Finalmente fiz um flickr. Com muuuitas fotos! Entrem lá: www.flickr.com/caroltx
Tem de tudo: ensaio completo da Trip, da VIP, fotos da banda, fotos de viagem, fotos em casa...
(foto: Sasha Grey by Terry Richardson para Penthouse Magazine)
Estava lendo uma entrevista com a premiada estrela pornô americana Sasha Grey e pensando sobre a atração que sempre tive pelo erotismo e todas suas manifestações. Sempre me interessei pelo poder transgressor do sexo em uma sociedade que sempre se mostrou incapaz de lidar com ele de forma plena e verdadeira sem mensagens duplas e hipócritas, principalmente no que diz respeito à sexualidade feminina. Então sempre fui a favor de pornografia (que é, sim, uma espécie de erotismo), sempre fui fã de quadrinhos eróticos como os do italiano Milo Manara, de escritores como o Bataille (que fez um tratado sobre o assunto, o livro “O Erotismo”) e de artistas como a Madonna, na fase do disco Erotica, e todas suas manifestações sexuais da época, indo além da rasa sensualidade que vemos por aí. Também sempre admirei Hugh Hefner, dono do império Playboy, com suas três namoradas, suas festinhas libertinas e sua visão de sexo aberta e com poucos limites.
Antes que me acusem de estar fugindo do assunto ao qual me propus falar, já digo que não: tudo isso tem muito a ver com o Erotismo, com o sagrado erotismo de que Bataille falou. Porque erotismo é a parte do sexo que de fato diz alguma coisa, que transcende o físico e atinge camadas mais profundas , perturba o psicológico, seja através da representação através da arte ou de manifestações tidas como mais baixas. Sensualidade pode ser algo bonito de se ver, mas o contato com o erotismo é diferente, faz tremer outras bases. Sexo é uma busca e pode ser uma bela forma de transgressão se vivida ou representada com verdade. Pena que poucas pessoas se dão conta disso e ficam com a versão mais básica e contida do assunto.
Isso me lembra Nietzsche que, em “O Nascimento da Tragédia”, falava da arte (no caso, arte grega) como antídoto contra a metafísica racional (e sua oposição entre essência e aparência), que para ele era incapaz de manifestar o mundo. No entanto na arte temos acesso às verdades de forma imediata, sem o filtro da razão, pois ela não está impregnada de conceito. Na arte a experiência da verdade (essência) se faz ligada à beleza – que é uma ilusão, uma aparência.
Sexo, para mim, é da ordem das coisas dionisíacas, como a arte. Uma forma imediata de entrar em contato com as questões fundamentais de uma existência, uma maneira de chegar mais próximo de alguma espécie verdade – verdade esta que muitas vezes buscamos, sem sucesso, através do pensamento científico e racional . Sexo é uma maneira afirmativa de se viver, por isso é uma energia que eu gosto de ter por perto, seja em vivências ou representações. Sexo, segundo Bataille, é uma maneira de ter uma experiência mística “sem Deus”, uma forma de buscar a continuidade humana através de algo que, longe de toda possibilidade de razão, por instantes desintegra o nosso eu. Não é a toa que os franceses chamam orgasmo de petit mort (pequena morte).
Enfim, pensamentos que me vieram à mente nessa madrugada, enquanto eu lia a entrevista de uma atriz pornô. No fundo, mesmo que em níveis diferentes, Sasha Grey, Madonna, Bataille, Nietzsche, Milo Manara e Hugh Hefner tem algo em comum.
Amanhã, às 22hs, estarei no programa Fala + Joga, da Play TV. É uma entrevista comigo e com a Naná Rizzini. Quem vai nos entrevistar é a Bianca Jhordão que canta e toca no Brollies & Apples comigo. Ou seja, papo mega entre amigas.
"Porque chega uma hora em que você tem que escolher a vida. Eu talvez não saiba bem ainda o que isso significa, mas é claro para mim que a hora desta escolha é agora, está acontecendo. "
Clarice Lispector dizia: “Fatos e pormenores me aborrecem” .
Sim, existem muitas coisas mais importantes do que fatos. As várias versões, por exemplo, que multiplicam e relativizam um mesmo acontecimento. As palavras. Ou as entrelinhas, o que se dá ENTRE os fatos. Na literatura de Clarice isso sempre foi o essencial, a ação era interna, não externa. E não é assim na vida também? Ela acontece muito além da simples realidade. No fim das contas, é no underground de uma existência que se dá o que realmente importa.
Independente dos fatos que acontecem na minha vida, meu interior raramente está em paz. E isso é algo com que eu lido muitas vezes com impaciência. Porque sou muito imediatista: sinto as questões dentro de mim e preciso resolvê-las, respondê-las, tirar de mim aquela angústia gerada pelo “não saber”.
Falando de fatos, muitas coisas boas têm acontecido e, simultaneamente, muitos questionamentos internos. O que não é novidade, essa dicotomia que rola entre meu interior e exterior. Mas esses dias me lembrei de uma frase que caiu como uma luz aqui dentro. É um trecho de um dos livros que marcou a minha adolescência: Cartas a Um Jovem Poeta, do Rilke. Reencontrei ele na mudança e fui direto procurar essa citação para poder transcrevê-la aqui:
“Seja paciente com tudo o que não esteja resolvido em seu coração e tente amar as perguntas por elas mesmas, como quartos trancados ou livros escritos em uma língua estrangeira. Não busque as respostas que não podem ser dadas pois você não seria capaz de vivê-las. E a questão é viver tudo. Viva agora as perguntas e talvez, algum dia, sem perceber, você viverá as respostas.”
É tão simples e tão genial. Sim, viver as perguntas. Sem angústia. Se as respostas ainda não vieram é porque ainda não estamos conseguindo vivê-las. Quando for possível, viveremos elas.
Eu e Bianca de novo na VIP (de dezembro). Essa nossa foto, que acabou não entrando no ensaio de outubro,foi considerada uma das 7 melhores de 2009. (foto by Autumn Sonnichsen)
Hoje vai rolar no Inferno Club (Augusta, 501) o evento Xanas em Xamas, três bandas com mulheres: Brollies & Apples, Moxine e Naná Rizinni. Espero TODOS lá! Cheguem cedo!
SAIBAM + AQUI NO SITE DA RG VOGUE: http://tinyurl.com/yd4cdym
No dia primeiro, nessa terça, às 19:30 eu estarei em Porto Alegre, na Confraria das Lulus, num papo sobre meus livros, minha vida, minhas verdades e mentiras. Espero vocês todas lá! Vejam no flyer os detalhes!
Quem me segue no twitter já sabe: estou morando em SP desde a semana passada.
Eu sempre falo aqui da importância que as viagens tem na minha vida, como forma de descontextualização, troca de pele, etc. Se já sinto tudo isso simplesmente visitando outros lugares por algumas temporadas, é evidente que MORAR em outro lugar traz todas essas coisas mil vezes potencializadas. E por isso, a sensação é melhor ainda.
Já faz um tempo que eu andava vindo muito para SP, cheguei a passar umas três semanas em hotel, até que eu me dei conta de que valia muito mais alugar um ap aqui e me mudar de vez. Continuo com o ap em Porto Alegre (porque se desfazer dele seria over para o meu coraçãozinho), mas agora moro aqui. E estou amando. Mesmo nessa correria chata de instalação da net, do fogão, da máquina de lavar, etc, etc, etc, está tudo ótimo. Coloco minha rasterinha e ando pelo meu bairro a pé direto (coisa que não faço em Poa), compro frutas secas na esquina, vou na academia que fica a duas quadras, faço compras no supermercado aqui perto, vou no teatro, em bate-papos em livrarias, ensaio com Fredi, Rodrigo e Bianca (Brollies & Apples), retomei a escrita do meu livro, estou com ideia para uma peça …
Tudo fora de lugar mas ao mesmo tempo em seu lugar – dá para entender? Feliz.
E é engraçado: estou chegando nos meus trinta anos (dia 19 de dezembro) e ando sentindo energias parecidas com o início dos meus vinte, quando escrevi o “De abismos e vertigens”, meu primeiro livro. Esses dias me peguei folheando ele e me sentindo muito bem com aquela energia de explosão, de mudança e questionamento, coisas que estão voltando aqui dentro de forma muito forte. Adoro ver como a vida é cíclica. Me identifiquei muito com o trecho (na parte do diário) em que eu falo sobre quando saí da casa da minha mãe e fui morar sozinha, aos 23.
Me lembro que eu citei ali uma música da Rita Lee que eu estava ouvindo no dia: “São coisas da vida/ a gente se olha e não sabe se vai ou se fica..”
E depois, lembro que eu encerrei essa parte dizendo: “Eu vou “. E isso tinha, obviamente, um significado muito além do literal.
E, anos depois, estou aqui, INDO de novo. De outra forma. Sempre igual mas sempre diferente.
Acabei de assistir uma ótima palestra da psicanalista Maria Rita Khel, conferência que fez parte do ciclo Fronteiras do Pensamento, o mesmo que trouxe o Luc Ferry no ano passado.
O tema era a depressão como sintoma da contemporaneidade. Desde o início o papo já me interessou porque ela começou falando do TEMPO , tema sobre o qual eu já escrevi bastante aqui nesse ano , sobre o qual tenho pensado muito e que, por vias tortas, acabou entrando no Papo Cabeça que eu fiz semana passada com a Martha Medeiros, Ingra e a Fernanda.
Maria Rita disse que nós vivemos em uma época de over estímulos, na qual vivemos respondendo a eles o tempo todo, seja à TV, seja ao celular que toca, seja ao email na internet, seja ao ciclo (que eu chamo de "escravidão virtual") twitter- facebook- orkut-myspace , seja à informação que nos chega sem que precisemos ir atrás. Essa quantidade absurda de estímulos que recebemos nos tira uma coisa essencial: o tempo da compreensão, o tempo de compreender o que acontece.
Mas como ter esse tempo se nossa vida é pautada pelo imperativo da finalidade? Tudo deve ter uma finalidade, não há espaço para digressões, devaneios, sonhos, não há tempo para coisas supostamente “supérfulas”. Uma sociedade que considera supérfulo tudo o que não tem um fim, digamos, produtivo, é uma sociedade que nos limita a uma existência básica e eternamente a serviço de algo. Assim nos tornamos sujeitos dependentes e incapazes de aproveitar um tempo ocioso –sem estímulos - sem culpa ou sem tédio. Isso fica bem claro com um exemplo que ela deu: vários casos de crianças que se passam muito tempo na internet ou jogando videogame e quando estão sem esses tais estímulos, sentem-se perdidas e tristes, ou seja, uma espécie de depressão infantil típica dessa época. As crianças nunca foram tão medicadas. Os adultos também. Daí que vem o tema da palestra, a depressão vem como resposta a esse tempo. E nem sempre é uma depressão as we know it, tipo o sujeito isolado, sem querer sair de casa, querendo se matar. A depressão de hoje muitas vezes se dá sem que os outros notem que a pessoa está deprimida ou mesmo sem que a pessoa tenha total consciência: num automatismo, ela faz as coisas, segue na engrenagem social meio zumbi, sem ter prazer nas coisas, simplesmente existindo e reagindo à demanda dos estímulos, sem ver muito sentido em tudo ao redor.
Ela disse uma coisa interessante, que é inegável a plasticidade do ser humano, claro que ele tem capacidade de se adaptar a esse tempo frenético, mas a questão é: como estamos reagindo a isso tudo? Tem dado bons resultados? Claro que não.
Cada vez mais eu vejo a importância do equilíbrio em um mundo que nos puxa o tempo todo para os extremos.
Sábado no Porão do Beco, N.A.S.A (http://www.myspace.com/nasa) tocando, e quem aparece junto com a dupla? Simplesmente o Spike Jonze, mega diretor de filmes incríveis como "Being John Malcovich" (pelo qual concorreu ao Oscar de melhor diretor) e "Adaptação", além de vários outros clipes sensacionais como Sabotage, dos Beastie Boys.
Explico. Ele é irmão do Squeak E Clean, americano que junto com Zegon, compõe o projeto N.A.S.A.
Spike disse que volta e meia viaja com a dupla, só para curtir, e acaba fazendo alguns vídeos, claro.
Hoje, no Beco Diskoclub, é a festa da Revista do Beco, edição # 5! Essa edição é comemorativa dos 5 anos do Beco, então tem uns depoimentos (e fotos!) ótimos, clima super nostálgico. Além disso tem entrevista que eu fiz com o João Brasil (rei dos mash ups inusitados) , com a Autumn Sonnichsen (fotógrafa mega hypada que me fotografou para a Vip) e texto ótimo sobre a Fenx do nosso novo colaborador deluxe: Gabriel Brust.
Tem muito mais que isso, claro, então corre lá hoje para ver em primeira mão a revista!
Ah, e eu vou discotecar na festa! Eu, o Fredi, o Rafa Rocha, Bande à part e Schutz.
Não esqueçam, espero todos lá às 19:00h.
Alice, respondendo tua pergunta, o debate dura mais ou menos uma hora e meia, mas varia de acordo com os convidados e a platéia...
Nesse dia 20, tem Papo Cabeça no Peppo . Carol Teixeira recebe Martha Medeiros, Ingra Liberato e Fernanda Carvalho Leite para discutir o tema "Mulheres: idades e crises".
O quê? debate pop-filosófico
Onde? no Peppo, Rua Dona Laura 161
Quando? dia 20, terça
Horário? 19:00
Quanto? free
Chegou hoje nas bancas a revista Vip de outubro com ensaio de seis páginas meu e da Bianca + matéria sobre o Brollies & Apples. Adorei, ficou bem como eu imaginei,a Autumn é uma fotógrafa incrível. E a matéria do Carlos Messias está ótima.
A idéia inicial deles era fazer a seção Preliminares como ela é, com apenas duas páginas. Mas, segundo o diretor de redação Ricardo Lombardi, as fotos ficaram tão boas que eles tiveram que triplicar o tamanho da seção. Legal, né?
Comprem! :)
E nessa terça eu e o Fredi vamos discotecar no Sonique.
Na quarta, Brollies & Apples toca no Studio SP.
Se tiver aqui em SP, aparece lá.
Hoje tem PapoCabeça no Peppo!
O debate pop-filosófico rola as 19:30 com degustação de vinhos e mesa de pães e pastas.
O tema da discussão será "Erotismo". O papo rola com a minha mediação e terá como convidados o jornalista Roger Lerina, a escritora Paula Taitelbaum e o psicanalista Daniel Ritzel.
o quê? debate mega descontraído sobre o tema Erotismo
quando? dia 22, HOJE
onde? Peppo que fica na Dona Laura 161
quanto? free
Uma das poucas tatuagens alheias que eu olho e penso “como eu queria!” são as duas tattoos que a Miss Kittin tem no braço (for those who doesn`t know… misskittin.com ). Em um dos braços ela tem escrito “Inhale”e no outro “Exhale”.
Acho simples e genial porque tudo na vida se resume a isso: Inhale and Exhale. Inspirar e expirar. CLARO que muito além do sentido óbvio. Acho que nessa vida corrida e hiper conectada, na qual o presente é tão, digamos, extenso (já notaram que o presente hoje se desdobra mais do que em outras épocas?), sobra pouco tempo para inspirar e expirar.
Esses dias no trânsito, ansiosa (por quê?), com pressa (por quê?), eu percebi o quanto minha respiração é curta, o quanto eu não RESPIRO de verdade e como isso afeta completamente o meu psicológico. Ou talvez essa reação física é que seja reflexo de uma sensação interna – é o não-espaço para o inspirar e expirar.
Usando isso como metáfora, podemos ir além. Assim como o ar não entra e não sai, outras coisas também não circulam. Precisamos saber nos dar o tempo necessário para que isso aconteça.
Há fases nas quais a gente inspira, absorve ideias, energias, informações e há aquelas nas quais a gente transborda, colocando para fora tudo o que foi feito do que foi engolido e procesado, como num longo supiro. Isso também é o tal inhale e exhale. Fases de inspiração e outras de expressão. Às vezes eu me sinto drenada de tanto expirar e preciso voltar correndo para uma fase mais silenciosa, de inspiração – e vice versa. Acho esse movimento lindo e super necessário. Mas ele precisa ser percebido.
E ele começa no simples e cotidiano ato de deixar o ar entrar. E depois deixar o ar sair. Inspirando e expirando. Com calma.
Talvez esse seja um dos primeiros passos para tirar os pontos de interrogação do lado de nossas pressas e ansiedades. Ou deletá-las de vez.
Making of do ensaio que eu e a Bianca fizemos para a revista Vip, que sai em outubro. Foi bem legal, a fotógrafa Autumn Sonnichsen é incrível, eu já tinha visto vários trabalhos que ela fez para outras revistas e tinha adorado.
Acabei de participar (hoje, às 18 hs) do programa Falando, da queridíssima Tânia Carvalho, na TV Com. Geralmente eles tem convidados e discutem temas específicos, mas esse foi um programa atípico, com o "subtítulo" de Mulheres de Quinta. Então foi um bate-papo mega descontraído entre eu, ela, a Cida Pimentel (que apresentava comigo na Atlântida o "Eu, a Carol e Ele", lembram?), a sexóloga Jaqueline Brendler e a jornalista Regina Lima. Estava divertidíssimo!
Se puderem, vejam a reprise às 10:45 de sexta (hoje)
Nessa segunda, dia 31, vai rolar o especial do festival Popload Gig 2, no canal Multishow. Vai ser às 22:30.
Vai passar o show inteiro dos ingleses Friendly Fires, e alguns melhores momentos do show do Copacaba Club e do nosso, Brollies & Apples.
Não percam! É a gravação da edição carioca do festival, que rolou no Circo Voador.
“ 'A vida tem um sentido que os adultos conhecem' é a mentira universal em que todo mundo é obrigado a acreditar. Quando, na idade adulta, compreende-se que é mentira, é tarde demais."
(Muriel Barbery)
Estou adorando o livro " A Elegância do Ouriço", da Muriel Barbery. Surrealmente bom.
Vocês estão me seguindo no twitter? ( carolteixeira_ )
Porque às vezes eu não estou com tempo de escrever aqui, mas acabo aparecendo lá, que é mais rapidinho. Hoje tirei o atraso, escrevi bastante aqui e lá.
Fiquei pensando na coisa do estar ENTRE...
Esse é um estado muito interessante pois confunde as pessoas.
Segundo o filósofo Hegel, para nossa consciência, o objeto absoluto é o Eu. O que é Outro para ela está como objeto inessencial, marcado com o sinal do negativo. Ou seja, o outro sempre nos vem, a princípio, como uma ameaça à nossa individualidade, mesmo que inconscientemente. E qual é a forma que temos de dominá-lo, de incorporá-lo de forma que fique menos ameaçador? Rotulando. Colocando em uma espécie de caixinha com etiqueta em nossa mente. Assim, rotulado e compreendido, ele passa a existir dentro de nós como algo conhecido.
Por isso pessoas que estão "entre" rótulos e estereótipos geralmente perturbam um pouco, pois teoricamente são mais difíceis de serem "dominadas" pela consciência alheia.
Sinto minha vida como uma eterna fase de transição. Porque essas tais fases de transição que as pessoas às vezes dizem estar são muito frequentes para mim. Tudo muda sempre e tudo muda muito rápido. E sempre que estou nesses tumultuados trechos da vida me lembro de uma parte de uma das minhas crônicas, do livro Verdades & Mentiras no qual eu citava uma brincadeira que rolava em minhas aulas de teatro. A brincadeira consistia em pular na corda que duas pessoas giravam. A corda girava e cada um precisava escolher a hora em que entrava e que saia da corda. Brincadeira simples, de criança, mas que me apavorou. E na crônica eu dizia: "Senti um medo absurdo que eu não soube bem identificar se era medo de não conseguir, medo de que a corda batesse em mim ou um desconforto por sentir que meu corpo e minha mente não estavam mais preparados para aceitar aquilo. E ali eu vi: estava ficando, como todos, atrofiada. E não corporalmente, mas psicologicamente também. Porque o objetivo do exercício era justamente esse: reativar esse ímpeto destemido que tínhamos quando criança, esse impulso despreocupado, sem pensar em prós e contras - e eu, que me considerava sempre tão livre, estava ali, petrificada diante da corda. É mais assustador se pararmos para pensar na corda como metáfora: com o tempo vamos nos tornando seres inaptos a decidir a hora de entrar e sair da brincadeira, seres covardes, de movimentos limitados e vozes contidas, com almas atrofiadas. Com o tempo vamos ficando medrosos de ir além do que nossos restritos limites, do que nossos pequenos mundinhos oferecem, e isso tem efeitos piores do que podemos imaginar. A partir dali, quando sinto que isso está acontecendo, imediatamente me jogo em algum abismo psicológico que me desafie."
Quando eu estava no palco com o Brollies & Apples, no Rio, em pleno Circo Voador, me sentindo completamente à vontade, por um instante lembrei dessa historia toda. E me dei conta: não tenho mais medo de "pular na corda" - sei direitinho a hora de entrar na brincadeira e isso não me assusta. Felizmente o tempo passou e minha alma não atrofiou.
E nesse momento a Bianca cantava lindamente uma das minhas letras "I just wanna be all that I can be/ I just wanna go as far as can go/ all the way/ my own way..."
Sempre me considerei uma borderliner, sempre vivi ENTRE muitas coisas. Não no sentido de estar em cima do muro, mas sim como quem está em uma fronteira, com os pés bem posicionados, um de cada lado. É diferente, entende? Sou inteira nas minhas pluralidades.
Por exemplo, sempre vivi na corda bamba entre o silêncio e o grito. Porque tem um lado meu muito introspectivo e melancólico. E outro extrovertido até demais. Um que grita, outro que cala.
Sei que o grito é inimigo do silêncio, mas eu vivo bem entre eles.
Ontem fiz uma aula de yôga incrível. E finalmente, depois desse furacão que passou na minha vida nos últimos tempos (o grito) , eu vivenciei de novo o silêncio.
Acho que o silêncio é uma das coisas mais subestimadas do mundo, embora seja uma das mais importantes. Mas quando falo em silêncio, não falo da ausência de som que rola enquanto estamos na internet, ou escrevendo, ou simplesmente sem falar. Falo do silêncio interno – que é o que busca a meditação seja no yôga, seja no budismo ou em outra prática qualquer. Tem a ver com contemplação. E infelizmente a coisa que menos fazemos nos dias de hoje é contemplar. Porque uma das idéias que nos foram introjetadas ao longo da história é a idéia de finalidade – as coisas tem que ter um objetivo final definido, senão, por que fazê-las? Não é assim que todos pensam?
Lembro que quando resolvi cursar filosofia na faculdade, as pessoas me olhavam espantadas e perguntavam: Mas para quê? Por quê? Elas não entendiam. Daí eu tinha que ficar pensando e dando uma longa explicação, tentando achar uma forma de explicar que as fizessem entender a tal “finalidade” que elas procuravam em tudo. Eu fazia porque gostava, essa era simples resposta, e com o tempo parei de tentar fazê-las entender, e respondia simplesmente isso: porque sim.
