexo” (editora Unisinos), que consiste nas transcrições de todas as conferências proferidas na edição de 2007, entre elas a do Luc Ferry, da Camille Paglia, Michel Maffesoli , Pierre Levy e outras figuras interessantíssimas. Organização do Juremir. Super vale a pena.
02/06/2009 23:48:00
Hélio Jorge Cordeiro
hjcordeiro@hotmail.com
Postado
Oi, Carol, teu post foi postado no meu blog e já comuniquei aos amigos do grupo de discussão de filosofia para darem uma lida no teu texto.
Apareça e mande o recado que ôcê quizer, tá?
abrigadão!
bxinhos
Hélio
03/06/2009 17:56:01
Carol Teixeira
Que ótimo, Hélio! Deve ser mega interessante esse debate de vocês! Pode copiar o post, claro. E vou colocar mais um post depois com alguma citação da palestra do Luc Ferry.
beijos
03/06/2009 13:46:20
Carol Teixeira
é isso mesmo, Robson! Aliás, a palestra do Luc Ferry é, de certa forma, bem nietzscheana.
beijos
03/06/2009 13:44:56
Robson
Viva o momento do presente, o passado já se foi e o futuro ainda não existe, o aqui e agora é a única realidade.Mas viva o presente sem medo, pois "O medo é o pai da moralidade", já dizia Nietzche.
Bjs!!!
03/06/2009 09:40:29
Hélio Jorge Cordeiro
hjcordeiro@hotmail.com
IV Grupo de Filosofia...
Carol, a propósito deste teu post, venho dizer-te que aqui onde vivo, Itajaí, SC, começamos meio que acanhados a fazer un s encontros para discutir, a princípio, os presocráticos do ponto de vista de Nietzsche.
Claro que a audiência tem sido pequena, nestes primeiros momentos, até por que estamos discutindo filosofia em um boteco (não filosofia de boteco!) e a divulgação não é a das melhores, dia e horário.
Vamos ver no que vai dar. Vou copiar o teu post (este) para levar pro pessoal, se assim vc me permitir, claro.
Qualquer coisa, escreve pra o meu blog. Só asim os envolvidos no papo filosófico terão o prazer de ler o teu texto:
http://cubacheiro.blogspot.com
bxinhos
Hélio
03/06/2009 08:40:10