Essa mania dos outros sempre me incomodou e quando me vi mais adulta e identifiquei certos sinais disso em mim, entrei em pânico (maturidade demais é uma cilada, chega um momento em que a gente precisa aprender a “desamadurecer” ) e consegui retomar essa visão, esse meu jeito de me sentir tranqüila em relação à ausência de finalidade das coisas. Porque sempre fui regida pelo princípio do prazer: se me deixa feliz, eu faço. E é uma boa finalidade, embora não seja suficiente para a maioria das pessoas, que geralmente precisam de objetivos mais nobres e mais, digamos, produtivos, resultados mais palpáveis “que levem a algum lugar”. Mas a felicidade e o prazer não deveriam ser o maior de todos os objetivos?
Para mim esse PARAR é essencial. Essa tentativa de esvaziamento da mente, esse silêncio profundo do qual falei no início do texto, do qual as pessoas fogem se perguntando “POR QUE eu vou ficar aqui parada se eu poderia estar respondendo emails, resolvendo coisas, produzindo, interagindo com pessoas?”
Eu respondo:
Porque sim.
Porque sim.
Porque SIM.
E acho a melhor das respostas.
Estou lendo um livro ótimo sobre a vida do Caio Fernando Abreu: "Para Sempre Teu, Caio F.", escrito pela Paula Dip, que foi grande amiga e confidente dele. Já li todos os livro do Caio e sempre que surge algo relacionado a ele saio correndo para comprar. Minha amiga Paula Pfeifer, do blog Sweetest Person, fez uma entrevista ótima com a Paula Dip. E ela também está sorteando esse livro. Confiram no link abaixo:
Gosto muito da filósofa, psicanalista e poeta Viviane Mosé. Já conhecia bem o trabalho dela como filósofa (ela é nietzscheana também, mais uma motivo para gostar dela), mas recentemente andei lendo suas poesias e fiquei chocada, são ótimas. Então, estava aqui procurando uns poemas dela e acabei achando uma entrevista incrível. Aqui um trecho:
"Compreender é tentar traduzir em linguagem e a linguagem reduz a 23 letras. Por mais que você queira expandir, há um dicionário com um número de verbetes fixos. Há muito mais afetos no mundo que o número de sentimentos escritos no dicionário. Quando seu sentimento não tem correspondente no dicionário, você fica mal, porque você sente a angústia, um sentimento sem nome. No entanto, qual é o problema de ter um sentimento sem nome? "
Adorei. Sempre pensei nisso, inclusive tem um texto no meu primeiro livro no qual eu falo dos "entre-sentimentos", palavrinha que eu inventei e que eu uso justamente para isso: para os sentimentos que não tem nome, para o que rola nas entrelinhas das emoções denominadas e conhecidas. Então, apesar, de ser apaixonada pelas palavras, sempre tive uma naturalidade com essas sensações cujos nomes não achamos no dicionário.
Em um momento da entrevista o jornalista pergunta para ela: "O mundo saturado de informações, que nos bombardeia diariamente com tendências, sugestões e modelos, diminui nossa potência como máquina inventiva?"
E ela responde:
"Completamente! Porque a criação é a potência do desconcertamento, onde tudo está estabelecido não tem invenção. Precisamos estar vazios para inventar e, para ter o esvaziamento, precisamos ter o transbordamento, tenho que transbordar vida, para me esvaziar e criar. É uma retro-alimentação. Em nossa sociedade, você agarra meia dúzia de merrecas que você adquiriu, que são os amigos, os valores, o seu namorado e acabou. Isso impede a invenção, a criatividade, a criação de novas subjetividades."
Na correria me esqueci de avisar:
Se não acharam por aí a Revista do Beco, baixem aqui:
http://www.beco203.com.br/views/revista.php
Está ótima! Tem matéria que eu fiz cobrindo os bastidores da gravação do disco do Bonde do Rolê,tem entrevista com o Mario Wagner - um artista alemão muito foda, que eu amo - , tem papo com o Amarante e o Kassin sobre big bands, cobertura de novidades do palco indie do Festival Optimus Alive em Lisboa...Enfim, vejam o resto ali. Não deixem de baixar.
Ontem o show no Vegas (na festa Popfellas) foi bem legal, pelo menos no palco, a gente se divertiu muuuuito. Não parecia a primeira vez dos quatro junto e muito menos que só tivemos 3 ensaios. Loucura. E a pista cheia o tempo todo. Espero que eles tenham gostado.
Tem uma matéria bem legal sobre nós no www.mondobacana.com. Texto óooootimo do Abonico. Leiam ali, vale a pena.
Tenho poucas amigas de verdade e acho que esse é um processo natural que rola com o tempo - essa certa "peneirada"nas amizades. Só fica quem tem que ficar. E o mais irônico é que entre essas amizades verdadeiras, duas dessa seleta lista se encontram fora da minha cidade, o que prova que distância, nesse caso, não tem nada a ver com proximidade. Uma é a Dedé, que mora em Miami, e a outra é a Bê Siegmann, minha amiga há bilênios, que mora em SP. Quando eu falo com elas é como se o tempo simplesmente não tivesse passado.
Estou contando isso para vocês como uma introdução. A Bê (que é uma pessoa que sempre me definiu muito bem) me escreveu agora um email que eu adorei e vou compartilhar aqui com vocês:
"Carol, estou lendo um livro sobre o Caio Fernando Abreu e óbvio lembrei de ti
Olha nesse trecho ele explicando o titulo do livro "os dragoes não conhecem o paraiso"...:
'Quando eu falo de dragões eu falo do mito chinês daqueles animais fantásticos, que não existem e que acho que são muito semelhantes às pessoas ditas loucas, muito criativas e pessoas que não se adaptam simplesmente a trabalhar, ganhar dinheiro, ter uma vida normal'
Lembrei de ti nesse trecho - nada melhor que Caio, como tu gosta de citar, para te definir tão bem"
Estou LOUCA para ver "Alice no País das Maravilhas" do Tim Burton. Amo essa história e estou bem curiosa para saber como a louca cabecinha do Tim Burton vai retratar a viagem lisérgica do Lewis Carroll.
“Acontece-me às vezes, e sempre que acontece é quase de repente, surgir-me no meio das sensações um cansaço tão terrível da vida que não há sequer hipótese de ato com que dominá-lo. (...)
É um cansaço que ambiciona não o deixar de existir – o que pode ser ou pode não ser possível – mas uma coisa muito horrorosa e profunda, o deixar de sequer ter existido, o que não há maneira de poder ser.(...). O fato é que me creio o primeiro a entregar a palavras o absurdo sinistro dessa sensação sem remédio. E curo-a com o escrevê-la. Sim, não há desolação, se é profunda deveras, desde que não seja puro sentimento, mas nela participe a inteligência, para que não haja o remédio irônico de a dizer. Quando a literatura não tivesse outra utilidade, esta, embora para poucos, teria. Os males da inteligência, infelizmente doem menos que os do sentimento, e os do sentimento, infelizmente menos que os do corpo. Digo infelizmente porque a dignidade humana exigiria o avesso. (...) Escrevo como quem dorme, e toda minha vida é um recibo por assinar.”
(Fernando Pessoa, ‘Livro do Desassossego’ )
Adoro esse livro do Fernando Pessoa. Começando pelo título, "Livro do Desassossego" (acho a palavra "desassossego" linda e tudo a ver comigo). O mais especial, para mim, é que ali ele fala de sensações que parecem indizíveis - o livro todo é isso: um dizer o indizível. Aliás, toda sua obra poética consiste nesse belo exercício, mas no 'Livro do Desassossego' ele vai ao extremo.
Sempre foi e sempre será meu poeta preferido, fiquei mega emocionada quando estive no Museu Fernando Pessoa, em Lisboa (que fica na casa em que ele morou antes de morrer).
Me esqueci de colocar aqui: saiu no Jornal O Globo, no caderno Rio Show, uma matéria bem legal sobre o Brollies & Apples. Dêem uma olhada aqui.
E mais novidades sobre a banda: vamos tocar dia 6 no Vegas (SP) e depois nas duas edições do festival Popload Gig 2 - no Rio, dia 15 (Circo Voador) e em SP, dia 17 (Studio SP). Ambas com Friendly Fires (!) e Copacabana Club. Eventos imperdíveis, quem tiver por lá tem que ir.
Eu sou puro jet lag, sempre que chego de uma viagem fico uma semana naquele clima "Oh, voltei de viagem e estou cansada". Daí não faço nada, nem aviso as pessoas que cheguei, fico só descansando, meio que num limbo entre o lá e o cá. Por exemplo, as minhas malas ainda estão aqui na sala, não foram desfeitas, só tirei delas o básico para a sobrevivência, tipo escova e pasta de dente, essas coisas. A verdade é que eu demoro para realmente CHEGAR. O meu organismo não assimila facilmente mudanças, o que é um problema, pois a minha mente (e minha vida) vive em constante mudança. Só hoje é que estou começando a ficar mais normal. Agora vou ler um pouco, ver se acabo aquele livro da Paula Dip, sobre o Caio Fernando Abreu. Depois, tomar um vinho, ouvir um Chet Baker e finalmente me sentir em casa.
Deixo vocês aqui no mesmo clima que eu:
(foto:eu, Thaís e Duda, às seis da manhã, pós noite no Plano B - um bar incrível-, assediando um dos bonecos da exposição que está rolando na Praça dos Aliados)
Dias incríveis por aqui. Vi o show da Orquestra Imperial e amei, daí já aproveitei e entrevistei o Kassin e o Amarante para uma matéria sobre big bands que estou fazendo. No dia seguinte vi o show da Comunidade, claro, Natiruts, Lei Di Dai (que é uma MC de ragga/dancehall de SP) e ontem o show do Batida, que é um projeto de uma galera de Lisboa e de Angola no estilo kuduro (aquele frenético estilo angolano).
Muito legal esse festival que está rolando na Casa da Música, muito interessante perceber através dos sons e da convivência com os portugueses e angolanos todo a semelhança que eles tem com os brasileiros. Aliás, o povo aqui em Portugal (em Porto especificamente) é absurdamente simpático e receptivo. Nesse pouco tempo já deu criar laços muito legais, até com a tia da cozinha do restaurante da Casa da Música, onde almoçamos quase todo dia. Também foi ótimo porque encontrei a Duda, minha amiga querida que está morando aqui hás alguns meses. ela e a Thaís (uma carioca que está morando aqui também) foram nossas super parceiras de festas e shows. Fizemos videos engraçadíssimos, depois eu posto. Como o acesso a internet aqui está meio limitado, não estou conseguindo responder todos os comentários aqui no site, mas estou lendo e adorando as dicas e os desejos de boa viagem :)
Agora estou indo para Madrid! Três dias. Depois eu conto como foi.
Amanhã vou para a Europa passar quase um mês. Portugal (again) e Espanha, tour da Cominidade Nin-jitsu e algumas datas do Fredi como dj também. Isso significa que vou ter que editar a Revista do Beco de lá, quero só ver. Então os próximos posts serão do verãozinho europeu, coisa boa.
Mil coisas acontecendo, que loucura né? Eu falei para vocês, estou no meu Retorno de Saturno, tá rolando um clima meio vulcão em erupção. E isso, pelo menos para a criatividade, é bom. Parece que todas as possibilidades artísticas em mim estão se manifestando, é como se a minha necessidade de expressão tivesse transbordando e procurando novos lugares para escorrer.
Acabei de escrever uma peça hoje. Depois eu conto qual é. Entrei numas de só falar das coisas quando elas realmente acontecerem. Eu sou daquelas que quando tenho um projeto em andamento, fico muito feliz e com uma louca vontade de sair gritando aos quatro cantos do mundo, mas descobri ao longo da vida que não é legal ficar falando antes, por mais vontade que se tenha. Porque quem não gosta da gente bota olho e quem gosta fica numa expectativa muito grande. Então ao passo que as coisas vão se realizando, eu vou falando. Quando tiver coisas mais definidas em relação ao futuro dessa peça corro aqui pra contar para vocês.
A Camila pediu nos comentários para eu colocar o vídeo do Brollies & Apples e eu me dei conta de que eu não tinha falado aqui ainda desse meu projeto novíssimo e inusitado. Então antes de colocar algum vídeo, vou contar para vocês o que é e como tudo começou.
Ano passado eu apresentei um prêmio em uma festa de premiação do canal Nickleodeon, que rolou em Porto Alegre. No camarim, quando estava no ensaio geral, conheci a Bianca Jhordão, vocalista da banda Leela, que também apresentaria um prêmio e tocaria com os guris da Fresno. Ficamos mega amigas, só dava a gente no camarim falando dos mais diversos assuntos, de yôga a Tim Burton. Nos encontramos de novo na festa da MTV, do VMB, daí as duas com seus respectivos maridos (eu com o Fredi e ela com o Rodrigo, que também é o guitarrista do Leela) e depois, de novo os casais, em Londres, num bar em Camden Town. E foi lá que surgiu a idéia: vamos fazer um projeto musical? Uma coisa louca, dois casais, vamos ver o que sai?
E assim, de volta ao Brasil - eles em SP e nós em Porto Alegre - fomos agilizando as músicas pela internet. Eu fazia as letras, o Fredi fazia as programações eletrônicas e umas guitarras e a gente mandava para eles. A Bianca gravava a voz, o Rodrigo criava umas guitarras e eles mandavam de volta. Aqui eu acrescentava uns vocais e uns tecladinhos, o Fredi editava e mixava. E a música estava pronta.
Nesse clima fizemos quase todas, só nos encontramos para fazer a última.
E tudo isso foi silenciosamente, tipo não falamos para ninguém, nem para os melhores amigos. Decidimos que só tornaríamos isso público quando tívessemos um número considerável de músicas e pelo menos um clipe. Então pegamos um diretor carioca muito foda, o Bruno Safadi, e fomos todos para Punta del Este gravar o clipe. Acabamos, na loucura, gravando dois clipes. E semana passada fizemos o myspace. Entrem aqui:
www.myspace.com/brolliesandapples
e vejam fotos e vídeos, leiam o release com toda a história e comentem! Comecem vendo o vídeo de Rented Dreams, que é o melhor. Anarquizamos o hotel Conrad, vocês vão ver! haha
Olha que legal o que o Lúcio Ribeiro escreveu (sobre o nosso projeto) no blog dele, o www.popload.com.br
" UMA BANDA DO RIO/PORTO ALEGRE: BROLLIES & APPLES - Essa é a tal “suruba indie”, mencionada no título. O apelido não é meu, veja bem. A Carol que falou… Nasce uma “superbanda” brasileira pós-pós-pós grunge. Sabe quando o Garbage, no fim do célebre movimento, começou a misturar as guitarras grunge com a eletrônica? Agora pegue essa informação e aplique no indie brasileiro neste final de década atual. E tire a grande Shirley Manson do vocal e bote DUAS garotas no lugar. E bem mais bonitas que a escocesa que só era feliz quando chovia. Pronto: você tem o Brollies & Apples. Armação electrogrungesexy que une o famoooso DJ e produtor funk rock Fredi Chernobyl, de Porto Alegre, com dois membros da antes-carioca-hoje-paulistana banda pop Leela (a loirinha Bianca e o guitarrista Rodrigo Brandão), completados pela presença da FILÓSOFA “gaúcha” Carol Teixeira (ela nasceu no Rio, na verdade). Carol & Chernobyl (que é guitarrista da banda Comunidade Nin-Jitsu) e Bianca & Rodrigo são casados, cada par entre si e agora casados também em quarteto, no rock. Daí a tal suruba. Como uma boa imagem vale mais que… veja logo o vídeo do incrível Brollies & Apples."
“A Lagarta e Alice olharam-se por algum tempo em silêncio. Por fim, a Lagarta tirou o narguilé da boca e dirigiu-se a Alice com uma voz lânguida e sonolenta. ‘Quem é você?’, disse a Lagarta. Não era um começo de conversa muito estimulante. Alice respondeu um pouco tímida: ‘Eu...eu...no momento não sei, minha senhora...pelo menos sei quem eu era quando me levantei hoje de manhã, mas acho que devo ter mudado várias vezes desde então.’”
(trecho de ‘Alice no País das Maravilhas’)
Hoje acordei feliz. A vida continua igual, mas a lente mudou. Vou ter que citar aquela frase do Woody Allen que eu sempre cito: a vida só depende de como iremos distorcê-la. Eu devia ter isso escrito na parede da minha casa, é impressionante como se aplica perfeitamente a minha vida. Sei que se aplica à vida de todo mundo, mas especialmente a minha porque eu sou uma pessoa que distorce a vida (para o bem e para o mal) com uma freqüência espantosa, cada dia acordo com uma visão diferente e acredito que aquela lente é a real. Se a gente se desse conta de como a realidade é relativa, talvez fosse possível se manter mais tranquilo diante das diferentes fases da vida. E tranqüila é uma coisa que eu não sou – sou tudo menos tranqüila.
Estou com vinte e nove anos e meu último ano tem sido muito louco no sentido de percepção. Astrologicamente é porque esses dois anos que antecedem os trinta são considerados o Retorno de Saturno (fiz um longo post sobre isso aqui, dá um search aqui no título “A crise dos vinte e muitos anos”). Psicologicamente, a conclusão é óbvia: todo fim de década traz consigo alguma crise existencial. Mas o fato é que tenho sentido o tempo de maneira muito louca e diferente. Sinto como se estivesse sempre numa “correria”, inclusive vivo falando isso para as pessoas “estou numa correria!”, e a verdade é que a tal correria que eu sinto estar é muito mais a minha percepção do que a real – eu não estou tão sem tempo assim, mas me sinto sempre como se estivesse. Então às vezes me pego em um dia totalmente livre, sentada com uma cara de preocupada, como se estivesse muito ocupada. Não é louco isso?
Esses dias na análise (sim, sou uma mulher mega analisada há nove anos ) estava falando sobre isso com meu psiquiatra e chegamos à conclusão de que essa tal “falta de tempo” que eu sinto (e que não corresponde com a realidade) tem a ver com a proximidade dos 30 anos, que tem me assustado. Não por motivos fúteis, mas por uma certa pressão interna que eu mesma coloquei em mim. Quando eu tinha vinte sempre pensei nos meus trinta como meu auge: eu estaria mega bem sucedida, com mil realizações, uma mulher completa, uma ADULTA. E então lá pelo final dos vinte e sete eu comecei a tal crise numa corrida contra o tempo e a minha percepção sobre o tempo foi ficando cada vez mais distorcida. A tal correria é interna, é um questionamento incessante: será que eu me tornei a pessoa que eu queria ter me tornado? Será que em dezembro, quando eu fizer trinta estarei a tal mulher mega completa que eu tinha planejado?
E foi ontem de noite que caiu a ficha. Não sei se estarei completa (acho que nunca estaremos), mas certamente já me tornei a mulher que eu sempre quis ser – e isso inclui minhas freqüentes crises, confusões, dúvidas, altos e baixos. Gosto do caos que eu sou, gosto da minha multiplicidade e gosto das pontes que consegui criar com as pessoas que me rodeiam, que me rodearam, que me lêeem, as pessoas que eu amo, as pessoas que eu toco, as pessoas que tocam. Vivi tudo tão da minha maneira, sendo tão fiel às coisas que acredito, que só posso ficar feliz olhando para trás.
Ontem percebi isso.
E hoje acordei feliz com meu final de década. E não me senti em correria alguma.
O tempo voltou para seu lugar.
Pronto, decidi. Foi super difícil, recebi muuuuitos emails com coisas muito legais, alguns textos bem grandes, outros menores e mais diretos, muitas interpretações interessantes. Mas escolhi o da Gabriela Fialho. Achei sintético, moderno, bem no meu clima:
"A arte suaviza esse peso, essa crueza toda de existir.
É a única droga que eu conheço que não me dá hangover.
O Herbert Vianna, pra mim, sintetiza bem o Nietzsche quando diz que o céu de Ícaro tem mais poesia que o de Galileu"
Então, Gabi, parabéns, pode escolher a sandália da Colcci que tu quiser!
Vou te mandar por email direitinho explicando onde e quando tu deve pegar.
E mil obrigadas a todas que participaram. Minhas leitoras são inspiradíssimas, adoro ver isso :)
Amanhã eu anuncio quem ganhou o sorteio da sandália da Colcci. Está difícil escolher, viu? A mulherada tem mandado escritos muito legais. Então, quem não mandou ainda aproveita que dá tempo. Amanhã quando eu acordar decido a vencedora e corro aqui para contar.
Botei essa foto aqui para vocês se inspirarem com a sandália da Colcci que eu estou usando :)
Não sei se eu já falei aqui desse livro, mas esses dias uma amigo pediu umas dicas de bons livros e o primeiro da minha lista foi esse - daí me ocorreu essa dúvida: será que eu não comentei no blog?
Enfim, aqui fica a dica de um dos melhores livros que li nos últimos tempos: "Extremamente Alto e Incrivelmente Perto", do Jonathan Safran Foer. Já faz bastante tempo que eu li, mas volta e meia me pego lembrando de algum trecho bonito. Como esse:
"I like to see people reunited, I like to see people run to each other, I like the kissing and the crying, I like the impatience, the stories that the mouth can't tell fast enough, the ears that aren't big enough, the eyes that can't take in all of the change, I like the hugging, the bringing together, the end of missing someone."
Daniela Arruda!
Eu adoraria dar convites para todos...mas a primeira que respondeu foi a Daniela Arruda.
Então, Dani, tu ganhou dois convites para o desfile:)
Vou te ligar para te passar as informações (onde tu pega, etc.)
Obrigada Camila, Eduardo e Joyce! Fica para a próxima (terão várias próximas)!
Gente, sorteio relâmpago: estou sorteando dois ingressos para o desfile da Colcci que vai rolar na São Paulo Fashion Week, nessa quarta! Válido para todos meus leitores que quiserem participar.
O primeiro que deixar um comentário aqui dizendo que tem interesse (com nome completo, email e telefone), leva os dois.
"Só que os escritores são seres muito cruéis, estão sempre matando a vida à procura de histórias. Você me ama pelo que me mata. E se apunhalo é porque é para você, para você que escrevo - e não entende nada."
(Caio Fernando Abreu, na crônica 'Anotações Insensatas´)
Novidade: agora sou a embaixadora aqui no Sul da marca Colcci. Adorei! Isso significa que serei a cara da marca por aqui e - bom para mim - poderei ganhar várias das lindas peças, incluindo as exclusivas de desfile. E - bom para vocês - estarei volta e meia fazendo alguns sorteios de presentes da Colcci aqui para os leitores do meu site, começando...HOJE.
Essa é só para as mulheres: quem ganhar vai poder escolher o sapato que quiser lá - e aproveitem, porque a nova coleção está incrível. Não é ótimo? Mas só é válido para a Colcci de Porto Alegre, então a pessoa tem que ser daqui.
Estava aqui quebrando a cabeça para pensar como posso fazer esse sorteio e achei melhor subverter um pouco: ao invés de fazer uma pergunta óbvia sobre moda, resolvi botar o Nietzsche no meio. haha
Sério.
Sabe aquela tattoo que eu tenho com uma citação dele ("A arte existe para que a verdade não nos destrua") ? Então, quem me mandar a melhor interpretação dessa frase ganha.
Até o dia 20 de junho estarei recebendo as frases pelo email carol.tx@terra.com.br. Dia 21 anuncio quem ganhou.
Na correria da última semana, acabei esquecendo de comentar uma coisa incrível: a palestra do filósofo francês Luc Ferry. Ela fez parte da primeira edição do ciclo de palestras Fonteiras do Pensamento, que trouxe, em 2007 e 2008, diversos pensadores para conferências na cidade. Eu, claro, era presença mega assídua nos dois anos, mas tinha perdido justamente essa, a do Luc Ferry, filósofo que admiro muito por conseguir trazer a filosofia para os “não-iniciados” de uma forma acessível e ao mesmo tempo nada banalizada (Falei um pouco sobre isso em um post antigo, o título é "A felicidade, desesperadamente". Dêem um search aqui no site.)
Mas então fiquei sabendo, há algumas semanas atrás, desse novo projeto que estava rolando no Studio Clio, que consistia na transmissão de algumas palestras do ciclo, seguidas de um debate ministrado pelo Juremir Machado da Silva (meu amigo, que eu considero o intelectual mais foda dessa cidade, e que escreveu a orelha do meu livro “Verdades & Mentiras”). A primeira palestra foi justamente essa que eu tinha perdido.
Luc Ferry é O cara.
Saí de lá extasiada, a cabeça a mil, daquele jeito que eu amo ficar. Deu saudade das aulas de filosofia.
Ele tem uma visão muito interessante sobre certos assuntos. Para ele a filosofia não é, como muito dizem, a arte de questionar. Todo sistema filosófico tem como objetivo dar respostas, é isso que tentam todos os filósofos, logo toda filosofia tem como objetivo ser uma doutrina de salvação – uma doutrina de salvação sem Deus. E é aí que ela se diferencia positivamente do cristianismo e vira o melhor instrumento de compreensão do mundo e do ser humano – por pretender dar respostas através da razão e não da duvidosa fé.
Ele também falou sobre as duas grandes questões de infelicidade do ser humano: o passado e o futuro. Todas as nossas tormentas vem dessas duas coisas justamente porque elas não existem, são irreais. O passado já passou e o futuro ainda não chegou. A única coisa que temos de REAL é o presente. Parece óbvio, mas esquecemos disso o tempo todo. Daí vem todas as ansiedades que atormentam, atrapalham nosso sono, atrapalham nossas vidas – dessas duas irrealidades. E nesse ponto há uma visão que fecha com o budismo, e ele comenta isso. Por esse motivo eu sempre achei essa religião, quer dizer, essa filosofia (pois o budismo está um degrau acima das religiões que prescindem da razão) muito interessante.
Enfim, eu poderia ficar horas aqui escrevendo sobre o que ele disse, mas não seria a mesma coisa. Eu sugiro livro “Fronteiras do Pensamento: Retratos de um Mundo Complexo” (editora Unisinos), que consiste nas transcrições de todas as conferências proferidas na edição de 2007, entre elas a do Luc Ferry, da Camille Paglia, Michel Maffesoli , Pierre Levy e outras figuras interessantíssimas. Organização do Juremir. Super vale a pena.
“Onde agora? Quando agora? Quem agora? Sem me perguntar. Dizer eu. Chamar isso de perguntas, hipóteses. Ir adiante, chamar isso de ir, chamar isso de adiante. Pode ser que um dia, primeiro passo, vai, eu tenha ficado simplesmente ali, onde, em vez de sair, segundo um velho hábito, passar dia e noite tão longe de casa quanto possível, não era longe. (...) Como fazer, como vou fazer, que devo fazer, na situação em que estou, como proceder? Por aporia pura ou melhor por afirmações e negações invalidadas à medida que são expressas, ou mais cedo ou mais tarde. Isso de uma forma geral. Deve haver outros expedientes. Senão seria um desespero total. Mas é um desespero total.”
Já saiu a terceira edição da Revista do Beco! Ela é distribuída gratuitamente lá no Cabaret do Beco, no Porão do Beco e em alguns outros pontos de Porto Alegre, mas dá para ver a versão em pdf aqui:
http://www.beco203.com.br/views/revista.php
Tem ali uma entrevista com uma banda islandesa incrível, Steed Lord. Entrevistei eles quando estava em Porto (Portugal). São uns queridos, a banda é o máximo, mais estilosa impossível.
Também tem o tal after que eu já tinha comentado aqui no site. As fotos estão imperdíveis.
Tem o Schutz falando do festival Electroschock e o Machuca, em um texto divertidíssimo, contando tudo sobre os bastidores do Palco Beco no Planeta Atlântida.
Mas a matéria mais legal é uma enquete que fiz com alguns jornalistas culturais e personalidades interessantes da cena musical. A questão colocada foi: "O indie virou pop?". Falei com a apresentadora Carla Lamarca, a Madame Mim e os jornalistas Lúcio Ribeiro, Zé Flávio Jr. e Gabriel Brust.
E a nossa capa dessa vez é a Letícia Firefox, super frequentadora do Beco.
Confiram ali. Mas mesmo baixando em pdf, se puxem para conseguir a versão impressa, que é muito melhor, né?
Amo esse vídeo da Adidas. Dá vontade de surtar. Impressionante o poder das imagens unidas com a música.
E amo essa música! Lembro que eu ouvi pela primeira vez em janeiro, num bar em Brick Lane, em Londres.
Depois de meses de espera a Revista do Beco chega em sua terceira edição. Com festa para comemorar, claro.
O lançamento da Revista rola no dia 22 de maio, essa sexta, com uma super festa no Porão!
Vai lá para pegar seu exemplar! Espero todos lá!
Estou sempre revendo filmes e relendo livros. Acho que as coisas boas precisam passar mais de uma vez na vida da gente.
Senti agora uma vontade louca de rever "Waking Life", do Richard Linklater, um filme que vi há alguns anos atrás. É MUITO foda. Profundíssimo, esteticamente super criativo - único. O tipo de filme que eu queria ter escrito.
Aqui vai um trecho muito legal:
Estou ODIANDO a nova versão do terra mail! Sério, ninguém comenta sobre isso? É infinitamente pior, é tipo a versão burra da anterior.
Aliás estou bem cansada de coisas que surgem como promessas de versões melhoradas e são horríveis. O que é o Windows Vista??? Só quem tem sabe o horror.
E o itunes?
Enfim, não estou me dando bem com a tecnologia hoje.
Nunca me dei bem com a realidade, com as regras, deveres e limites que o mundo tangível impõe. Talvez por isso desde pequena eu tenha me refugiado no belo mundo das artes. Era uma criança que desenhava muito, criava histórias, tocava músicas no meu pequeno tecladinho, escrevia e lia muito. Meu mundo inventado sempre foi muito mais interessante e sempre me salvou.
Agora, por exemplo, são cinco da manhã e eu estou aqui, acordadíssima, na minha usual insônia crônica, e a única coisa que me trouxe alguma calma foi ter lido um pouco e agora sentado na frente do computador para escrever. Me sinto no meu eixo, exatamente no lugar onde eu deveria estar, e as preocupações do mundo real – tipo “ tenho que dormir senão amanhã (hoje) estarei um zumbi “- se dissolvem.
Isso me lembra do escritor italiano Italo Calvino e de seu ótimo livro “Seis Propostas Para o Novo Milênio”. É a transcrição de um ciclo de seis conferências que ele deu em Harvard, em 1985, no qual ele fala de seis valores que mereciam ser preservados no próximo milênio. Para mim, a mais interessante é a primeira proposta: a leveza. Ali ele conta que quando começou a escrever, os escritores tinham como um imperativo categórico representar sua época. No entanto ele sentia uma diferença absurda entre os fatos que deveriam servir de material para sua escrita e o estilo que desejava seguir. Foi então que descobriu “o pesadume, a inércia, a opacidade do mundo”, características que, segundo ele, se aderem logo à escrita, quando não encontramos um meio de fugir delas. Daí ele fez uma analogia que eu adoro, disse que é como se a realidade fosse algo transformado em pedra, como se nada nela escapasse ao olhar inevitável e petrificante da Medusa. Na mitologia, o único herói capaz de decepar a cabeça da Medusa é Perseu, que voa com sandálias aladas. E para conseguir decepá-la sem se petrificar ele se sustenta no que há que mais leve – as nuvens e o vento – e olha para Medusa através da imagem que é refletida no seu escudo de bronze. Somente assim, através dessa visão indireta, ele atinge seu objetivo sem ser petrificado. Para Calvino, é dessa forma que o escritor vê a realidade petrificada do mundo em que vive: indiretamente. “É sempre na recusa da visão direta que reside a força de Perseu , mas não na recusa da realidade do mundo de monstros que estava destinado a viver”.
Me identifico completamente com essa idéia, pois a minha relação com a realidade é exatamente essa. Não a recuso, mas a olho indiretamente e o meu “escudo de bronze” é a escrita. Mas quando olho ao meu redor e vejo um excesso de vida real, sempre me espanto com o fato de que são poucas as pessoas que tem esse olhar indireto e isso é algo que eu questiono bastante. Porque acho que essa não deveria ser uma visão exclusiva dos artistas, todos podem escapar do olhar petrificante da Medusa, mas nem todos percebem que podem. Existem milhares de formas de voar e de deixar a vida mais leve, é só querer.
Essa crônica está tão bonitinha que merecia um final inteligente, com impacto, mas agora já são cinco e meia da manhã e as idéias se esgotaram. Vou ficando por aqui e deixando vocês com uma frase de outro italiano, o escritor Peppe Lanzetta: "Passo voando. Por quem não sabe que pode voar, quem não consegue mais, quem não quer voar."
“E tudo isso quer dizer literatura: a requintada crueldade de poder observar atentamente as próprias vísceras expostas refletidas no espelho e imaginando não ser nossas, como se este refletisse toda a humanidade agora – a desumanidade estará dentro de nós, como o olho cego da câmera fotográfica, as lâminas frias da cortina que fecha e abre a objetiva, o vidro da lente, inopinadamente a sangrar, a sangrar, amigos, a sangrar, o fluxo maldito chamado literatura , a sangrar...”
A segunda edição do FestiPoa foi incrível! Todos os méritos para o Fernando Ramos, idealizador do evento e editor do Jornal Vaia. A organização estava impecável, participações muito interessantes e, o mais legal de tudo, TODOS os debates e eventos cheios. O que mais se ouvia por lá, tanto entre participantes, como entre o pessoal do público era que assim "a gente até se empolga com a cidade". E é verdade. Ver tanta gente interessante e interessada unida para discutir literatura, dá uma outra visão em relação a Porto Alegre, que, de fato, tem aumentado consideravelmente suas atrações culturais. O fato é que geralmente o público não colabora, mas na FestiPoa compareceu em massa. Fiquei feliz de ver. E de participar.
O debate que participei na sexta, junto com a Monique Revillion e o Olavo Amaral foi ótimo, bem leve e divertido. Foi interessante mediar um papo entre escritores tão diferentes como o Olavo e a Monique. O resultado foi legal, muitas diferenças nos processos criativos mas muitas semelhanças nas opiniões.
Conheci nesse festival uma poeta carioca incrível: Maria Rezende ( www.mariadapoesia.blogspot.com). Adorei a poesia dela e ficamos amigas direto. Ela leu um poema que eu tenho que colocar aqui para vocês verem (tem que VER porque o jeito que ela lê é ótimo. Um clima meio Elisa Lucinda, sabe? Mais dizendo do que declamando o poema.). Enfim, aí vai:
PORÃO DA PALAVRA
No domingo rolou aquele evento que já falei aqui, o Porão da Palavra. Foi tão legal, mas tão legal, que a gente está pensando em fazer todo mês. Tem toda uma cena literária borbulhante por aqui, só falta unir todo mundo. O ambiente era mágico, Nina Simone rolando no início, depois as leituras tão diferentes uma da outra, mas tão interessantes. Gente colocando seus livros à venda, escritores jovens, músicos lendo suas poesias, escritores consagrados, todo mundo junto, uma energia circular incrível. E no final, Sexteto Blazz e Antônio Carlos Falcão e banda.
Quem não foi não pode perder o próximo. Fiquem atentos aqui no site que eu aviso.
Algumas fotos eu vou postar no Blog do Beco (entrem em www.beco203.com.br e procurem o blog). Mas só amanhã.
Amanhã, quarta-feira, dia 29, às 19:30, tem Café Filô no Café do Porto.
O tema da vez será "Gênero: será que homens e mulheres são tão diferentes assim?" E para essa discussão, convidaram o ator Zé Victor Castiel, o filósofo Júlio Bernardes, o psiquiatra e psicanalista Dr. Almerindo Boff e eu. A única mulher em um debate sobre gêneros. Interessante, não?
E para que todos mantenham as forças em uma discussão tão acirrada, o Café do Porto apresenta pratos temáticos nesta edição: a casa, que já servia o Croque Monsieur, acrescenta especialmente nesta quarta-feira o Croque Madame nos cardápios. Tudo para garantir que ninguém saia em desvantagem...
E o Café Filô deste mês vem também com uma novidade especialíssima: o debate será aberto com uma degustação de espumantes da Sommelier Vinhos.
Ótimo, né?
Apareçam!
Amanhã tem mais!
Na ressaca da FestiPoa, vai rolar o Porão da Palavra, evento que eu e o Fernando já tínhamos organizado no fim do ano passado e agora chega na sua segunda edição. Vai ser no Porão do Beco, às 20:00, ingresso R$ 5,00.
É um sarau muito louco e bagunçado, que super dá certo. Participações incríveis, músicos, escritores e artistas de todo o tipo.
Quem vai participar?
alexandre brito
thedy corrêa
diego Silva
antonio xerxenesky
antonio carlos falcão e banda
cardoso
carol Teixeira
fernando ramos
carpinejar
dedé ribeiro
diego petrarca
etienne blanchard
jorge bucksdricker
leo felipe
marlon de almeida
olavo amaral
reginaldo pujol filho
rica sabadini ( da Severo em Marcha)
ricardo silvestrin
rodrigo rosp
sexteto blazz
telma scherer
jana Lauxen
Amanhã, às 19:30, vai rolar um debate sobre o conto. Eu, Olavo amaral, Monique Revillion e José Antônio Silva. Vai ser na Letras & Cia (Oswaldo Aranha 444)
O debate faz parte da Festipoa, o festival literário que está rolando com vários eventos incríveis.
Confiram a programação aqui
http://www.lpm-editores.com.br/v3/artigosnoticias/user_exibir.asp?ID=615251
DWAYNE: You know what? Fuck beauty contests. Life is one fucking beauty contest after another. You know, school, then college, then work, fuck that. And fuck the air force academy. If I wanna fly, I'll find a way to fly. You do what you love, and fuck the rest.
FRANK: I'm glad you're talking again, Dwayne. You're not nearly as stupid as you look.
(Do filme "Pequena Miss Sunshine", que eu amo e estou sempre revendo)
Foi assim. Eu resolvi dar um upgrade naquela seção da Revista do Beco chamada "Bequistas" e decidi que agora, ao invés de simplesmente fotografar alguns frequentadores escolhidos na noite e fazer algumas perguntinhas, o negócio seria diferente. Agora a seção se chama "Becólatras Deluxe" e vai ser sempre um ensaio produzido (mas bem real) com a galera escolhida. Esse primeiro foi um after que a gente fez depois da festa Preview Electroschok, no Porão do Beco. Eu, o Rafa Rocha e o fotógrafo Dudu Carneiro (meu super amigo e um dos melhores fotógrafos do Sul, que topou clicar a turma toda) escolhemos alguns dos estilosérrimos frequentadores do Beco e os capturamos lá pelas 4 da manhã, levando todos para um apartamento da cidade para rolar um after de verdade. Começou no apê da Camila Mazzini, que trabalha no Beco, e continuou (indo até as oito e meia da manhã) aqui em casa. Foi incrível, loucura total e tudo registrado. Vocês vão ver o resultado na Revista que sai lá pelo dia 12. Aqui vão algumas fotos do making of...
Aqui no site eu nunca posto meus contos, então só conhece a minha ficção quem leu meu livro "Verdades & Mentiras" ou algumas das coletâneas das quais participei.
Tem um site muito legal chamado 3:AM Magazine que publicou um novo conto meu. Para quem se interessar é só entrar ali no www.3ammagazine.com/brasil
Esse site é originalmente da Inglaterra ( www.3ammagazine.com ) e está no ar há mais de sete anos. A versão brasileira estreou há pouco mais de um ano e é igualmente interessante, editado pela Jana Lauxen que é uma querida.
Volta e meia releio alguns trechos dos meus próprios livros, o que me faz muito bem. Essa sensação boa vem da constatação que, embora eu saiba que o tempo naturalmente mudou algumas coisas em mim, as minhas idéias principais (tipo ideais de vida) seguem os mesmos.
Agora, por exemplo, estava dando uma lida no meu primeiro livro e achei uma citação linda da Katherine Mansfield que, apesar de eu ter citado naquela época, ainda tem absolutamente tudo a ver comigo hoje:
“ (...) viver uma vida plena, adulta, viva, de fôlego, em contato íntimo com o que eu amo – a terra e suas maravilhas, o mar, o sol. Tudo a que nos referimos quando falamos do mundo externo. Quero entrar nele, fazer parte dele, viver nele, aprender com ele, perder tudo o que em mim é superficial e adquirido e tornar-me um ser humano direto e consciente. Quero, compreendendo a mim mesma, compreender os outros. Quero ser tudo o que sou capaz de me tornar, para que possa ser (e aqui parei e esperei, mas não adianta – só há uma expressão possível) uma filha do sol. Sobre ajudar os outros, carregar uma luz e assim por diante, parece falso dizer qualquer palavra. Fiquemos com essa então, ‘uma filha do sol’. Depois, quero trabalhar. Em quê? Quero viver de modo a trabalhar com as mãos e com o cérebro. Quero um jardim, uma pequena casa, grama, animais, livros, quadros, música. E, a partir disso tudo, para exprimi-lo, quero escrever. Mas uma vida quente, ávida, viva – enraizada na vida – para aprender, desejar, saber, sentir, pensar, agir. É o que desejo. Nada menos. É o que tenho que tentar.”
Ando um pouco cansada de certas coisas, fato que se deve - acho eu - a uma recente lucidez excessiva. Parece que o mundo, de repente, ficou mais claro diante dos meus olhos. E nessa nova visão, eu percebo que tem muita gente chata nesse mundo. E essa percepção me cansa. Hoje não tenho mais paciência para fingir simpatia para gente falsa, invejosa ou gente problemática demais (que deixa seus problemas afetarem minha vida de forma negativa). Estou em uma fase da minha vida em que simplesmente não aguento mais certas energias - e faço questão de deixar bem claro. Coisas da idade. É o tipo de maturidade que eu me orgulho de ter conquistado. Lembro de um trecho fantástico de um livro da Fernanda Young que exprime exatamente o que eu estou querendo dizer:
“Hoje, mudada, quero fazer como os bebês fazem: mostrar as gengivas só para o que me for agradável. Guardar as lágrimas para o que me for tragédia ou por demais bonito. E ficar com qualquer outra cara em posição de descanso, qualquer expressão insípida, menos com aquele sorriso de antes, de sensatez estudada.”
Engraçado isso. Comecei na brincadeira essa coisa de tocar em festas (porque música e noite fazem muito parte da minha vida e convivem pacificamente com a escrita, minha ocupação principal)... e não é que eu tenho tocado bastante até?
Amanhã, às 19 horas, eu e o Fredi estaremos discotecando no restaurante Peppo, no Ora Felice, um evento bem legal que a Laura Shirmer tem organizado por lá.
Amanhã também, porém mais tarde (lá pela meia noite) vai rolar a festa Make Up (flyer acima), no Cabaret do Beco e eu vou tocar - sozinha, pois a festa só terá mulheres no som. Apareçam, vai estar incrível!
Centro da cidade, gravação do clipe da Comunidade Nin-jitsu, da música "Mais Pressão". Foi uma das coisas mais engraçadas dos últimos tempos. O roteiro é completamente louco e eu participava de uma das historinhas que compõe o clipe: fiz o papel de uma prostituta que se metia em uma briga com um travesti! Olhem a foto tirada durante a gravação. Não estou ótima de puta pobre? Haha
A direção do clipe é do Cris Trein, que é um super amigo meu e um diretor muito foda. Quando estiver tudo pronto mostro aqui.
Hoje (quinta) tem MAXIMIZE no Cabaret do Beco! Apareçam lá, eu vou tocar. Eu, o Fredi, o Rafa Rocha e o Edu K. As duas últimas edições foram louquérrimas, tudo indica que essa também vai ser. Imperdível.
Falei da Carla Bruni e me lembrei de uma outra música dela que eu amo. A letra tem TUDO a ver comigo.
Olha só:
L' EXCESSIVE
Je n'ai pas d'excuse,
C'est inexplicable,
Même inexorable,
C'est pas pour l'extase, c'est que l'existence,
Sans un peu d'extrême, est inacceptable,
Je suis excessive,
J'aime quand ça désaxe,
Quand tout accélère,
Moi je reste relaxe
Je suis excessive,
Quand tout explose,
Quand la vie s'exhibe,
C'est une transe exquise
Y'en a que ça excède, d'autres que ça vexe,
Y'en a qui exigent que je revienne dans l'axe,
Y'en a qui s'exclament que c'est un complexe,
Y'en a qui s'excitent avec tous ces "X" dans le texte
Je suis excessive,
J'aime quand ça désaxe,
Quand tout accélère,
Moi je reste relaxe
Je suis excessive,
Quand tout explose,
Quand la vie s'exhibe,
C'est une transe exquise, (ouais).
Je suis excessive,
J'aime quand ça désaxe,
Quand tout exagère,
Moi je reste relaxe
Je suis excessive,
Excessivement gaie, excessivement triste,
C'est là que j'existe.
pas d'excuse ! Pas d'excuse !
Sou super fã de mulheres bonitas E talentosas E inteligentes. Ressalto este “e” porque, no mundo em que vivemos, às vezes ele soa como afronta. Parece um despautério para certas pessoas o fato de uma mulher ser bonita (e usar sua beleza e sensualidade feminina sem culpa), ser inteligente e talentosa ao mesmo tempo. A culpa, claro, é do item beleza. Porque pode-se ter milhares de atributos empilhados em um mesmo ser e ninguém vê problema nisso, mas quando entra a beleza na jogada a coisa complica. Por isso uma das frases que vivo citando é aquela do Bernard Shaw, “a beleza é subversiva”. Porque a beleza é extremamente subversiva, a beleza incomoda. Tem em si uma força muito poderosa que a deixa em uma linha tênue entre o positivo e o negativo.
Comecei falando desse assunto porque queria falar da Carla Bruni, que é uma das mulheres bonitas e talentosas e etc,etc,etc. que admiro. Acho ela incrível. É linda e não sente culpa por isso, é bem sucedida, tem um casamento legal com um cara interessante (o presidente da França!), é uma ótima cantora, uma compositora super sensível e criativa...enfim, é daquelas pessoas que as outras olham e logo dizem “ela tem tudo!” e logo emendam um “filha da puta!”. Sim, porque deve ter algo errado com alguém que tem tudo “E” ainda é bonita, não é assim que as mulheres pensam? Pois felizmente minha reação nunca é essa: vibro com a realização das outras e quando vejo mulheres assim sinto vontade de aplaudir de pé.
Mas esse post não é para ser sobre a Carla Bruni (eu é que me empolguei na introdução), mas sim sobre um trecho de uma música dela que eu amo, “Raphäel”. Essa canção ela escreveu para o Raphäel, um homem que ela namorou (detalhe: ele era filho de um outro namorado dela. Ela o conheceu e acabou trocando o pai pelo filho). Ali ela descreve o amor deles, um amor intenso mas leve, sem o peso da eternidade que geralmente colocamos nele. Lá pelas tantas ela canta assim: “Pas d'inquiétude/ pas de prélude / pas de promesse à l'éternel”. Fiquei pensando muito nesse trecho e imaginando um amor que não tenha inquietude e promessas ao eterno – será que uma paixão consegue ser de fato assim tão leve e ainda ser intensa ao mesmo tempo? Certamente seria mais fácil. Me lembrei de quando a Clarice Lispector entrevistou o Vinícius de Moraes e perguntou qual seria seu ideal de felicidade. E ele disse: “A calma no seio da paixão”. Sim, o poeta que vivia apaixonado, sabia o quanto isso é um ideal, algo quase utópico, pois o amor intenso é inimigo da calma. Quem ama vive na corda bamba entre o peso e a leveza, como bem sabe o Milan Kundera que escreveu um livro inteiro sobre isso.
Meu site está meio confuso hoje porque a galera que está colocando a ferramenta dos "comentários" (que não tinha antes), está ajustando os últimos detalhes. Então está rolando umas coisas estranhas.
Daqui a pouco, vai estar tudo certo e finalmente vocês poderão comentar à vontade.
Nessa sexta, da 22 à 1, eu e o Fredi estaremos tocando juntos no bar Aquavit (Rua da República, 552 - Cidade Baixa). Vai ser uma festa bem legal da Miolo, que estará lançando novos drinks.
Apareçam lá! O lugar é lindo, mais para bar do que para club, comidinhas e bebidas ótimas.
Odeio carnaval. Odeio essa alegria autorizada, hora marcada para se divertir. E odeio o tratamento que a mídia SEMPRE dá para o assunto, usando insistentemente termos irritantes como "folia", "os foliões" e coisas do tipo.
Nada contra quem gosta, mas eu estou bem feliz aqui no ar condicionado do meu apartamento em meio a essa cidade completamente vazia e portanto com uma energia bem menos opressora.
Fiquei chocada com o fato de "Revolutionary Road" (que recebeu o ridículo título em português de "Foi Apenas um Sonho") não ter sido indicado para os principais prêmios do Oscar. A atuação da Kate Winslet foi uma das coisas mais aterradoras que vi nos últimos tempos, muito muito boa. Ok, ela ganhou o Globo de Ouro e hoje ganhou Oscar pelo outro filme que fez, "O Leitor". Mas como não foi indicada ao Oscar por "Revolutionary Road" eu não entendo. O Leonardo Di Caprio foi outro injustiçado. Estava fantástico no papel, muito melhor do que o Brad Pitt em "O Curioso Caso de Benjamin Button". E o Sam Mendes, como não foi indicado ao prêmio de melhor diretor, com aquela direção tão sensível, tão precisa, tão não-clichê?
O filme é tão genial, com roteiro, direção e atuações tão precisas, que se eu contar a história não vou conseguir chegar nem perto da intensidade que ele passa. Depois faço uma análise com mais calma, mas por enquanto só digo uma coisa: corram para o cinema e vejam.
"O Leitor" também é um filme muito bom e a Kate Winslet, de novo, está fantástica no papel.
A história é a seguinte: um adolescente tem um caso com uma mulher mais velha, uma humilde e fria cobradora de ônibus. Ele se apaixona, mas um dia, sem que ele saiba o porquê, ela some. Anos depois ele, como um estudante de direito, a encontra (ela, o amor de sua vida) num tribunal, sendo acusada de crimes nazistas. Tem toda uma parte bonita do amor deles, ele lia livros para ela e depois, quando ela é presa ele manda fitas com leituras para a prisão, etc, etc. Mas teve uma outra questão que me chamou atenção: Durante o julgamento, em seu depoimento, ela mostra uma mediocridade absurda. Não era maldade, nem frieza, era a ignorância de quem apenas tinha cumprido ordens. E ali uma personagem intrigante surge e dá o tom de uma das várias reflexões filosóficas que o filme inspira, principalmente no que diz respeito à culpa.
Isso me fez lembrar de um livro da filósofa Hanna Arendt, chamado "Eischmann em Jerusalém - Um Relato Sobre a Banalidade do Mal". Nesse livro ela relata de forma jornalística e analisa filosoficamente o julgamento do carrasco nazista Adolf Eishmann, no que foi o maior julgamento nazista depois do tribunal de Nuremberg. E o que ela relata é justamente isso: todos esperavam ver um monstro, a face do mal, mas o que viram ali foi um idiota, um funcionário mediano, sem a mínima capacidade intelectual para refletir sobre seus atos hediondos, incapaz de fugir dos clichês burocráticos - o que não tira a culpa de ninguém, mas faz pensar. E é então que ela questiona a banalidade do mal derivada dessa burocratização da sociedade e sua capacidade destrutiva.
Mesmo vendo o holocausto como algo distante, basta olharmos para as guerras de hoje para entendermos o conceito. Mais do mesmo: Soldados cumprindo ordens, a maioria sem a mínima capacidade crítica. Eles não estão ali matando e aterrorizando civis por uma "causa", eles estão cumprindo ordens. Simples assim. Burro e banal assim. E dessa forma horrível se constrói a assustadora banalidade do mal sobre a qual Hanna Arendt escreve.
Vale a pena ver "O Leitor".
E também vale a pena ler esse livro da Hanna Arendt.
Como eu tinha prometido, aqui está um dos vídeos que fiz na exposição do Jonathan Meese em Londres.
"Casinoz Babymetabolism (Put Dr. No's Money in Your Mouth, Baby)". Esse é o louco nome.
19/02/2009 18:30:00
Viena
Acordei em Viena de ressaca, gripada e quase sem voz, tudo para ficar com o pior humor do mundo. Mas como ficar irritada quando se abre a janela do hotel e se vê isso?
19/02/2009 17:15:00
Munique
Noite em Munique com Fredi, Joyce, DJ Beware e os queridos gêmeos alemães Tom e Tim.
19/02/2009 16:20:00
+ Lisboa
19/02/2009 13:43:00
Lisboa e o Fado
(Eu e o Fredi no Baiuca, em Lisboa. Reparem nos meus olhos cheios de lágrimas pela minha emoção com o fado. E não reparem nas unhas com esmalte descascado. haha)
Uma das experiências mais lindas que tive em Lisboa foi ter ido a um pequeno lugar de fado vadio chamado Baiuca. Fado vadio, na definição dos portugueses, é o fado que pode ser cantado por qualquer um. Então o pessoal que canta não está lá por obrigação, mas porque quer. Fui nesse restaurante porque fiquei sabendo que não era um lugar turístico, mas sim um local onde os portugueses mesmo iam para comer bem e ouvir um bom fado, inclusive os fadistas profissionais de outros lugares iam lá depois de cantar nos locais onde eram contratados e sempre acabavam dando uma canja.
Me senti inserida em uma fábula, tudo parecia muito perfeito e irreal. Lindo, lindo, lindo. Vontade de ficar lá para sempre. Ambiente super familiar, bem pequeno com apenas quatro grandes mesas nas quais desconhecidos sentavam juntos sem o menor constrangimento. A dona cantava, a filha da dona (que atende as mesas) cantava, até a cozinheira lá pelas tantas sai da cozinha e canta - e todos cantando MUITO bem.
Descobri que fado é uma das música que mais me emocionam. Fiquei várias vezes com lágrimas nos olhos com aquela intensidade.
19/02/2009 13:41:00
Fragmentos de Inspiração – parte IV
Jonathan Meese!
Eu já tinha falado aqui no site desse incrível artista alemão em 2007, quando o descobri , por acaso, em uma galeria numa ruazinha de Amsterdam. Me apaixonei. Foi a coisa mais incrível em termos de expressão artística que eu tinha visto nos últimos tempos. Em 2008 descobri que ele tinha sido considerado pela publicação Art Now, da Taschen, como um dos 80 mais importantes artistas contemporâneos e tive o prazer de entrevistar o cara para a Revista do Beco. Eis que nessa minha última ida a Londres (mês passado), compro a Time Out (revista semanal obrigatória como guia para quem quer saber o que está rolando por lá) e descubro simplesmente que ELE, Jonathan Meese, estava expondo lá. Surtei. Lá fui eu de câmera na mão (pois da outra vez não tinha registrado nada) e fiz fotos e vídeos para vocês verem. A exposição de Amsterdam era maior e tinha mais um clima de instalação. Essa, embora menor, era tão louca quanto. Toltalmente pós-tudo. Colagens loucas, imagens de Scarlett Johansson e Hitler jogadas entre camisinhas e vibradores, piração total. Aliás esse é um ponto interessante e toltamente "arte pop pós-moderna" da obra dele: ícones destacados de seu contexto original. Tipo, uma imagem de Hitler em meio aquele caos artístico perde seu sentido original, perde até seu caráter maléfico, vira simplesmente uma imagem à serviço da colorida arte de Jonathan Meese. Uma coisa meio a lata de sopa Campbell do Andy Warhol, entende?
Nos próximos posta coloco o vídeo que fiz na exposição em Londres.
Por enquanto, aqui vai a matéria que fiz para a Revista do Beco depois de falar com ele:
“ O MÉTODO NA LOUCURA DE JONATHAN MEESE
O cara foi considerado pela importante publicação Art Now- Vol 2 um dos melhores artistas da atualidade, foi classsificado pelo crítico Harald Szeemann como precursor da tendência “ new-actionist” ou “confusionist”, ele tira onda de louco, inventa palavras, é mega auto-referente e tem um discurso completamente insano. Nada pode ser mais pós-moderno que ele. Sua arte, super caótica, é a perfeita expressão da sua pessoa (ou do personagem que ele representa). Em suas instalações Jonathan Meese mistura colagens com objetos e pinturas, que sozinhas poderiam remeter a um Basquiat – se não fossem as palavras inventadas e os pôsteres e imagens próprias e os milhares de outros elementos que ele utiliza. E tem também as performances, nas quais incorpora um personagem do qual parece nunca mais sair.
Nasceu em Tokyo, em 70, mas sempre morou na Alemanha. Estudou na Hamburg Art Academy, fez sua primeira aparição na Bienal de Berlim de 1998, na qual ganhou destaque imediato. Fez suas instalações e apresentações em diversos países, sempre dividindo opiniões quanto às suas loucas expressões artísticas. “Estou sempre instintivamente cumprindo minha tarefa pela liderança da arte. Arte não precisa de liberdade humana. A arte é a liberdade em si.”
Pensando sobre ele, a primeira coisa que me veio á mente foi algo dito por Henry Miller em um de seus livros: “Não tenho nenhum respeito pelo artista, por maior que ele seja, que não coloque sua arte em prática na sua vida. Acredito que moral e estética fazem apenas um. Tudo é um. Aí está a simples, total e absoluta beleza da coisa”. Jonathan Meese é sua arte. Arte que ele se nega a classificar ou explicar. Para ele, arte não precisa de contexto nem história. “Arte é poder total, arte é o chefe, arte é a Revolução total e não depende da história humana. Arte é metabolismo. A arte não precisa de inspiração humana, nem emoção humana, nem genialidade”, diz ele. E continua: “A arte é um bebê, na arte os seres humanos são brinquedos.”
Traduzir a entrevista que Jonathan Meese deu para a Revista do Beco é algo quase tão complexo como traduzir um texto de Filosofia, porque são tantos termos exatos e expressões específicas (que tem todo um significado no único & louco universo de Meese, e só nele) que qualquer interpretação que não siga as regras desse tal universo, pode colocar tudo a perder. Em mais de uma resposta ele se refere à “Ditadura da Arte”, a reverenciando com uma solenidade absurda. “Todo ser humano tem que cumprir sua tarefa com a Ditadura da Arte”. E quando pergunto o que ele quer dizer com seu trabalho, ele responde: “A Ditadura da Arte diz: brinque, brinque, brinque, sem rituais e regras”.
Ele se leva a sério? Ele está o tempo todo brincando? Com quem eu falei, com ele ou com um personagem? Não tem como saber. O fato é que a galera que trabalha com o cara entra nesse clima. Um dos últimos emails que recebi nessa função de entrevistá-lo foi do Jan Bauer, fotógrafo e assessor de imprensa dele, dizendo que Doris “a assistente de Jonathan na Revolução” iria me mandar as respostas dele naquele dia. Assistente na Revolução? Então tá. Quem sou eu para questionar? ”
16/02/2009 18:15:00
O Não no Sim
Estava no avião, rumo a Portugal, revendo “Vicky, Cristina, Barcelona” (novo filme do Woody Allen) e o absorvendo de forma diferente da primeira vez. Fico mais sensível quando estou no ar – talvez porque tenho muito medo de avião e uma criatividade infinita para imaginar acidentes e por isso, me sentindo mais perto da morte, meus sentidos ficam mais aguçados.
Duas frases não saíram da minha cabeça. Uma delas foi dita pelo interessante personagem de Javier Bardem, o pintor boêmio: “Acima de tudo, sempre afirmei a vida.” Me identifiquei completamente.
Tudo em mim sempre afirmou a vida, desde o SIM que tenho tatuado no pulso até minha monografia feita quando me formei em Filosofia, que chocou a PUC (uma universidade católica, como todos sabem), pois tinha como tema “A moral cristã como negação de vida e a sexualidade como afirmação de vida”. Nietzscheana que sou, "só acreditaria em um deus que soubesse dançar". Sempre celebrei a leveza, mesmo que insustentável. Sempre me livrei de qualquer tipo de moral que limitasse o meu SIM.
Outra frase interessante é dita no final do filme, pelo narrador em off quando fala que Cristina, a livre e insatisfeita personagem de Scarlett Johansson, andava pela vida sem saber o que queria, mas sabendo muito bem o que não queria. Frase simples e aparentemente óbvia, mas que ali, na escuridão do voo, me veio como o maior dos insights. Para que se chegue a afirmar a vida, tem que se estar muito ciente do que não se quer. E me dei conta de que, quanto mais o tempo passa, mais claras vão ficando essas negações. Percebi que no alto dos meus 29 anos recém feitos, eu sabia MUITO bem o que não queria. E isso é uma conquista, sentir-se dona de sua vida e poder dizer: não gosto disso, não quero, não vou fazer. O insight, na verdade, foi a junção das duas frases aparentemente tão diferentes - a afirmação do eu se dá, muitas vezes, através de algumas negações.
Aliás, coincidentemente ou não, esses dias troquei a frase da parede da minha casa. Por cinco anos eu tinha estampado nela o seguinte trecho de On The Road, do Jack Kerouac: “As únicas pessoas que me interessam são as loucas, aquelas que são loucas por viver, loucas por falar, loucas por serem salvas. As que desejam tudo ao mesmo tempo. As que nunca bocejam ou dizem algo desinteressante, mas que brilham como luminosos fogos de artifício cruzando o céu.” Palavras lindas, mas que esgotaram seu tempo por aqui. Troquei o trecho por uma única frase, do filósofo Deleuze: “Não perturbe o tornar-se”. Observem que a primeira é extremamente afirmativa enquanto a segunda começa com um imperativo “Não perturbe..”.
Percebi isso agora, enquanto escrevia esse texto. Essa é a minha afirmação atual, que vem através dessa bela negação. Porque tudo o que eu quero é que ninguém perturbe o meu “tornar-se.”
11/02/2009 21:34:00
Na próxima segunda
Cheguei de viagem!
Depois conto tudo e posto fotos. além de Portugal ainda teve Londres, Munique e Viena.
Mas antes quero avisar: nessa segunda, dia 9, estarei participando de um bate-papo na Livraria Saraiva do Praia de Belas. Eu e a Ana Mariano, minha amiga querida e ótima poeta. Vai ser às 19:00.
ESPERO TODOS VOCÊS LÁ!
Adoro ter contato por email com meus leitores, ao vivo acho melhor ainda, então vou adorar se vocês aparecerem :)
04/02/2009 17:20:00
A comida em Portugal...
é incrível! Comi muito bacalhau e comecei a gostar de polvo!
22/01/2009 19:38:00
Porto
A cada ano que passa a vida vai me mostrando que – não há como fugir disso – eu sou um pessoa que nasceu para ir. Descontextualizada, "desenraizada", eu me encontro, me redescrubo e afirmo a minha essência. Fico até mais bonita durante as viagens. Minha pele, meu olhar, tudo parece me agradecer por estar me proporcionando esse vôo para minha alma. O que também tem a ver com a ausência de preocupações que vem junto com esse afastamento da cidade onde moro. Não importa a cidade, não importa a profissão, o lugar onde moramos sempre nos será mas estressante do que os outros. É o peso inevitável das raízes, dos mesmos olhares de sempre sobre nós, das obrigações que, mesmo quando não existem, parecem pairar sobre nossas cabeças de maneira opressora em forma de culpa.
Enfim, estou bem longe disso.
Há três dias na Cidade do Porto,em Portugal, bem hospedada na Rua da Meditação (já viu nome mais lúdico para uma rua?) . Cidade lindinha, as pessoas mais simpáticas que eu já vi na vida. Tudo é muito parecido com o Brasil, isso foi uma das coisas que mais me impressionou. As padarias são iguais (em que outro lugar do mundo, fora o Brasil, encontramos também aqueles salgados e risolis no balcão?), a energia das pessoas, o jeito que elas se vestem. Todos sabem muito sobre nosso país e adoram.
Lá eu conheci um dos lugares mais interessantes, culturalmente falando, que já vi na vida: a Casa de Música.
É um projeto totalmente bancado pelo governo, uma construção mega futurista e linda com várias salas incríveis para diferentes tipos de concertos e shows.
Me fez pensar na dificuldade que é fazer cultura no Brasil, pensei no Multipalco de Porto alegre, projeto incrível parado por falta de financiamento. Entre mil semelhanças, essa é a principal diferença entre nós e os portugues: eles, como bons europeus, sabem o valor da cultura. E isso, faz TODA a diferença.
Agora estou no trem indo de Porto para Lisboa, olha só:
(foi filmado em sépia porque tinha tudo a ver com o momento, aliás essa cor tem tudo a ver com Portugal.)
22/01/2009 19:24:00
Woody Allen, etc.
Que saudade de escrever aqui! Faz tempo, né?
Minha vida no final do ano se tornou uma correria louca. Tive que ir várias vezes para SP e, no meio das viagens, editar a segunda edição da Revista do Beco (by the way, se você não acharam a segunda edição por aí, baixem em pdf aqui: http://www.beco203.com.br/views/revista.php). Fui para Punta no Natal e, logo depois, eu e o Fredi tivemos que voltar porque ele tinha que fazer show. Pós show, voltamos para Punta direto. Ou seja, correria até na época de festas. Agora vamos para a Europa, passar uns 15 dias. Finalmente descansar? Difícil. Embora essa seja uma das minhas grandes metas para 2009 - DESACELERAR! - ainda não vai ser dessa vez. Mas em fevereiro quero estabelecer uma organização. Se não rolar a tal organização almejada, pelo menos um pouco de calma para conseguir finalmente acabar meu livro, que foi devidamente gestado por todo 2008, precisando nascer de qualquer maneira em 2009. Então, mês que vem vou estabelecer horários, botar em ordem todos os papéis e caderninhos com anotações e partes já escritas de forma que consiga finalizar o todo. Também quero me afundar de novo na yôga, malhar mais, caminhar mais, dormir mais (isso é o mais difícil) e beber menos. Tirar um pouco o pé da jaca e botar no freio, sabe. Mesmo que temporariamente. Porque preciso de organização externa para adquirir uma ordem interna. Enfim, início de ano comigo é assim, planos, planos, planos. Mas sabe que geralmente eu realizo? Sério, realizo mesmo. Mas a parte mais legal é a dos planos, adoro planejar.
Mas, no meio da tal correria de fim/início de ano, um dos meus prazeres foi ler muito, uma média de um livro por semana. Li "Cordilheira", do Daniel Galera, "A segunda vez que te conheci", do Marcelo Rubens Paiva, "Minha vida de stripper", da Diablo Cody (vencedora do Oscar por "Juno" , contando sobre seus tempos de stripper) e estou lendo "Conversas com Woody Allen" - uma série de entrevistas com o cineasta - que é absurdamente fantástico. Eu, sendo escritora, deliro com os comentários dele sobre o processo de criação de seus filmes. Me identifiquei com mil coisas, a cada resposta ia achando ele mais genial e, óbvio, fiquei louca para ver os filmes dele que não vi e rever os que já vi. De admiradora do cara, virei fanática.
Então fui na Cultura e comprei uma caixa com parte de sua obra, que inclui “Manhattan”, Noivo “Neurótico Noiva Nervosa” e “A Última Noite de Boris Grushenko”, três que, para mim, estão entre seus melhores filmes (ou outros melhores são “Match Point” e “Vicky, Cristina Barcelona”). Decidi que, aos poucos, vou comprar toda a coleção. Não sou de fazer isso, mas esse é um cara que merece minha reverência.
Agora estou aqui, ouvindo Russian Red (a vocalista é uma menina tipo Mallu Magalhães, só que da Espanha) enquanto escrevo. Uma versão bonitinha e melancólica de "Girls Just Wanna Have Fun". Depois vou seguir na minha fase Woody Allen e ver "Tudo o que você quis saber sobre sexo mas tinha medo de perguntar", outro dvd da tal caixa que comprei. Tudo isso embaixo do edredom, com o ar condicionado no máximo. Já disse que adoro simular um inverno no verão? Pois é, adoro. Mas isso é papo para um outro post.
12/01/2009 23:45:00
Making of...
...de um ensaio que fiz em SP para uma marca muito legal. Clima rock total. Quando der, eu conto o que é.
15/12/2008 16:45:00
Revista do Beco #2
Amanhã tem festa no Porão do Beco para comemorar a segunda edição da Revista do Beco! Espero vocês todo lá. Vai estar incrível. E a Revista está muito legal também, depois conto mais detalhes aqui.
05/12/2008 23:07:00
Fragmentos de Inspiração - parte III
Olha o auge da insônia: são oito e meia da manhã e eu estou acordada AINDA.
Bom, já que entrei aqui vou postar mais um dos meus meus fragmentos de inspiração.
A música "Siren", da Tori Amos. Ouvi a primeira vez num filme que eu amo, "Great Expectations", do Alfonso Cuarón. Dá vontade de amar, de gritar, de criar, de transbordar.
Olha só que incrível ela bem louca, de cabelo laranja cantando e tocando "Siren" nesse vídeo.
02/12/2008 08:32:00
Eu e o Céu
Ontem, voltando de viagem, fiquei vendo o dia amanhecer pela janela do ônibus. Fiquei ouvindo lindas músicas no iPod e olhando o céu o tempo todo, o tempo todo mesmo, coisa que eu nunca faço. Estava quase chegando e vi um arco-íris. Foi tão poético que eu enchi os olhos de lágrimas. Foi como uma recompensa por eu ter me permitido parar e olhar para o céu. Me dei conta de que definitivamente não estou acostumada a fazer isso - saio de casa para o carro, do carro para qualquer outro lugar que eu vá, tudo muito automático, tudo muito urbano e frenético. A minha emoção com o arco-íris só prova o que eu venho dizendo muito ultimamente: preciso ter mais contato com a a natureza. Aliás venho recrutando amigos para um belo piquenique num lugar que tenha cachoeira. Vocês acreditam que eu nunca estive em uma cachoeira na minha vida? Péssimo, né? Mega urbana, que medo. Mas isso vai mudar...
30/11/2008 23:44:00
Hey Mrs Dj!
Eu tocando ontem na Lipstick Party, que rolou no Quartier Latin. Festa mega divertida, só com djs mulheres. Se liguem na música, que eu adoro: é "I Like to Move in Here" (do Moby, remix dos Crookers)
28/11/2008 22:27:00
Fragmentos de Inspiração - parte II
“Vivemos nossas vidas, fazemos nossas coisas, depois dormimos – é simples assim, comum assim. Alguns se atiram da janela, outros se afogam, tomam pílulas, muitos mais morrem em algum acidente; e a maioria de nós, a grande maioria, é devorada por alguma doença ou, quando temos sorte, pelo tempo. Existe apenas isso como consolo: uma hora, em um momento ou outro, quando, apesar dos pesares todos, a vida parece explodir e nos dar tudo o que que havíamos imaginado, ainda que qualquer um, exceto as crianças (e talvez até elas), saiba que a essa seguirão inevitavelmente muitas outras horas, bem mais penosas e difíceis.Mesmo assim, gostamos da cidade, da manhã, e torcemos, como não fazemos por nenhuma outra coisa, para que haja mais.”
(Michael Cunningham, “As Horas”)
Essa citação é de um livro que eu amo, escrito por um cara que eu acho incrível, o Michael Cunningham (que também escreveu um dos meus livros preferidos, "Uma Casa no Fim do Mundo"). Esse livro, "As Horas", deu origem a um filme, também lindíssimo, que tem uma trilha original mais linda ainda, composta pelo Philip Glass. Parte da trilha está aqui nesse vídeo. A Branka Parlic tocando "The Hours". É de se virar do avesso.
20/11/2008 12:11:00
Fragmentos de Inspiração - parte I
Cena do filme "Beleza Americana". Linda. Frequentemente sinto essa beleza aterradora das coisas ao meu redor - and sometimes I also feel that I can´t take it.
20/11/2008 03:22:00
Inhale. Exale.
Sempre que me perguntam (seja um amigo ou alguém que esteja me entrevistando) “de onde vem minha inspiração”, tantas coisas me vêm na cabeça que eu acabo, muitas vezes, dando uma resposta vaga, meio clichê, porque simplesmente é muito difícil explicar em palavras o profundo (talvez simples, mas difícil de exteriorizar) processo da minha inspiração - sinto e absorvo muito tudo ao meu redor e não passo incólume por nada.
Então resolvi postar aqui o universo de coisas que me inspiraram e me inspiram. São cenas de filmes, músicas, trechos de livros, pensamentos meus e dos outros, fotos, imagens, pessoas. Talvez, dessa forma não limitada, eu consiga responder essa pergunta.
Mas obviamente, para não cansar vocês com tanta informação, farei isso por partes, começando no próximo post...
20/11/2008 03:19:00
"Describe the sky to me..."
Essa é a música mais linda que eu ouvi nos últimos tempos. "Green Grass" (que é do Tom Waits), cantada pela Cibelle. Estou que nem criança, boto no repeat e quase morro ouvindo. Ouçam bem a letra, que é lindíssima.
Green Grass
Lay your head where my heart used to be
Hold the earth above me
Lay down in the green grass
Remember when you loved me
Come closer don't be shy
Stand beneath a rainy sky
The moon is over the rise
Think of me as a train goes by
Clear the thistles and brambles
Whistle 'Didn't He Ramble'
Now there's a bubble of me
And it's floating in thee
Stand in the shade of me
Things are now made of me
The weather vane will say...
It smells like rain today
God took the stars and he tossed 'em
Can't tell the birds from the blossoms
You'll never be free of me
He'll make a tree from me
Don't say good bye to me
Describe the sky to me
And if the sky falls, mark my words
We'll catch mocking birds
Lay your head where my heart used to be
Hold the earth above me
Lay down in the green grass
Remember when you loved me
16/11/2008 21:40:00
A gang dos Jovens Escritores
Vai rolar nesse sábado, às 19 horas, na Ducha das Letras (na Feira do Livro) o Encontro de Jovens Escritores, um debate do qual vou participar junto com o Carlos Augusto Pessoa de Brum, o Olavo Amaral, Antônio Xerxenesky, Rafael Bán Jacobsen e a Larissa Martins. A mediação vai ser do Juremir Machado da Silva. Nas últimas semanas acabei encontrando muito essa galera que vai participar comigo devido a entrevistas que demos (ZH e Correio) e o sarau que fiz no Beco, do qual todos particparam. Eles são uns amores e o Juremir é incrível, não tem como não ser legal.
Nós aparecemos todos juntos na capa do Kzuka na sexta, a matéria era sobre a nova literatura, foi feita pela Júlia Dócolas, ficou ótima. Eu queria postar aqui mas acabei esquecendo de scanear. Agora não dá mais porque estou em SP e só volto para o debate no sábado.
Espero todos vocês lá!
13/11/2008 02:27:00
Imperdível
Apareçam! Vai ser um sarau bem louco e improvável que a Revista do Beco e o Jornal Vaia estão organizando juntos. No Porão do Beco, das 20:00 às 23:00, R$ 5,00
Vou participar mediando o debate e talvez lendo algum conto meu.
PORÃO DA PALAVRA {sarau eletro-acústico}
Nova festa para celebrar a literatura. A festa da palavra, a balada verbal. O verbo multiplicado, em transe, em trânsito, transformado e misturado, em transa com outras artes. O improviso, o diálogo e a aglutinação de expressões artísticas. O happening, o grito e o encontro das linguagens.
Porão da Palavra é a expressão de várias ações artísticas em um mesmo palco. Poetas falando música. Músicos falando poesia. Fotógrafos dizendo poemas. Cartunistas poetizando histórias. Cineastas pintando o verbo. Djs desenhando versos. Música, cinema, teatro, artes plásticas e literatura - tudo para festejar a palavra.
Olha a galera que vai particpar com leituras e/ou música:
Antônio Xerxenesky
Rodrigo Rosp
Cris Cubas
Sidnei Schneider
Ricardo Silvestrin
Leo Felipe
Miró
Valmir Jordão
Marcio Paschoal
Lúcia Santos
Carol Teixeira
Cardoso
Everton Behenck
Laurene Veras
Marcatti
Marcelino Freire
Carpinejar
Ettiene Blanchard
Bier
Leandro Dóro
Rafael Ferrari & Moyses Lopes
Alexandre Florez & 2x4
Carlos Augusto Pessoa de Brum
E tem também o debate.
Tema: Literatura e Conexões
Gustavo Spolidoro
Jimi Joe
Marcatti
Olavo Amaral
Paulo Scott
Rodrigo Rosa
08/11/2008 02:50:00
Carol & Fredi
1. Tá rolando na MTV-RS o "Família MTV" com o Fredi. Se liguem na MTV ou dêem uma olhada nesse link
http://mtvrs.uol.com.br/ , dá para ver a edição de 15 minutos completa da semana. Eles filmaram mil coisas da nossa vida, inclusive o mitológico Jantar Mexicano, que já anda virando lenda em Porto Alegre :)
2.Fizemos um ensaio há um tempo atrás para o site do fotógrafo Tiago Trindade e eu me esqueci de dizer. Aqui vai o link: http://www.tiagotrindade.com/index.php?url=/perfis
3. Foi oficialmente lançado o cd da Comunidade Nin-Jitsu, "Atividade na Laje". Tem duas letras em parceria comigo: "Funk Filosofal", que é uma mega arriação na Filosofia, e "Ela tá Pagando Mico", que é uma letra que critica de forma muito debochada as mulheres que engravidam tentando segurar o homem.
A idéia para essa última surgiu quando eu e o Fredi estávamos descendo do avião em Copenhagen (que chique, hein) e falando sobre esse assunto, sobre como tinha esse tipo específico de golpista que engravidava tentando segurar o homem, não necessariamente por dinheiro (conhecemos muuuitos casos próximos). Daí a letra surgiu já enquanto esperávamos as malas na esteira - e eu com meu caderninho de idéias na mão, anotando tudo. O resultado foi engraçado e está lá no disco.
30/10/2008 13:50:00
Ai,ai...
Still awake.
30/10/2008 04:10:00
104 que Contam
Já está nas livrarias a coletânea "104 que contam", organizada pelo Charles Kiefer. Eu participei com um conto inédito. Comprem! :)
23/10/2008 23:09:00
De Onde Vem a Calma
O personagem do Nick Hornby em “Alta Fidelidade” era viciado em dividir as coisas do mundo em listas tipo top five. Pois eu tenho uma mania tão estranha quanto: vivo mentalmente dividindo as pessoas em dois grupos. Daí saiu uma louca crônica no meu último livro, “Verdades & Mentiras”, na qual eu comparo as pessoas com Ipods, dizendo que para mim o mundo é dividido entre as que são nano e as que são shuffle.
Também faço essas divisões em grupos mais restritos, como o dos músicos por exemplo. Para mim existem dois tipos de músicos: os músicos-performáticos e os músicos-escritores. Os primeiros são aqueles músicos “de palco”, que se sentem bem tendo que animar uma multidão, que não fazem esforço para entreter. Os segundos, os músicos-escritores, são os que criam para dentro, que trabalham com o silêncio, que criam de forma introspectiva como quem acha a calma em meio ao caos. Como os escritores. Como eu. Foi nisso que pensei enquanto lia uma entrevista do Marcelo Camelo e entendia perfeitamente quando ele dizia que o fim do Los Hermanos trouxe um certo alívio de não ter mais que passar por aquela “transformação” que uma banda de rock exige, aquela obrigação de ser o “porta-voz da alegria desmedida” toda noite. Ele disse isso para explicar porque sentia-se mais confortável fazendo a música que faz hoje, mais calma e mais lenta, mais próxima de quem ele é em casa, nos momentos em que compõe, quando está mais distraído de si mesmo e mais “em contato com o todo”.
O Camelo é um músico-escritor. Por isso me identifiquei muito com o que ele disse e, depois, vendo o belo show que ele fez no Bourbon Country, tão leve, tão poético e intimista, me dei conta de que eu também estava precisando me apegar mais nesses momentos em que estou mais distraída de mim mesma e mais em contato com o todo. Entendi muito o que ele quis dizer com aquilo. Não é preciso fazer parte de uma banda de rock e estar num palco para sentir essa obrigação, que muitas vezes vem de dentro, de ser o porta-voz da alegria desmedida. Muitas vezes já me senti tendo que passar por uma espécie semelhante de “transformação”. Todos nós sentimos.
Precisamos aprender que às vezes é bom e necessário ficar num estado neutro, meio que em suspensão, aceitar a neutralidade que a vida nos mostra em alguns momentos, sem ficar insistindo nas fortes emoções e euforias. Principalmente para os escritores (e os músicos-escritores), que tem a contemplação como grande ferramenta de criação. E quando falo em contemplação, me refiro àquela ilha no tempo, àquele silêncio tão difícil de encontrar ou de aceitar no mundo de hoje. Eu mesma, quando vejo, sou atropelada pela minha própria hiperatividade e tropeço nesses silenciosos momentos sem aproveitá-los.
E, depois do show, depois de ver aquela calma encontrada pelo Camelo, foi isso que eu percebi, que estou precisando de mais momentos contemplativos que possibilitem a criação e mesmo a melancolia, outra ferramenta essencial para mim. Porque é necessário também parar – se a gente roda o tempo todo junto com o furacão não consegue vê-lo de longe e enxergar sua forma. E como Sócrates disse e eu vivo repetindo, “a vida não examinada não vale a pena ser vivida”. É preciso viver, mas é preciso entender e ter tempo para observar.
Esses dias, uma querida leitora estudante de jornalismo me entrevistou e, nas perguntas finais, me pediu para citar um “entre-sentimento” meu. Para quem não leu meu primeiro livro, no qual eu falo disso, explico aqui essa expressão que eu inventei e adoro usar: entre-sentimentos são aquelas sensações que, por não terem nome, são ignoradas. As coisas que existem entre o amor e a amizade, entre o ódio e admiração, enfim, essas entrelinhas das emoções, que não são nomeadas mas existem. Então, voltando à entrevista, ela me perguntou sobre um entre-sentimento meu e eu pensei, pensei e disse um que eu adoro. “Algo entre a melancolia e a sensação de plenitude”, eu respondi.
O que resume mais ou menos o que eu quis dizer com todas as palavras acima.
21/10/2008 23:37:00
Strawberry fields forever
"Abriu os dedos. Absolutamente calmo, absolutamente claro, absolutamente só enquanto considerava atento, observando os canteiros de cimento: será possível plantar morangos aqui? Ou se não aqui, procurar algum lugar em outro lugar? Frescos morangos vivos vermelhos.
Achava que sim.
Que sim.
Sim."
(Caio Fernando Abreu, "Morangos Mofados")
20/10/2008 20:52:00
Momento crazy-nerd :)
20/10/2008 20:39:00
O Grito
Há um tempo atrás escrevi aqui falando que tinha relido o meu primeiro livro, "De Abismos e Vertigens" e que tinha achado meio bobo e adolescente. Eis que, meses depois dessa declaração, leio de novo e mudo de opinião: acho muito legal. O livro é como um grito muito alto de auto-afirmação. Se isso é ser adolescente, nunca quero sair dessa adolescência. Quero gritar para sempre.
Aqui vai uma crônica do meu primeiro livrinho, um texto cujo título - me ocorre agora - deveria ter sido o título da obra.
DAS COISAS QUE NOS FAZEM GRITAR
Nietzsche disse certa vez que os únicos valores que permanecem na sociedade são aqueles que são marcados a ferro e fogo. Ele disse isso num contexto histórico e mais abrangente mas vou me permitir usar isso para uma outra reflexão. Nunca me interessaram as coisas que não são capazes de me marcar a ferro e fogo. Não me interessam coisas que apenas arranham minha superfície. Quero flechas na carne, quero aquilo que mexe nas minhas entranhas, que me vira do avesso, que me leva a lugares dentro de mim aos quais eu nunca fui antes. Quero gritar, quero chorar. Quero sentir medo ou vergonha do que aquilo me provoca, quero algo que realmente me provoque. Esse é o papel da arte. E se você sai ileso dela é como se ela não tivesse existido.
Pois foram esses os pensamentos que me vieram à mente esses dias, quando fui na casa de um grande amigo meu e algo me chamou a atenção. Na parede da sala, num cantinho, havia fotos estranhíssimas. Eram nus ou semi nus de pessoas, em sua maioria mulheres fora dos padrões homogêneos de beleza, apresentadas de uma maneira perturbadora. Uma coisa meio escatológica, meio poética, meio violenta, meio irônica, meio lírica, meio obscena, meio simples, meio complexa, meio feia, meio bela, e extremamente artística em sua crueza e em seu aspecto lúdico, forte e ambíguo. Uma das coisas mais intensas que eu já vi. E Jan Saudek, depois eu fiquei sabendo, era o nome do fotógrafo talentosíssimo que criou aquele universo estranho e inclassificável. O que ele fez com cada imagem daquelas foi, por um instante, subtrair daquelas pessoas a humanidade insossa atrás da qual nos escondemos. Foi deixá-las cruas e inserir essa crueza num universo de delírio e poesia. Elas chocam? Sim. “E por que chocar?”, perguntarão alguns. Eu respondo. Se permitir sentir sensações que geralmente não sentimos, sair do lugar comum, da banalidade e linearidade do nosso dia a dia é algo incrivelmente libertador. Passamos a maior parte do nosso cotidiano sentindo coisas amenas. O amor pausterizado, a raiva controlada no trabalho, o constrangimento resignado que nos causam a pobreza dos pedintes nas sinaleiras, um pequeno espanto com algo na televisão , uma briguinha com o namorado, e o conformismo, o conformismo e o conformismo com toda esse bando de sensações banais. Então, nada melhor do que encontrar uma arte como a de Jan Saudek, uma filosofia como a de Nietzsche, diretores incríveis como David Lynch, Kubrick, Alfonso Cuarón, escritores como Caio Fernando Abreu, Camus, Nelson Rodrigues, enfim, pessoas que nos puxam para lugares desconhecidos dentro de nós mesmos, para aquelas cavernas lá no fundo, onde, de súbito toda aquela banalidade é desfeita. Então sentimos repulsa ou atração, desejo ou medo, desconforto ou um acalentador conforto de estar de fato enxergando a verdade. Mas sentimos. E somos marcados a ferro e fogo.
E nada melhor do que as palavras de Antonin Artaud – outro grande artista - para expressar a essência disso tudo: “ Se não estivéssemos persuadidos de o atingir o mais gravemente possível, nós nos julgaríamos inferiores à nossa tarefa mais absoluta. Você deve estar bem persuadido de que somos capazes de fazê-lo gritar.” Isso é a arte. A provocação do grito. E, como eu já disse, se você sai ileso dela, é como se ela não tivesse existido.
E fim de papo.
16/10/2008 01:52:00
Entrevista
Leiam aqui uma entrevista que dei para minha queridíssima leitora (e jornalista) Gabriela Vargas.
http://www.artistasgauchos.com.br/portal/?cid=116
15/10/2008 01:10:00
Life
Amo essa cena inicial do filme "The Million Dollar Hotel", do Wim Wenders. O filme é meio fraco, mas esse início é lindo demais.
14/10/2008 22:20:00
On Beauty
"A Beleza é subversiva."
(Bernard Shaw)
08/10/2008 13:32:00
Hedonismo
"Já que no fim a derrota é inevitável, vou ao menor sentar na janela e pedir um drink"
Frase ótima dita hoje por um amigo para explicar seu hedonismo.
Eu, a mais hedonista de todas, assino embaixo.
30/09/2008 23:29:00
+ entrevista
Mais uma entrevista comigo.
No blog da Tássia:
http://www.tataj.blogspot.com/
28/09/2008 20:35:00
A Festa
A festa estava absurdamente incrível! Muita vodka, muita gente legal, muita energia linda, todo mundo elogiando a revista. E eu bem feliz. Até dj da noite fui. Lá pelas seis da manhã só dava eu, o Fredi e o Rafa nos revezando no som, mega bêbados e felizes, nos achando os donos do palco, com direito até a quebra de violão a la Hendrix.
Pena que não tem foto...
Agora estou aqui numa ressaquinha básica, ouvindo o cd do Camelo, que é só o que ouço ultimamente - mais especificamente as músicas 4, 5 e 6, que são lindíssimas. Conecto total com a melancolia dele.
28/09/2008 14:00:00
É Hoje! Espero todos lá!
27/09/2008 12:42:00
Citação linda
"(...)mas nele havia o ar dessas mentiras
que dizem a verdade: confrontou-me
e num rápido olhar deixou-me em tiras"
(O Espectro, Bruno Tolentino)
26/09/2008 13:15:00
BPM
O problema é que eu sempre estou vários BPMs acima das pessoas.
Sério, enquanto eu opero em 170, elas rodam em uns 120.
Às vezes eu sinto como se precisasse ajustar o pitch para mixar com os outros.
Entende?
26/09/2008 10:47:00
Alguém tem a chave?
Não aguento mais essa insônia infernal; o tempo passa e eu não consigo aceitar o fato de que só consigo dormir de três a cinco horas por noite – será que eu já deveria ter desencanado disso e entrado num clima eu-não-durmo-mesmo-e-é-isso-aí?
Ontem, para variar, fui dormir às 4 da manhã e hoje, quinze para as oito, abro os olhos e não consigo mais fechar. Eis que estou aqui, às nove e meia, cansada mas com minha usual inabilidade para descansar. Eu gostaria muito de entender porque a minha cabeça simplesmente não pára.
Dava a vida para ter a chavezinha que desliga.
25/09/2008 09:32:00
Meus Prêmios Nick
Nessa sexta, dia 26, às 20:00, vai rolar a premiação "Meus Prêmios Nick", no canal Nickleodeon. Foi incrível, mega mega mega produção, super divertido. Eu apresentei a categoria de "melhor filme" junto com o Rafinha (que ganhou o Big Brother, lembra?) e adorei interagir com a criançada da platéia. A apresentação geral foi dos guris da Fresno, com shows e tudo mais. Não percam!
24/09/2008 23:36:00
Revista do Beco
Não, eu não abandonei o site. É que, como eu já disse, estava mega envolvida em um projeto muito legal sobre o qual não podia falar antes, mas agora posso.
Sabe o Cabaret do Beco e o Porão do Beco, as duas casas noturnas mais legais do underground gaúcho? Pois é, agora vai ter uma revista bimestral, a Revista do Beco. E eu sou a editora. Deu uma trabalheira louca, me consumiu muuuuito tempo (até porque eu escrevi praticamente todos os textos) mas me deu muito prazer, porque além de ser sobre um universo que eu super conheço (vivo no Beco), a revista ficou linda, lindíssima. Nem acreditei, quando ontem, quase de madrugada, vi ela prontinha na minha frente. Pronta no computador, porque hoje ela foi para a gráfica e só chega na semana que vem. Quem está fazendo a arte é o Rafa Rocha e o pessoal da revista Noize. Parceria incrível, eles são uns queridos, no fim acabamos fechando uma equipe ótima.
Preparem-se para a festa de lançamento no Porão de Beco, dia 27, com Herchcovitch e Johnny Luxo no som! Vai estar incrível e eu vou estar mega bêbada e feliz! E leiam a revista, que tem muita coisa legal.
17/09/2008 00:49:00
Das coisas não sublinhadas
Não consigo ler um livro sem sublinhar as partes que mais gosto e dobrar páginas interessantes. Pode ser porque um trecho está absurdamente bem escrito ou porque me tocou profundamente, mas simplesmente não consigo ler um livro sem me apropriar dele dessa forma. Dá medo de perder as boas palavras lidas - e perder palavras, para mim, é, sob todos os aspectos, inadmissível. Por isso não empresto livros e odeio que as pessoas leiam meus trechos marcados sem o meu consentimenteo - acho íntimo demais, fico com medo que me decifrem. Eu, pelo menos, decifro qualquer um por seus livros preferidos e seus trechos grifados. Diga-me o que sublinhas e te direi quem és. Ontem peguei um livro para reler (estou sempre relendo livros, talvez pelo mesmo medo de perder palavras): "Aritmética", da Fernanda Young. Percebi algo bem interessante: havia trechos que eu não tinha marcado na primeira leitura, há mais de três anos atrás, mas que me pareciam incríveis hoje em dia. Como eu não tinha marcado? Achei fascinante perceber, através do ato de grifar trechos não antes grifados, que eu tinha mudado. Achei poético.
Enfim, aqui vai uma dessas bonitas partes que só foram reconhecidas agora em 2008:
“Por isso tem tanta gente que não ama, nem é amado. São os que não agüentam levantar a tampa que os protege do incerto, e mudar. Pois a paixão é incerta, não aceitando o estabelecido. O amor, pior, engana, garantindo que poderá ser estável e infinito. E o ódio rapaz, esse é sempre eterno. Portanto, quem é que não ama, não se apaixona, não odeia? Os covardes? Com certeza. Os covardes, entretanto, sábios. Naquele conceito de sabedoria que mata você de velho. E morrer de velho, convenhamos, é a coisa mais humilhante do mundo.”
27/08/2008 23:55:00
Os vídeos
Bom, aqui vão os vídeos feitos durante o bate-papo. Vamos por partes.
PARTE I:
PARTE II:
Essa parte não foi filmada. Nela, eu falei um pouco dos anos 60 e 70, das queimas de sutiã e desse radicalismo que foi a necessidade de se livrar de todos os símbolos do feminino. Também falei dos anos 80 e da ânsia das mulheres por ocupar altos cargos executivos, de serem excelentes profissionais enquanto desdenhavam de coisas muito legais do universo feminino como a vaidade e a maternidade. Foi nessa fase que foi levantada essa bandeira de se "igualar" ao homem.
PARTE III:
PARTE IV:
20/08/2008 22:34:00
Mulheres
Hoje (quer dizer, ontem, né? Já são quase três da manhã) participei de um evento beneficiente bem legal, só para mulheres (leiam a nota acima que saiu na ZH, na coluna RSVIP). O meu objetivo era falar sobre a mulher na pós-modernidade e um pouco sobre as fases do feminismo e de como chegamos no lugar (que eu considero muito confortável) onde estamos atualmente. Eis que, pensando um pouco sobre toda essa história, cheguei a conclusões bem interessantes e, quando vi, acabei esclarecendo várias coisas para mim mesma. O evento foi incrível, só gente legal e interessada, cheguei em casa só agora depois da ótima janta e muita vodka e champanhe.
Leiam aqui o trecho do livro "Vampes & Vadias", da Camille Paglia (de que eu sou super fã) que eu li no final, enquanto falava sobre como os papéis dos homens e das mulheres finalmente estavam sendo novamente estabelecidos.
“Eu nunca gostei nem um pouco da tendência que têm muitas feministas de quererem refazer os homens numa forma algo tímida e sensível – para que se tornem, em essência, espécies novas de mulheres, eunucos contemporâneos de pênis afeminado, que seriam menos inconvenientes para as mulheres. Eu acho que isso não é do interesse da raça humana. Nós queremos um pênis duro. Nós queremos o vigor masculino. E temo que, para voltarmos a tê-los machos, teremos que passar por uma certa dose de instabilidade nas relações sexuais. Quer dizer, há que haver uma espécie de trégua de honra entre os campos inimigos. Assim, qual seria meu conselho para os sexos no final dos século? Eu diria para os homens: Fiquem de pau duro! E para as mulheres: lidem com isso!”
Amanhã vou postar aqui minha participação no evento (estou postando no youtube agora).
20/08/2008 03:29:00
Sorry
Mil desculpas pela ausência aqui no blog. É que, de uma hora para outra, surgiram milhares de coisas novas na minha vida, coisas ótimas, que por enquanto eu não posso falar, mas logo logo conto para vocês. E essas coisas estão consumindo bastante o meu tempo.
No que eu tiver um tempinho volto para escrever mais...
13/08/2008 18:54:00
Quero voar
Estou odiando esse inverno.
Vontade de sair correndo por um campo lindo num dia ensolarado de primavera, ouvindo Billie Holiday no ipod.
05/08/2008 23:22:00
Zé Celso Martinez Corrêa
“Estou sintonizado também com o universo, porque trabalho muito com a ligação do corpo do ator com o universo. Na Oficina, às 15 h a gente faz uma hora de silêncio, para meditar. Existe uma religiosidade, mas é uma religiosidade dionisíaca. Antônio Conselheiro conseguia fazer as pessoas sentirem, quer dizer, trazer as pessoas para a sensibilidade. Só que ele era asceta. Eu não. A minha religião é erótica.”
26/07/2008 14:44:00
Caio Fernando Abreu
" A vida é um punhado de lantejoula e purpurina que o vento sopra. Daqui a pouco tudo vai ser passado mesmo. Let it be, deixa soprar. Fica pelo menos com o gostinho de ter brilhado um pouco."
25/07/2008 01:51:00
E o novo livro?
Não vou conseguir acabar meu livro esse ano.
Pois é, não vai dar. E não vou me apressar só porque tinha colocado essa meta para mim mesma, não é assim que a arte funciona.
Engraçado, mas me dar conta disso me fez muito bem, sabe. Me tirou um peso que eu mesma tinha colocado sobre meus ombros, um imperativo desnecessário que estava me deixando meio tensa, trancando minha energia. Porque eu tenho isso às vezes, essa coisa de me cobrar demais, de ir contra meu tempo interior. E com o tempo a gente aprende que não adianta lutar contra esse tal tempo.
Mas o fato é que assumir isso para mim mesma, que não vou conseguir acabar meu livro para esse ano, me relaxou de tal forma que as energias boas todas começaram a fluir de novo dentro de mim, tudo começou a acontecer de forma mais rápida e natural, projetos e idéias, inclusive para o próprio livro. O que prova que trabalhar under pressure não é comigo – o que funciona é justamente o oposto.
24/07/2008 00:11:00
O Movimento
Ontem estava numa livraria e, ao folhear um livro sobre Einstein, vi a seguinte frase atribuída a ele:
"A vida é como andar de bicicleta. Para que haja equilíbrio é preciso se manter em movimento."
Achei interessante. Porque sempre vivi assim. Talvez seja por isso que a minha vida tenha essa espécie estranha (às vezes torta) de equilíbrio. Por causa do movimento (em todos os sentidos da palavra) que faz parte da minha essência, sem que eu faça esforço algum.
22/07/2008 00:26:00
A Culpa
Quinta teve o PapoCabeça e eu adorei, apesar da ressaca horrível que eu estava, o que me deixou menos falante do que nas outras vezes. O Gerbase citou várias vezes um filósofo genial, Michel Onfray, que tem idéias bem subversivas e radicais, tipo o Nietzsche. Também mostrou no telão uma cena de seu filme “Tolerância” (que tinha a ver com o tema) para discutirmos. O Paulo, que é um ótimo psiquiatra, questionou a posição freudiana sobre a questão e se posicionou o tempo todo contra a culpa, usando argumentos contidos em seu livro “O Sentimento de Culpa” e respondendo perguntas do público.Eu queria botar uma foto aqui mas o fotógrafo não me enviou ainda...
19/07/2008 19:00:00
Uma Analogia Gastronômica
O tempo passou e eu virei uma mimada no que diz respeito a sentimentos, mal acostumada mesmo. Comecei a criar em mim uma resistência absurda ao sofrimento, como se eu precisasse ser sempre-sempre-sempre feliz. Quando chegava uma tristeza por algum motivo real ou imaginário, eu já entrava em pânico, me desesperava como se tudo estivesse perdido, ao invés de aceitá-la em sua devida magnitude – que geralmente não era das maiores. Ou pior, as bloqueava, sublimando de alguma maneira - o que pode funcionar às vezes para uma escritora, mas não é das coisas mais saudáveis psicologicamente falando.
Um dia desses me dei conta do quanto isso era errado e ilusório.
Sou louca por temperos, mais especificamente temperos anti-convencionais. Então, enquanto a maioria das pessoas fica no salzinho e na pimentinha, aqui em casa imperam os currys, gengibres, coentros e, as minhas preferidas: as francesas ervas de provence, que consistem numa mistura deliciosa de diversas ervas entre elas manjerona, alecrim, manjericão e a erva-doce, que, para mim, é a melhor do grupo. Quando estou comendo algo com as tais ervas de provence, sinto uma alegria meio infantil quando pego uma erva doce em meio as outras possibilidades. Me remete à infância, quando eu, entre as sortidas e coloridas balas de goma, conseguia pegar a vermelha, que era a que eu mais gostava.
Esses dias me questionei: se eu gosto tanto de erva doce, porque eu não compro logo um pacote desse tempero ao invés de contar com probabilidade de pegá-la entre os tantos outros tipos de ervas? E por que quando criança eu não comprava de uma vez um saco de balas vermelhas, ao invés de ficar catando em meio às outras cores?
E então comprei erva-doce pura. E me decepcionei. A graça foi embora – onde estava a energia boa da espera e a alegria de achá-la entre todas as outras? Foi mais ou menos como um cd de coletâneas. Já notou como enjoamos rápido quando gravamos uma coletânea só com as músicas preferidas? A gente vai lá, escolhe cuidadosamente as melhores músicas de cada artista e, duas semanas depois, já dá vontade de nunca mais ouvir o cd.
E quando vi, em meio a esse raciocínio tão cotidiano, percebi que aquele era o mesmo pensamento simplista que temos em relação à vida. Por que ela não é feita só de momentos felizes? Por que temos que viver oscilando entre tristezas e alegrias durante toda a existência?
Raciocínio inútil. Porque embora nem sempre a gente perceba, o melhor da vida são as esperas, as dúvidas, o não saber. Porque os pontos altos precisam dos baixos para serem valorizados. Porque a maioria das felicidades vêm precedidas pela possibilidade, não pela certeza. E porque a vida seria muito chata se fosse feita somente de erva-doce, balas vermelhas, coletâneas e momentos felizes.
16/07/2008 01:04:00
Papo Cabeça na quinta
Nessa quinta tem mais PapoCabeça. Dessa vez o tema é CULPA e os convidados são o psiquiatra Paulo Guedes (autor do livro “O Sentimento de Culpa”) e o cineasta Carlos Gerbase.
Na mediação eu e o Leo Felipe.
O quê? Debate pop-filosófico que acontece mensalmente no Cult.
Quando? Dia 17, nessa quinta-feira
Onde? Comendador Caminha 348
Hora? 21:00
Quanto? R$ 10,00
14/07/2008 12:56:00
Peter Pan
"Ser artista implica a incapacidade de crescer e enfrentar o mundo real. Portanto, ser capaz de sublimar a realidade é uma dádiva dos deuses."
(Louise Borgeois)
09/07/2008 21:27:00
Berlim again
Bom, o destino seguinte foi Berlim - mas de Berlim já falei bastante, né? Pirei com aquela cidade. E comprovei uma coisa: gostar ou não de um lugar depende muito de ter as dicas certas e conhecer as pessoas certas. Essa foi a segunda vez que fui para lá Na primeira, fui sem dica nenhuma e caí na roubada de ficar no lado oeste, que é uma merda. Uma turistada, grandes avenidas, clima pesado de cidade grande, comidas ruins e caras, gente antipática, um horror. Saí de lá odiando.
Dessa vez fiquei no lado leste, que é incrível. Gente simpática, clima jovem e agradável e todo o charme que a gente imagina que vai encontrar lá. Ali sim está a verdadeira Berlim. E foi então que me apaixonei pela cidade e, desde então, vivo repetindo por aí que quero morar lá.
Um dia eu vou.
05/07/2008 19:52:00
Ucrânia
Falei tanto da Rússia e acabei deixando de falar do resto da viagem. Vamos então continuar o diário de bordo.
Saindo de lá fui para Kiev, na Ucrânia. O que é absurdamente interessante por ser tão improvável - porque a Ucrânia não é exatamente o sonho de turismo das pessoas. Elas geralmente vão para lugares mais batidos, mais normais.
Mas lá estava eu, em Kiev. Num apartamento caindo aos pedaços por fora e surpreendentemente novo por dentro, um dos mil paradoxos do leste europeu. Parece que, para eles, o edifício em si não é importante, é como se fosse parte da rua, como uma calçada, sei lá. Dentro geralmente temos uma surpresa.
As pessoas lá são bem mais simpáticas, sem o clima nariz empinado que há nas grandes metrópoles. Kiev é muito pequena, a arquitetura é bonita, mas também ali vemos o espectro da época comunista e das guerras. Tem abrigos anti-nucleares por tudo e eles são utilizados das mais diversas formas. Aliás o club mais legal do lugar é o Xlib, que fica justamente num desses antigos abrigos. É muito, muitíssimo, mega underground. Eu, que sou meio claustrofócbica, fiquei chocada com o quanto se descia até chegar no club em si. Muitos e muitos andares abaixo da terra. Uma galera muito louca, muito moderna e animadíssima, uma turma completamente diferente daquela de Moscou. Em Moscou a noite é chique, em Kiev é under (e eu gostei bem mais). Tinha uma turma alucinada de djs/estilistas apaixonados pelo Brasil e pelo funk. Entrem no www.myspace.com/zhiguli que é de dois promoters e djs que fizeram a festa incrível em que eu estava.
Povo estranho esse do leste europeu, mas interessante. No último dia, antes de ir para o aeroporto, ganhamos de presente um cd do Iuri, nosso amigo ucraniano. Um querido, ele: gravou uma coletânea só com suas músicas preferidas, coisas muito loucas tipo um funk nigeriano, umas trilhas de filmes indianos (Bollywood) dos anos 70...Bem legal. Virou a trilha aqui de casa.
Sério, queria entrar na cabecinha deles para entender o que se passa, eles são muito diferentes de nós. Fico imaginando essa gente naquela época sem saber o que se passava no mundo lá fora, ilhados num lugar com opções tão limitadas. Imagina a reviravolta que deu na cabeça deles quando foram abertas as portas para o mundo? Me fez lembrar da Alegoria da Caverna do Platão - homens acorrentados nunca caverna de costas para a saída, somente com a luz de uma fogueira, que só permitia que eles vissem as sombras do que se passava lá fora. E eles achavam que as sombras eram a realidade, já que só o que conheciam eram elas. E se os libertassem das correntes?
E foi dessa alegoria que lembrei, enquanto estávamos no carro do Iuri, rumo ao aeroporto, ouvindo trilhas antigas de Bollywood e pensando naquela gente com suas alminhas tão conturbadas e tão marcadas pela história
05/07/2008 19:32:00
A Lei Seca
Estou indignada com essa lei ridiculamente radical, então adorei quando li esse ótimo texto na coluna do David Coimbra. Concordo plenamente. Transcrevo aqui:
O Pequeno Príncipe
Todos os dias, mas todos os dias mesmo, sem faltar um, a Redação de Zero Hora é visitada por misses. Ou rainhas.. Rainha do Nabo, Rainha do Aipim, há muitos tubérculos necessitando de rainhas neste Estado gigante da agricultura. Elas vêm sempre em trio, a rainha ladeada por suas duas princesas. Excluindo sábados e domingos, são 15 rainhas ou princesas por semana, 60 por mês, 720 por ano. Muita realeza. Mas mesmo sendo tantas, todas sabem de verdades que os legisladores brasileiros desconhecem. Por quê? Porque leram O Pequeno Príncipe, as misses têm o hábito de ler O Pequeno Príncipe. Se os deputados também o tivessem, lembrariam de um trecho célebre no qual o principezinho encontra o rei de um minúsculo planeta. Tratava-se de um monarca absoluto, que fazia questão fechada de que suas ordens fossem obedecidas. Como não havia mais ninguém no planeta, o principezinho perguntou sobre o que o rei reinava. Ele respondeu que sobre tudo, o seu planeta, as estrelas, tudo.
- E as estrelas vos obedecem? - indagou o principezinho.
- Sem dúvida. Obedecem prontamente. Eu não tolero indisciplina.
Encantado com tamanho poder, o Pequeno Príncipe pediu para ver um pôr-do-sol. Ao que o rei observou:
- Se eu ordenasse a meu general voar de uma flor a outra como borboleta, ou escrever uma tragédia, ou transformar-se em gaivota, e o general não executasse a ordem recebida, quem, ele ou eu, estaria errado?
- Vós - respondeu com firmeza o principezinho.
- Exato. É preciso exigir de cada um o que cada um pode dar - replicou o rei. - A autoridade repousa sobre a razão. Se ordenares a teu povo que ele se lance ao mar, farão todos revolução. Eu tenho o direito de exigir obediência porque minhas ordens são razoáveis.
- E meu pôr-do-sol? - lembrou o principezinho, que nunca esquecia a pergunta que houvesse formulado.
- Teu pôr-do-sol, tu o terás. Eu o exigirei. Mas eu esperarei, na minha ciência de governo, que as condições sejam favoráveis.
- Quando serão? - indagou o principezinho.
- Hem? - respondeu o rei, que consultou inicialmente um grosso calendário. - Será lá por volta de por volta de sete horas e quarenta, esta noite. E tu verás como sou bem obedecido.
As misses, as rainhas, as princesas, o rei do Pequeno Príncipe, todos sabem que uma ordem impossível de ser cumprida... não será cumprida! Caso da Lei Seca, ora promulgada. A aplicação de tal lei é plausível e até recomendável nas estradas, mas nas cidades se torna ficção. São incontáveis as chances de uma pessoa ser denunciada pelo bafômetro com os rígidos limites impostos, desde o mamão papaia com cassis e o bombom com licor à única taça de champanha consumida no brinde durante uma recepção, passando pela saída não planejada com a colega de trabalho. Se a polícia quiser encher ainda mais os presídios, basta colocar viaturas a circular por Porto Alegre todas as noites a partir da uma da madrugada. Duas, 3 mil pessoas serão encarceradas por dia. E nem isso fará com que a lei seja observada. Até porque a maioria das pessoas que bebe não se embriaga. São essas as pessoas, as mais sensatas, que vão desafiar a legislação. Uma pena, porque eis aí uma lei bem-intencionada. Foram tantas as boas intenções dos que a escreveram, que exageraram. A lei perderá a credibilidade. E, ao invés de irmos para frente, iremos para trás. Só porque os parlamentares não leram O Pequeno Príncipe, só porque não sabem que a autoridade repousa sobre a razão.
05/07/2008 03:00:00
+ info
Acabei de descobrir que o evento do qual vou participar nessa quinta é muito mais legal do que eu pensava. Além do nosso bate-papo, vai rolar também um coquetel com bebidinhas bem legais, música ao vivo (com Ricardo Zymbabwe) e sessão de autógrafos. Então tem mil motivos para ir: seja para ganhar autógrafo no livro, seja para assistir uma conversa descontraída ou simplesmente para filar um bom vinho ao som de uma boa música.
01/07/2008 23:20:00
Nessa quinta
Nessa quinta, dia 3, às 19:00, eu e o Thedy Corrêa estaremos participando de um bate-papo literário bem legal. É o Happy Hour Cultural, que rola ali no Shopping Total (na Alameda dos Escritores, que fica na frente do Restaurante Marcos).
Vou adorar se vocês aparecerem lá!
01/07/2008 12:04:00
Moscou
Cada viagem nos provoca um tipo de sentimento. Algumas nos inspiram, nos abrem a cabeça, como Londres. Outras nos causam aquele sentimento de liberdade, de realmente estar tirando férias da vida real, como a Grécia. Tem também o tipo de viagem que desperta um louco consumismo até nas mais contidas criaturas, que é o caso de NY. Ir, para a Rússia no entanto, foi, para mim, um tipo de viagem que eu nunca tinha vivenciado: me deu vontade de estudar história. Sério, cheguei com vontade de me jogar nos livros e entender porque aquele povo e aquele lugar tão peculiar são como são.
Moscou não deslumbra por suas lojas, por seu povo, pela quantidade de informação ou por seus lugares, mas sim pela história, que de tão presente, se torna impossível de ser esquecida. O comunismo não existe mais lá há quinze anos, mas ronda o povo como um espectro do mal, como tatuagens em suas peles. As pessoas são fechadas, ninguém fala inglês (ninguém mesmo), ninguém dá informação, como se ainda vivessem na época da espionagem – e é a cultura deles, não adianta, não se muda um povo em tão pouco tempo. A coisa mais fácil do mundo é se perder lá, já que não se pode pegar táxi (pois eles dão mil voltas, te enganam) e metrôs são escritos somente no alfabeto deles sem tradução, assim como os monumentos históricos. E como eles têm outro alfabeto não entendem nem se você mostrar um papel com o nome do hotel escrito. Eles definitivamente não fazem a mínima questão de agradar turistas. Parece uma grande São Paulo. É poluída, o trânsito infernal (levamos três horas para chegar do aeroporto até o apartamento) e os edifícios tem bem aquela estética do comunismo, grandes blocos muito pobres e feios. É oito ou oitenta, mas o oitenta é a minoria. Lá pelas tantas encontramos um pequeno centro onde está tudo aquilo que a gente vê em cartões postais, tudo muito lindo. A Praça Vermelha rodeada por lojas como Dior, Louis Vuitton (que ironia histórica) e cafés e restaurantes chiquérrimos. Tanta beleza que parece outra cidade. E é ali que se concentra a noite, que é linda & louca. O Denis Simachev Bar (www.denissimachev.com) é o lugar mais incrível de Moscou (foi lá que o Fredi tocou). Denis Simachev é o estilista mais conhecido da Rússia, todo louco e estiloso, com tatuagens feitas no Caribe, é tipo o Herchcovitch deles. Em cima tem a loja-conceito do cara (ganhei uma blusa linda!) e no térreo tem um restaurante que vira pista de dança depois das onze. Os djs mais legais do mundo tocam lá e as pessoas que freqüentam são louquérrimas. A decoração é original em cada detalhe e numa das paredes tem um mangá erótico em mosaico. Dêem uma olhada no site que eu indiquei.
Outro lugar maravilhoso é o Salanka. Também nos mesmo clima restaurante-que-vira-boate.
Mas, no fim das contas, a impressão que ficou mesmo é a de que é um povo em reconstrução. Muito mais em movimento do que qualquer outro lugar que conheci. Claro que tem aquele grupo que é igual em todo lugar, os djs que conheci lá, a promoter, o diretor artístico do lugar, etc. e foi com esses que deu para conviver e conversar pois eram os que falavam inglês. Ouvi deles histórias horríveis da época do comunismo. Uma menina por volta dos trinta e poucos me contou que, quando pequena, chegava no colégio e só via pessoas com vestidos iguais ao seu – pois só existiam três tipos de vestido nas lojas. Era a individualidade dissolvida no coletivo. Essa era a idéia. As pessoas precisavam ser iguais. Saiam da faculdade e já tinham estabelecido todo seu futuro, onde iriam trabalhar, qual posição iriam ocupar, e nada disso podia ser contestado. E na época de grande crise tinha aquela coisa horrível da fila para pegar pão com um número específico de cupons dado a cada cidadão. Fora o terror de ser prisioneiro no próprio país, só ter informações filtradas, ser vigiado, e não poder contestar nada disso. E o mais louco é que eles não me contaram isso num clima tipo “Olha que horror o que passamos!”. Não. Eles contaram com naturalidade e, quando eu perguntei se eles não achavam tudo isso uma atrocidade, eles disseram: “Não. Nós só conhecíamos aquilo.”.
Fiquei chocada. Mas daí pensei na naturalidade com que falamos (e logo esquecemos) sobre a roubalheira vergonhosa em nosso país e em como não reagimos, como idiotas anestesiados - e então fiquei quieta.
Cada povo acostumado com suas respectivas atrocidades.
30/06/2008 23:40:00
Viagem
Prometo que vou parar hoje para contar com calma sobre minha viagem para vocês, tá?
É que tenta coisa para contar que eu nem sei por onde começar!
18/06/2008 16:05:00
Entrevista
A Paula Pfeifer, minha leitora queridíssima há muito tempo, está com um blog ótimo!
http://sweetestperson.wordpress.com
Entrem ali e leiam a entevista que dei para ela.
Aproveitem e leiam outros textos também, tem muita coisa legal.
17/06/2008 23:36:00
As Mulheres da Vida Dele
Meu querido amigo Miguel Costi é o maquiador mais requisitado para comercias, filmes e produções de moda do Sul - ele é o melhor, quanto a isso ninguém tem dúvida. Eis que ele fez 20 anos de profissão e resolveu comemorar com uma linda exposição chamada "Mulheres da Minha Vida". Então ele convidou algumas mulheres que foram importantes na trajetória dele, as maquiou lindamente para logo depois serem fotografadas pelo Eduardo Liotti (que é ótimo também). Tive a honra de ser convidada para ser uma dessas mulheres e o resultado vocês podem conferir nessa foto aqui. Ou passem no bar Aquavit, que fica na República 552 - Cidade Baixa. Daí vocês podem ver toda a exposição.
17/06/2008 23:25:00
Americans do it Better
Aqui vai um pedacinho que filmei do show da MC de NY, Bunny Rabbit, que se apresentou ontem por aqui na mesma noite em que o Fredi tocou. Muito foda.
Não adianta, ninguém rima como os americanos.
01/06/2008 20:21:00
Ai, ai, estou tão feliz...
Queria morar aqui!
Essa foto é no edifício onde estou, aqui em Berlim. Fica na Schönhauser allee, em Prenzlauer berg, que é um bairro lindo, só com gente jovem com um estilo muito legal. E tem muitos, muitos bebês. Sério, é muito engraçado, nunca vi tantos nenis na minha vida! Em cada quadra tem uns três carrinhos com crianças. Perguntei para um amigo alemão e ele me explicou o motivo: quando houve a queda do muro, muitos jovens de West Berlim migraram para o lado de cá, East Berlim, porque morar desse lado era ridiculamente barato. Então era uma maneira acessível de ser independente. Naturalmente esses jovens se juntaram e tiveram filhos - por isso esse bairro (e também Mitte, que fica ao lado) é essencialmente habitado por pessoas jovens e bebês. Fora os babys, tem lojas ótimas, brechós incríveis e lugares maravilhosos e baratos para comer. Eu, que amo comida Thai, estou feliz da vida porque um prato que no Koh Pee Pee custaria uns 60 reais, aqui custa 4 euros. E é o único lugar que conheço onde a cerveja custa o mesmo que uma água.
31/05/2008 20:17:00
Em Berlim, hoje
28/05/2008 22:39:00
Ucrania
Estou escrevendo de uma lan house em Kiev, Ucrania! Que lugar incrivel: gente muito louca e todo peso de uma historia interessantissima. Estou amando, depois falo mais e posto fotos. Coisa boa se descontextualizar assim, estou me sentindo renovada.
25/05/2008 19:15:23
That´s me
Adoro as decisões definitivas que duram horas.
15/05/2008 05:22:00
Intimação
Espero vocês lá.
PapoCabeça: debate pop-filosófico
quarta, às 21:00, no Cult (Comendador Caminha 348)
tema: "os outros"; convidados: o escritor Paulo Scott e a atriz Ingra Liberato
mediação: eu e Leo Felipe
E entrem no blog também: www.papopopfilosofico.blogspot.com
06/05/2008 05:16:00
Sleepless
Se tem uma inveja que nutro nessa vida é pelas pessoas que DORMEM.
Sério, as pessoas conseguem dormir e não sabem que são felizes. Eu tenho a insônia mais terrível que alguém pode ter: minha cabeça não pára, simplesmente não pára. Daí eu fico irritadíssima pelo fato de não conseguir pará-la e isso obviamente só piora meu estado insone. O resultado é que acordo TODOS os dias ao meio dia com muito esforço (porque senão dormiria até as três da tarde) ainda cansada. Esses dias tive uma reunião às onze da manhã e tive que acordar às dez. Foi uma martírio, cheguei na tal reunião com cara de sono reclamando do horário enquanto todos (que provavelmente tinham acordado às oito) me olhavam me achando louca.
Agora, por exemplo, são quatro da manhã e eu estou aqui, sem nenhum sinal de sono, tomando um vinho e ouvindo Los Hermanos (que amo) para ver se relaxo um pouco. Então resolvi escrever para expor meu sofrimento. Porque sou uma pessoa que sonha em acordar cedo, ler meus dois jornais, tomar um café da manhã ótimo e saudável, fazer yoga, almoçar e depois ter minha tarde livre para escrever, pensar, trepar, ler, fazer nada, sei lá. Vocês estão me entendendo?
Mas não consigo. Acordo tarde e me sinto uma improdutiva. E não tem a ver com culpa, tem a ver com bem estar, qualidade de vida, coisa que perco nessas fases de insônia mais grave.
Enfim, é só um desabafo
06/05/2008 04:11:00
Apesar de tudo, SIM
Estou até agora sem ar com o filme que vi ontem. O Signo da Cidade, com roteiro da Bruna Lombardi e direção do Carlos Alberto Ricceli. Lindo de doer. Senti aquela coisa que o Tenesse Williams escreveu e que eu vivo citando, que estamos todos condenados a um confinamento solitário dentro de nossa própria pele. O filme mostra isso, essa inexorável solidão, essa barreira aparentemente intransponível que a gente tenta quebrar tentando alcançar o outro, abraçar e beijar o outro, se comunicar com o outro com palavras que muitas vezes ficam "lost in translation" – como se cada um falasse sua própria língua, dentro de seu próprio mundo, com seus próprios códigos e traumas, todos com o espectro da incomunicabilidade pairando sobre suas cabeças.
O Signo da Cidade tem um formato de roteiro parecido com Magnólia (de Paul Thomas Anderson) : mostra o drama de algumas pessoas perdidas numa metrópole, vidas que, ao longo do filme, vão se cruzando e nos mostrando como estamos todos interligados e o quanto precisamos uns dos outros. Bruna Lombardi é Teca, uma astróloga em São Paulo que se vê entre seus próprios anseios e problemas enquanto tenta confortar as almas aflitas que ligam para seu programa noturno de rádio pedindo algum conselho dos astros. Ao longo da história conhecemos diversas outras vidas com seus dramas, encontros, desencontros e constatamos o que constataríamos se parássemos mais para olhar para os outros: todo mundo é menos feliz do que imaginamos.
É lindo, epifânico, com cenas que ficam em looping dentro da gente por muitas e muitas horas. É um filme triste, muito dolorido e verdadeiro, mas a gente sai do cinema feliz e com esperança, muita esperança. Porque, no final, a mensagem que fica é a de que, apesar de tudo, de toda a dificuldade que é essa vida com suas perdas, fases difíceis, sonhos perdidos e corações despedaçados, apesar de tudo isso, eles estão ali, tentando botar a cabecinha para fora da janela e respirar, apesar de tudo, eles estão ali dizendo SIM. É essa bela insistência em viver, que é muito mais forte que qualquer isolamento protegido por barreiras aparentemente instransponíveis. Existe a solidão, mas existe a solidariedade. Existe a morte, mas existe o nascimento. Existe a incomunicabilidade, mas existe o entendimento. Existem os desencontros, mas existem os lindos encontros. E, mais importante que tudo, existe a dor de hoje, mas existe o dia de amanhã, que certamente será diferente. E o filme termina mostrando justamente esse aspecto cíclico da vida, lindamente colocado nas palavras de um enfermeiro lendo para um paciente em seu leito de morte:
“Se perdem gestos,
cartas de amor, malas, parentes.
Se perdem vozes,
cidades, países, amigos.
Romances perdidos,
objetos perdidos, histórias se perdem.
Se perde o que fomos e o que queríamos ser.
Se perde o momento.
Mas não existe perda,
existe MOVIMENTO.”
01/05/2008 17:10:00
Eu e a Lya Luft
Estava aqui começando a ler o novo livro de contos da Lya Luft e,na apresentação feita por ela mesma, li algo que me tranqüilizou muito:
“A idéia inicial desse livro foi um ensaio na linha de Perdas & Ganhos: gosto desse jeito direto de chegar aos meus leitores. (...) Depois, com o tempo, me pareceu que seria um romance: os personagens saltavam, sacudiam braços e pernas, queriam viver. Assim cheguei a escrever muitas páginas. Finalmente, após um desses períodos que todo escritor conhece, de inércia, quase desânimo, acordei com o romance fragmentado numa porção de histórias, todas ligadas pela mesma proposta.(...)”
Adorei ler isso, pois eu estou justamente nesse período estranho, causado por um turbilhão de idéias que, ao fim, me deixam tão confusa que me levam ao desânimo ou essa espécie de inércia que, como ela disse, todo escritor passa – mas sempre parece que é a primeira vez.
Primeiro surgiu uma idéia que me parecia ser perfeita para um romance. Comecei a escrever e achei que não, que na verdade teria mais força se fosse um conto. Enquanto a escrevia como conto, surgiam mais alternativas na minha cabeça, entre elas a de voltar e reler um romance antigo (outra idéia) o qual eu já escrevo lentamente há muitos anos, mas tinha esquecido completamente. Então, como se não bastasse a confusão que eu estava em relação à forma da primeira idéia, minha mente veio com essa: quem sabe não acabo de vez esse romance antigo? Enfim, vai entender....
O fato é que estou metida nessa teia que eu mesma criei e, muitas vezes, ao invés de isso me fazer andar, me paraliza, entende?
Daqui a pouco saio desse nó.
Me tranqüilizou ler que a Lya Luft passou por algo parecido antes de escrever esse livro que, a princípio, está me parecendo ótimo (adoro a ficção dela).
25/04/2008 21:08:00
mais...
24/04/2008 21:21:00
mais fotos...
24/04/2008 20:58:00
Tinha me esquecido de contar como foi...
O PapoCabeça foi incrível, melhor impossível.
A Martha, numa fase linda “apaixonada por ela mesma” segundo suas próprias palavras, era a personificação do nosso tema. Foi super pessoal e aberta no discurso, falou de experiências pessoais, analisando-as naquele clima das suas unânimes crônicas. O Cardoso, como sempre, espirituoso & único, foi numa direção oposta da Martha e o resultado foi um papo interessantíssimo de muita troca entre eu, Leo, os convidados e o público – composto por gente interessada e inteligente que participou com várias perguntas e colocações.
É impressionante como me realiza fazer esse evento, me sinto muito bem vendo aquela gente toda animada, reunida para filosofar sobre um tema.
Sei bem que PARAR e PENSAR hoje é um luxo.
O próximo acho que vai ser dia 7 de maio. Quando estiver confirmado, aviso aqui no site e dou mais detalhes.
(fotos por Michael Paz Frantzeski)
24/04/2008 20:55:00
Livros
Ando lendo louca & compulsivamente, naquelas fases em que emendo um livro no outro e só paro de ler quando é caso de vida ou morte. Adoro isso, me sinto vivendo em outro nível, como que flutuando por cima da realidade. Fico andando pela casa de pijama o dia inteiro, meio aérea, com um livro na mão e meu inseparável copão de água no outro. São fases extremamente necessárias, que vêm de tempos em tempos.
Um dos livros bons que andei lendo: “Toda Terça”, romance da Carola Saavedra. Incrível. Uma escrita pós-moderna, diferente, criativa, um texto que flui de maneira absurdamente leve. Ela escreve muito bem, é impressionante. Peguei o livro e só consegui largar quando acabei. Aqui vai um trechinho:
“Mas a verdade é que tudo que eu havia decidido na minha vida fora sempre assim, de um momento para outro, como quem está sentado num banco olhando os patos e de repente resolve ir embora, assim, sem nunca ter pensado antes no assunto, simplesmente porque viu um barco cheio de japoneses passando, simplesmente porque numa noite alguém sorriu por trás do vinho, e, se esse barco não tivesse passado e se aquele sorriso não houvesse surgido, talvez tivesse continuado por décadas sentado naquele banco (...)”
Outro livro absurdo de tão bom que li há um tempo atrás (não entendo como eu não falei dele ainda aqui!) é o “Extremamente Alto & Incrivelmente Perto”, do Jonathan Safran Foer . Acabei de ler chorando, sentindo demais a vida, a beleza e a tristeza das pequenas e grandes coisas pelas quais todos temos que passar, comovida com o pequeno Oskar que, para mim, é um dos personagens mais bem construídos da literatura contemporânea. Estou apaixonada por esse livro, que é sem dúvida alguma, o melhor romance que eu li nos últimos vários anos. Nem vou começar a falar dele senão vou ficar horas e horas escrevendo, mas comprem agora, vale a pena.
23/04/2008 01:41:00
PapoCabeça is back
Como meu bar não existe mais, vou começar a fazer o PapoCabeça (lembram?) no Cult bar, que reabriu ali na frente do Parcão. Apareçam lá, essa edição de retorno vai estar ÓTIMA!
E agora o Leo Felipe apresenta a função comigo.
Aí vai o email de divulgação. Apareçam! Repassem!
"O PapoCabeça, mistura de sarau e debate pop-filosófico que acontecia no hoje extinto Casa de Lou-lou, agora vai rolar mensalmente no Cult bar, que inaugurou semana passada em novo endereço. A primeira edição na casa nova rola na próxima quarta, e tem como tema a FELICIDADE.
Para discutir a questão, escritora e colunista da ZH Martha Medeiros e o consultor criativo e escritor Cardoso, com a mediação de Carol Teixeira e Leo Felipe.
Após o debate, pocket-show da Lica
Onde? No Cult, que fica na Comendador Caminha 348
Quando? Nessa quarta, dia 16
Hora? 20:30
Quanto? R$ 10,00"
12/04/2008 02:56:00
Melhor Música dos Últimos Tempos
"Feeling Good" (Muse)
Dá vontade de chorar, de sentir, de se virar do avesso.
12/04/2008 02:52:00
A Felicidade, desesperadamente
Estou lendo um livro ótimo, “A Felicidade, desesperadamente". Dica dada pela Luana Piovani, quando entrevistei ela para a MOD (uma revista muito foda para qual estou escrevendo, depois falo mais sobre). O título me pareceu meio auto-ajuda (odeio auto-ajuda), mas fui pesquisar no google, para ver quem era o autor e botar corretamente na minha reportagem e descobri que na verdade era o André Comte-Sponville, filósofo francês que eu adoro. Vi que era dele e comecei a ler imediatamente. Como é uma transcrição de uma palestra do cara, o clima, embora obviamente filosófico, acaba sendo mais coloquial, mais bate-papo e não algo exacerbadamente filosófico, o que torna o livro uma leitura mais leve e rápida, que vai agradar até os não iniciados na filosofia. Fala da nossa eterna busca pela felicidade, essa busca que parece nunca ter fim. Cita Sartre, quando diz que o homem “é fundamentalmente desejo de ser”, cita Platão que diz que “desejo é falta” e completa escrevendo que, seguindo esse raciocínio, estamos separados da felicidade justamente pela esperança que a persegue. É como se estivéssemos sempre correndo atrás do próprio rabo, entende? Desejamos e, quando conquistamos, já não somos/temos mais o que desejamos, mas sim o que desejávamos. Daí perde a graça e a felicidade é perdida. Então, ao longo do livro, ele faz uma crítica da esperança que, diz ele, é a culpada por não nos permitir sentir o presente, sem estarmos presos aos grilhões do passado ou atormentados por essa eterna “falta”. Não vou me estender mais no assunto “felicidade” porque não acabei de ler o livro e, quando concluir e pensar mais sobre, ainda quero dedicar um post inteiro a esse tema interessantíssimo.
Quero falar de outra coisa. Uma coisa que senti ao ler essa obra e algumas outras do mesmo gênero que vem surgindo nos últimos anos.
Os filósofos de hoje estão tendo uma visão que os outros, de outras épocas, não tinham: a de que a filosofia tem uma utilidade. Alain de Botton, Luc Ferry, o próprio André Comte-Sponville, todos caras geniais, pensadores contemporâneos, conectados a seu tempo e, graças a deus, não enclausurados na Torre de Marfim do Saber. Acho isso ótimo, vibro com a atitude deles de escrever livros recheados de cultura e conhecimento, mas em uma linguagem mais acessível ou até divertida, pois desde meus primeiro semestre da faculdade de Filosofia, eu pensava nela como instrumento de compreensão do mundo e do próprio ser humano – e a compreensão é a base de uma posterior ação. Mas me deparava com alguns professores (não todos, que fique claro) que insistiam em afastá-la da realidade, deixando-a cada vez mais distante da vida prática, assim, cada vez mais inútil. E me perguntava: porque afastam as pessoas “não-inciadas” dessa maravilha que pode mudar uma vida, mudar um olhar? Porque deixá-la num grupinho seleto, na tal torre de marfim que sempre falo, se ela é definitivamente algo útil? Não é que a filosofia PRECISE ter uma utilidade, a questão é que ela simplesmente TEM. É só fazer a pessoa enxergar. E eles fazem.
Compreender o mundo e a si mesmo: para mim é nisso que consiste a sabedoria. E é disso que trata a filosofia. E é o que leva à felicidade. Entenderam como tudo está linkado?
Por isso se neguem a comprar os best sellers de auto-ajuda rasos que estorvam as vitrines das livrarias. Se rendam à filosofia que esses pensadores modernos e inteligentes estão fazendo o favor de espalhar por aí. É o tipo de leitura que acaba ajudando a vida pela sabedoria de verdade.
Aí vão algumas dicas (ando numas de dar dicas, não sei porque...)
- Aprender a Viver (Luc Ferry)
- As Consolações da Filosofia (Alain de Botton)
- Como Proust Pode Mudar a Sua Vida (Alain de Botton)
- A Felicidade, desesperadamente (André Comte-Sponville)
07/04/2008 19:42:00
Dicas
Dei umas dicas legais para o www.zerohora.com/rsvip
Dêem uma olhada!
02/04/2008 20:02:00
O que ando ouvindo
Fight Test (Flaming Lips)
Feeling Good (Muse)
My baby Just Cares for me (Nina Simone)
Tomorrow is my turn (Nina Simone)
Old Yellow Bricks (Artic Monkeys)
Hey Joe (Jimi Hendrix)
Nicotine & Gravy (Beck)
Love is a Game (The Magic Numbers)
I see you you see me (The Magic Numbers)
Forever Lost (The Magic Numbers)
DVNO (Justice)
Staring at the sun (TV on the Radio, Diplo remix)
Paper Planes (M.I.A.)
XR2 (M.I.A.)
My Sweet Lord (George Harrison)
Hot Kiss (Juliette and the Licks)
The Slaughter (John Frusciante)
Deixa o Verão (Mariana aydar)
Stronger than Me (Amy Winehouse)
You know I´m no good (Amy Winehouse)
Wicked Game (Giant Drag)
Crips (Ratatat)
Cold shoulder (Adele)
Fly me to the Moon (Diana Krall)
Dance me to the end of love (Leonard Cohen)
Love, you should´ve come over (Jamie Cullum)
Devil Moon (Jamie Cullum)
Road Trip (Red Hot chili Peppers)
Layla - unplugged (Eric Clapton)
Give it to me (Timbaland)
Anyone else but you (The Moldy Peaches)
Raphael (Carla Bruni)
L´excessive (Carla Bruni)
L´amour (Carla Bruni)
01/04/2008 14:42:00
Amo a Elisa Lucinda!
"A vida não tem ensaio
mas tem novas chances
Viva a burilação eterna, a possibilidade:
O esmeril dos dissabores!
Abaixo o estéril arrependimento
A duração inútil dos rancores
Um brinde ao que está sempre em nossas mãos:
a vida inédita pela frente
e a virgindade dos dias que virão!"
28/03/2008 05:31:00
O Fim da Era Glacial
Finalmente consegui descongelar meu freezer! Depois de quase três dias de descongelamento, dois só para conseguir abri-la (para vocês verem que eu não estava mentindo quando contei meu drama), aqui está ela, limpa e linda.
Obrigada pelo leitor que deu a dica do secador de cabelo! Aliás obrigada pela preocupação de todos os leitores - um chegou a me abordar em pleno Planeta Atlântida perguntando "Como é que tá a tua geladeira?"
Não é ótimo isso?
27/03/2008 17:27:00
Bob Dylan, etc.
Páscoa em Punta: Eu & Fredi no Conrad, honeymoon as always/ show incrível do Bob Dylan/ companhia querida dos amigos Ferla & Ana/ Peninha do lado contando a história das músicas e chamando, aos gritos, o contido público de “múmias” por não terem a reação dele de mega-fã que já foi a mais de sessenta shows do velho/ arrepio e quase lágrimas em “Like a Rolling Stone”/ para variar, trago homérico na área vip do casino (Willy!!! Una vodka com sprite!!!)/ sol lindo, que eu não consegui usufruir por acordar tarde demais/ croissant com queijo brie/ vista linda, de chorar vendo/ redescoberta do barulho das ondas e a constatação de que eu tenho que conviver mais com a natureza/ janta com Marcito & Joana e o melhor vinho do mundo/ o melhor risoto do mundo/ a melhor sobremesa do mundo/ máquina nova comprada no free shop: vocês vão ter que agüentar meus vídeos e fotos de novo.
Bob Dylan que me desculpe, mas eu ainda prefiro o Hendrix...
24/03/2008 17:39:00
Sina
“ Adoro observar as pessoas. Eu gostava de almoçar sozinho, num hotel antigo de Salvador, para observar os freqüentadores. Entrava um sujeito com uma moça e, a depender de como conversavam, ele saía de lá como o prefeito de não sei onde, que enfrentava um problema terrível com sua mulher feiosa mas boa gente, e agora transava com aquela moça, sua secretária, que já pensava em chantageá-lo. Eu biografo as pessoas que vejo, especialmente casais. Só sei escrever assim.”
(João Ubaldo Ribeiro, hoje na ZH)
Me identifiquei tanto com isso. Meu processo é bem parecido, sou louca por analisar pessoas. Uma vez, para o estranhamento de todos, decidi sair de Londres (onde morava na época) e passar uma semana inteira sozinha em Nice, no sul da França, almoçando sozinha, jantando sozinha, dormindo sozinha – e observando. Eu estava hospedada numa ruazinha movimentada, cheia de restaurantes, e todas as noites tinha um cara que tocava músicas lindas no sax. Às vezes eu ficava deitada na cama, sem abrir a janela, só ouvindo e imaginando quem tocava, quem ouvia e o que acontecia lá fora. Essa solidão, seguida desse exercício involuntário de imaginação, é uma das coisas que mais me inspira.
Outras vezes, a inspiração surge apenas de uma energia, uma emoção que alguém deixa escapar pelos olhos ou por algum gesto, geralmente pelas coisas não ditas. Sou tomada por aquilo e única solução para me livrar é escrever (é aquela coisa do Bukowski: “the words I write keep me from my total madness”...). O mais estranho é que a coisa que eu escrevo depois não tem necessariamente a ver com a tal emoção captada da pessoa: aquele processo serviu apenas para abrir um canal.
Também não posso ver uma janela aberta que já espio, olho os quadros, os móveis, o computador, a televisão e todos os detalhes a que tenho acesso. E imediatamente imagino a vida inteira da pessoa que ali habita, seus momentos de solidão, seus medos, seus gostos, seus laços, suas perdas. E mais: me imagino ali. E é então que sinto uma leve dor por me desconectar da minha pele e entrar, nem que seja por um instante, na pele de outro. E dessa dor, geralmente surge algo inesperadamente bonito. Tenho essa mania louca, que me acompanha desde pequena, de me colocar no lugar dos outros.
Talvez daí venha minha ânsia pela escrita – essa minha prazerosa condenação.
04/03/2008 17:34:00
Para alegrar a vida
Road Trippin, do Red Hot Chilli Peppers
23/02/2008 03:04:00
Eu e a Geladeira
A geladeira aqui de casa surtou.
A parte do freezer congelou de uma forma bizarra, com minhas Stolichnayas dentro e tudo. Um horror. O negócio está tão sério que portinha não abre porque tem uma camada de gelo louca que não permite a abertura. Quando eu, chocada, conto para as pessoas sobre esse fenômeno, todos me perguntam: “Tu nunca descongelou a geladeira para limpar?”. Pergunta a qual respondo achando muito óbvio “Claro que não!”
Sim, moro há mais de três anos aqui nesse apartamento e nunca descongelei a geladeira, aliás nem sabia dessa prática. Mas, pelo jeito, as pessoas descongelam sim suas geladeiras e freezers para que tais coisas não aconteçam. Sou uma péssima dona de casa, sem noção, eu sei que é isso que vocês estão pensando. E agora estou com esse problemão: um freezer congelado tipo nada-entra-nada-sai e nenhuma perspectiva de solução, já que foi tentado desligar o negócio por um dia inteiro e o gelo permaneceu intacto, de tão evoluído que está o estágio da tragédia...
07/02/2008 02:32:00
Deixa o Verão
Estou viciada nessa música da Mariana Aydar, dica do meu amigo Nelson Motta. Música linda, letra linda (do Amarante, do Los Hermanos). Olha só:
Deixa o Verão
Deixa eu decidir se é cedo ou tarde
Espere eu considerar
Ver se eu vou assim chique à vontade
Igual ao tom do lugar
Enquanto eu penso você sugeriu
Um bom motivo pra tudo atrasar
E ainda é cedo pra lá
Chegando às 6 tá bom demais
Deixa o verão pra mais tarde
Deixa
Deixa o verão
Deixa o verão pra mais tarde
Não to muito afim de novidade
Fila em banco de bar
Considere toda hostilidade
Que há da porta pra lá
Enquanto eu fujo você preparou
Qualquer desculpa pra gente ficar
E assim a gente não sai
Esse sofá ta bom demais
deixa o verão pra mais tarde
Deixa
Deixa o verão
Deixa o verão pra mais tarde
Deixa eu decidir se é cedo ou tarde
Espera eu considerar
Ver se eu vou assim chique à vontade
Igual ao tom do lugar
Enquanto eu penso você sugeriu
Um bom motivo pra tudo atrasar
E assim a gente não sai
Esse sofá tá bom demais
Deixa o verão pra mais tarde
06/02/2008 01:07:00
Almost Famous
Amo essa música. Amo essa cena. Amo esse filme.
01/02/2008 03:51:00
Praia
Eba! Estou indo para a Torres, pegar um sol e relaxar. Eu e o meu amor.
é tudo o que eu estava precisando...
25/01/2008 15:02:00
Enquanto isso, na Sala de Justiça...
Mas, para que eu não passe a falsa impressão de que minha vida esteja sendo apenas crises e incêndios, quero dizer uma coisa: meu livro novo está ficando lindo e criativo, um super desafio, porque escrever um romance bom não é bem assim, né? A história é muito boa. Pede, implora para ser um romance. Fazer dela só um conto seria sacanagem demais...
25/01/2008 04:41:00
Fim de Jogo
Era sábado e eu estava bem tranquila assistindo a atuação incrível do meu talentosíssimo amigo Zé Adão Barbosa na peça “Fim de Jogo”, do Beckett. Saio do teatro, ligo meu celular, que estava obviamente desligado antes, e vejo mil chamadas da minha irmã. O motivo? Meu bar, meu querido Casa de Lou-lou, tinha pegado fogo. Pegado fogo MESMO, perda total.
Pois é. Estou de luto pelo meu barzinho que tanta alegria me deu. Até botamos faixas pretas na grade porque é muito deprê ver os resultados do incêndio e não queremos que ninguém mais tenha esse desprazer.
E agora é lidar com as muuuuuuuuuuito chatas questões burocráticas e discussões com sócios. Aliás, uma lição nessa função toda eu tive: sociedade é o maior dos problemas e acaba amizades. Sério. Fique longe disso.
25/01/2008 04:26:00
A Crise dos Vinte e Muitos Anos
Fiz 28 anos no dia 19 de dezembro e surtei.
Sim, ao contrário dos 26 e 27 (que me faziam sentir só de leve a sensação de estar indo para o “lado de lá”), os 28 anos me levaram a uma série de sensações confusas e desagradáveis que nem eu mesma estou entendendo. Eu, a mulher das respostas, me deparei sem justificativas para tal surto. Para tentar detectar o problema, fui por eliminação: sou feliz profissionalmente, não tenho problemas em relação a minha aparência, sou feliz amorosamente, tenho uma casa linda lúdica, tenho uma gatinha que eu amo, estou escrevendo meu novo livro que, pelos meus cálculos, vai ser bem legal....então o que está errado?
Nada. Mas tinha que ter alguma coisa, porque a chegada dessa idade estava caindo como um chumbo nos meus ombros. Comecei a me sentir, de súbito, com medo do futuro, a sentir uma consciência excessiva (sim, consciência excessiva pode ser negativa) do meu papel no mundo e ao mesmo tempo dúvidas, muitas dúvidas sobre o fato de eu estar ou não o exercendo bem. Comecei também a fazer perturbadoras retrospectivas analíticas da minha vida até aqui (coisa que começou no ano passado – notaram o quanto eu falei da minha infância nos textos?), vendo aqueles filminhos que passam na nossa cabeça quando a gente morre, sabe?. Pois é, eu também não sei porque não morri, mas deve ser algo assim. O que eu queria afinal? Para que eu vim para esse mundo? O que ia ser de mim daqui para frente?
Sim, crise existencial das mais profundas.
Eis que me lembro do tão falado Retorno de Saturno, que acontece entre os 28 e os 30 anos da mulher e a leva a questionar toda sua vida. É quando o planeta em trânsito se posiciona no mesmo local em que ele estava no momento de nascimento da pessoa, iniciando uma nova volta em torno do zodíaco. Fui para o google saber mais e encontrei essa ótima explicação da astróloga Márcia Mattos:
“Novamente, como em todo trânsito de Saturno, ocorre um doloroso rito de passagem, envolvendo responsabilidades, desta vez, maiores do que nunca. A partir deste período, muitas coisas, que antes eram parte de uma gama de opções, se tornam definitivas. É o momento de determinar o que vai dar impulso aos próximos 28 anos e tudo o que é decidido tem sua repercussão e conseqüência.
Este período representa também o fechamento sobre todo o passado de dependência familiar, uma liberação final de tudo que ligava às servidões da infância e da adolescência, uma aquisição definitiva de autonomia. (...)É a chegada definitiva da certeza da sua responsabilidade em relação aos outros, em que se procura gerar confiança em que os cerca e se começa a pensar seriamente no futuro. É o primeiro contato com a sensação de que o tempo passa e que a velhice não tarda a chegar, por isso a intensificação das cobranças internas. Não é mais tempo para ilusões e sim para definições. Nesta época, as pessoas começam a adquirir um senso de responsabilidade não apenas para si próprios, mas também para aqueles que o cercam. Começa-se a perceber que as suas decisões terão influência na vida daqueles que amam. (...) A crise provocada por Saturno sempre é complicada, já que mexe com assuntos como o tempo e a idade, fracasso, frustração ou sucesso. Todos estes aspectos são muito angustiantes porque abalam a auto estima de cada um.”
É isso aí. Estou iniciando meu Retorno de Saturno à todo vapor.
Acho que a parte que mais me pega nessa explicação toda é a que diz que “muitas coisas, que antes eram parte de uma gama de opções, se tornam definitivas”. Agora eu estou numa idade em que, por exemplo, não posso começar de novo profissionalmente e ser, sei lá, psicóloga. Não que eu queira, que fique BEM claro, mas se eu quisesse, não podia. Isso é novo para mim, entende? E com o tempo só vai piorar. É um novo ciclo, de olhar para o futuro, se sentir dono e responsável pela sua história.
Bom, vou acabar por aqui antes que vocês me mandem ir ouvir um Renato Russo nesse clima “quero me encontrar/mas não sei onde estou...” ou ler algum filósofo existencialista chato.
De qualquer forma, obrigada pela atenção. Esse texto me poupou uma hora de análise.
22/01/2008 14:02:02
Aos Meus Amigos
Acabei de ver o primeiro capítulo da mini-série da Globo "Queridos Amigos", da Maria Adelaide Amaral. A história é baseada num livro da própria Maria Adelaide pelo qual eu sou APAIXONADA. Se chama "Aos Meus Amigos" e a trama é um pouco diferente, mas tem o mesmo tema. Vale a pena, corram para a livraria e comprem, é absurdamente lindo.
Outro livro muito bom da mesma autora: "Luisa - quase uma história de amor".
Estou indo para o Ossip, amanhã escrevo mais!
18/01/2008 00:07:00
Caio F.
Voragem, vórtice, vertigem:ego. Farpas e trapos. Quero um solo de guitarra rasgando a madrugada. Te espero aqui onde estou, abismo, no centro do furacão. Em movimento, águas.
10/01/2008 23:31:00
Sobre o Desejo
Nunca me deixei ser tomada pelo espírito natalino, o Natal e toda sua suposta energia nunca me tocaram muito. Depois que eu descobri que Papai Noel não existe, passei a não ver mais sentido em tanta emoção. No entanto, no Ano Novo fico à flor da pele, com retrospectivas rodando na minha cabeça, faço o balanço de erros e acertos e, o mais importante de tudo, faço planos, muitos planos para o ano que está por vir. A proximidade dessa página em branco me intriga, me estimula, me dá vontade de viver, de ser uma pessoa melhor ainda, como se à meia noite fosse possível – e não é? – ao invés de ver a carruagem voltar a ser abóbora, como na fábula, nos tornarmos versões melhores de nós mesmos.
Então fico lúdica e sonhadora e meus finais de ano são assim, cheios de sonhos e alegrias. Alegrias essas que me levam a crer que o que move a vida é isso: o desejo.
Alguém disse, acho que foi o Tenesse Williams, que “o oposto da morte é o desejo”. Porque desejar é não estar estagnado, desejar é sentir o sangue correndo quente nas veias. Desejar é ter esperança.
Por isso, nesse final de ano, faço minhas as palavras da Rita Lee numa entrevista que ela deu à última Rolling Stone:
“Nunca estive tão feliz em toda a minha vida. Feliz para caramba. Feliz, but I still can´t get no satisfaction, and I like it, like it, yes I do. Se a gente ficar satisfeita, é melhor morrer, né não?”
Um feliz 2008 para todos vocês que me lêem! Um ano cheio de desejos e esperança!
27/12/2007 17:40:00
Meu Casamento
"Não fosse isso, era pouco
Não fosse tanto, era quase"
(Leminsky)
Foi perfeito.
Com direito a tatuagem feita na hora pelo meu querido amigo Edu Tattoo, votos escritos por nós mesmos e lágrimas infinitas dos convidados. Foi uma catarse coletiva.
Se quiserem ver mais fotos, entrem no site do fotógrafo www.tiagotrindade.com.br - lá tem fotos e texto contando tudo.
22/12/2007 19:07:00
Olhos de Cadela
Andei folheando de novo o livro "Olhos de Cadela" (L&PM), da minha amiga e grande poeta Ana Mariano e achei coisas lindas - como ela escreve bem! Olha que lindo isso aqui:
Desamparo
Um fio apenas me mantém ereta
Faz com que eu desperte eterna, diuturna,
invada o circo, enfrente a platéia,
encare o dia e sorria marionetes.
Luzes se ascendem, são velas
prometidas. Ao coro dos que passam
me reúno e inicio a faina delicada
de lavrar, em ferro e vidro
Ensaio, em mim, saltos, piruetas,
desafio o que me sustenta.
A arena é comum.
Inarredável e sem rede.
Desamparo.
Um fio apenas me enternece
a força pendurada, filamentos
de fuga, ponta de estrela
dançando nas correntes
10/12/2007 23:04:00
Tudo Que Você Não Soube
Acabei de ler “Tudo que você não soube”, novo livro da Fernanda Young. A obra consiste basicamente numa carta que a personagem escreve para o pai que está morrendo – uma carta contando “tudo que ele não soube”, uma carta dolorida, cheia de rancor e amargura, passando pela ironia e beirando a crueldade. Tem humor? Tem. Tudo da Fernanda Young tem um pouco de humor, principalmente nas digressões da personagem, mas definitivamente não é um livro leve, pelo contrário. Na carta a protagonista culpa o pai e a mãe pela pessoa que se tornou (coisa tão freqüente nas relações familiares) e tenta achar explicação para o que fez no passado do qual tenta fugir até hoje: ter agredido seriamente a mãe numa briga.
A primeira coisa que me veio à mente foi o início de um filme que vi no qual o personagem, antes de começar a contar suas memórias, dizia: “não vou contar as coisas como aconteceram, mas sim como eu as lembro.” Sim, há um abismo entre os fatos e a maneira como os recordamos – guardamos na memória as coisas com as cores e molduras que escolhemos. E é isso que lemos no livro. Sem o julgamento ou distanciamento de um narrador onisciente, a personagem conta ela mesma seu complicado passado da maneira como ela o registrou e nos deixa com inúmeras perguntas. O pai era mesmo um monstro? A mãe era tão má com ela? Ou ela era apenas um drogadita-adolescente-mimada que surtou? Suas dificuldades vem mesmo da maneira como ela foi criada?
É uma sensação parecida com a que temos ao ler “Dom Casmurro”, quando acabamos o livro sem saber se a traição da mulher tinha acontecido de fato ou era apenas paranóia dele. Aí que entra a grande questão: existem “fatos” ou apenas diferentes visões sobre o que acontece? Como diz Camus, para toda razão há sempre outra razão que a oponha, ou seja, o que existem são versões. E nós sempre acreditamos nas versões que criamos sobre nossa história, principalmente no que diz respeito à nossa família. Toda relação familiar é problemática, até as que pensam não ser. E não há como ser diferente: mal nascemos e caímos direto nas mãos de duas pessoas que têm total liberdade para nos moldar à vontade. Duas pessoas que têm seus traumas, suas neuroses, duas pessoas que têm as suas versões para o mundo. Daí crescemos nós, produtinhos dessas neuroses, até chegar numa idade em que adquirimos nossas próprias neuroses e visão de mundo – e é então que já não são mais dois seres batendo cabeça com suas “certezas” e diferentes “lentes”, mas três. Essa é a inexorável dialética das relações familiares.
Tem um momento do livro que para mim é muito revelador. Quando o final se aproxima, ela conta que havia transformado em foto uns slides antigos, que mostravam ela criança, com a família. Diante das imagens que a retratavam leve e sorridente, brincando, pulando corda, se divertindo com os mesmos pais que ela se dirige com tanto ódio, ela diz: “é tão assustador...hoje me dei conta de que fui feliz, antes até do que eu imaginava” . E é então que vemos a relatividade do relato – não só do dela, mas o de qualquer relato. Os slides eram outra versão dos fatos, talvez algo parecido com a narração onisciente que não há no livro. Onde estava a verdade? Na felicidade dos slides? Nas coisas que ela contava com tanto ódio e rancor? Estava em lugar algum ou em todos. Assim como na vida, não existe a verdade.
E é assim, sem redenção, que chegamos às últimas páginas. Com a certeza de que, como já disse Woody Allen “a vida só depende da maneira como iremos distorcê-la.”
06/12/2007 22:08:00
SIM
“The gratest thing you will ever learn is just to love and be loved in return”, frase da música “I`m glad there is you”, música linda, rasgadamente romântica (estou ouvindo ela agora mesmo em versão instrumental do Chat Baker). Sabe que é verdade mesmo? A frase, eu digo. É verdade sim: porque aprender a amar e se deixar ser amada é de fato uma das coisas mais complexas da vida, embora frequentemente a gente ache que não (eu, com minha veia de cronista, estou tentada a ficar horas dissertando sobre o assunto, mas esse post não é para isso). Então, quando a gente sente que chegou nesse nível sublime de consciência da arte de amar (que vem de um longo aprendizado) e se vê imersa numa sintonia única, é inevitável que algo grandioso aconteça.
Eu aprendi.
Ele aprendeu.
E a gente vai casar.
Sim, estamos a menos de um ano namorando, mas na relação mais intensa da vida, 24 horas por dia juntos desde o primeiro dia em que ficamos, criando juntos, viajando muito pelo mundo, rindo, nos emocionando, flutuando numa viagem romântica que só a gente entende. Descobrimos juntos que carência excessiva não é mais uma das questões a serem tratadas na análise – carência pode e deve ser suprida, é só achar a pessoa certa.
E a gente achou.
Então, no meio de dezembro a noiva mais louca que essa cidade já viu entrará feliz da vida pelas portas do Country Club e casará numa cerimônia única.
Mandei as convidadas mulheres irem vestidas de branco, pois eu vou de outra cor. A cerimônia não vai ter padre nem juiz, mas seguirá um ritual inventado por nós dois. Artístico e poético, claro. Nada convencional, como a gente. E no convite a gente avisa: é mais que uma casamento – é uma união autêntica entre duas pessoas que não seguem, mas criam.
27/11/2007 00:10:00
Frase linda
"Não perturbe o tornar-se"
(Deleuze)
20/10/2007 23:11:00
Vertigem
"O que é vertigem? Medo de cair? Mas porque temos vertigem num mirante cercado por uma balaustra sólida? Vertigem não é o medo de cair, é outra coisa. É a voz do vazio debaixo de nós, que nos atrai e nos envolve, é o desejo da queda do qual nos defendemos aterrorizados."
(Milan Kundera, "Insustentável Leveza do Ser")
18/10/2007 19:10:00
Das Coisas Sublinhadas
Não consigo ler um livro sem sublinhar meus trechos preferidos. É minha maneira de me apropriar dele, como se ali, através daquelas frases marcadas, se revelasse a MINHA visão da obra e a conexão da obra com a minha vida. Por isso, sempre achei que ler as frases sublinhadas do livro de alguém é algo tão íntimo que chega quase a ser invasivo.
Hoje acordei cedo (coisa rara) e fiquei perambulando pela casa, bem leve & silenciosa, pegando alguns livros lidos e relendo alguns trechos sublinhados.
Vou colocar alguns aqui, vou deixar vocês me invadirem.
“Peixe cego ignorante de meu caminho inevitável em direção ao outro que contemplo de longe, olhos molhados, sem coragem de tocá-lo. Alto de noite, certa loucura, algum álcool e muita solidão. Quero mais uísque, outra carreira. Tudo aos poucos vira dia e a vida – ah, a vida – pode ser medo e mel quando você se entrega e vê, mesmo de longe.”
(Caio F. Abreu, “O Rapaz mais triste do mundo”)
“Uma coisa:
Tem tanto que você não sabe sobre mim – coisas que eu não te contei – por exemplo, que eu tenho uma família, que eu acredito que exista um Deus, que um dia eu fui criança – e que eu já me apaixonei duas vezes e que nenhuma delas durou. Mas o que importa isso, no final, se você está sozinho? Qual é a nossa memória? Qual é a nossa história? Até que ponto uma parte de nós é a paisagem e até que ponto nós somos parte dela?”
(pg. 123, “Life After God”, Douglas Coupland)
“Pensei em como, todo dia, cada um de nós experimenta alguns poucos momentos que têm apenas um pouquinho mais de ressonância do que outros – ouvimos uma palavra que permanece na nossa mente -, ou talvez tenhamos uma pequena experiência que nos puxa para fora de nós mesmos, mesmo que brevemente – estamos num elevador de hotel junto com uma noiva de véu, digamos, ou um desconhecido nos dá um pedaço de pão para alimentar os patos selvagens na lagoa; uma criancinha começa a conversar com a gente numa lanchonete (...). E se fôssemos reunir esses pequenos momentos num caderno de anotações e guardá-los por alguns meses, veríamos certas tendências emergirem de nossa compilação – surgiriam certas vozes que têm tentado falar através de nós. Perceberíamos que estávamos tendo uma outra vida, uma vida que nós nem sabíamos que estava acontecendo dentro de nós. E talvez essa outra vida seja mais importante do que aquela que consideramos real – esse mundo atormentado, de ruídos e metais. Então talvez sejam esses pequenos momentos silenciosos os verdadeiros acontecimentos que fazem a história de nossas vidas.”
(pg. 146, “Life After God”, Douglas Coupland)
“...amor será dar de presente um ao outro a própria solidão? Pois é a coisa mais última que se pode dar de si”
(Clarice Lispector, "A Descoberta do Mundo", pg 418)
18/10/2007 11:49:00
Medo
Se eu pudesse escolher uma coisa para eliminar dentro de mim, escolheria o medo. Sim, esse sentimento inútil me acomete mais do que eu gostaria – sou uma medrosa assumida, às vezes beirando a paranóia. Sinto muito medo de avião, por exemplo, sempre senti. Fico tensa do início ao fim da viagem, imaginando horrores, sempre acho que entre os milhares de vôos no mundo, é justamente o meu que vai cair. Também, quando estava na Europa, tinha certeza de que aconteceria um atentado logo no meu vagão do metrô. Tenho medo de certas situações em público, mas escondo bem. Tenho medo de assalto, de doença (hipocondríaca total), de estrada, e muito, muito medo de morrer, porque amo a vida demais.
Tenho também um certo pânico diante da página em branco. A escrita, que é o que mais me dá prazer, ironicamente (mas compreensivelmente) é o que mais me aterroriza.
Sempre fui uma pessoa instável e atormentada (no sentido positivo e no negativo) e o medo (assim como a culpa) sempre foi um dos meus “pontos a trabalhar na análise”, mas só esse ano fui perceber isso.
No entanto, há momentos como esse aqui-agora, em que, sentada no computador, olhando para o sol lá fora e ouvindo o sino da Igreja aqui perto, sou inundada por uma paz inexplicável, uma ilha em meio ao caos interno, como se estivesse naquele estágio em que o Rivotril está batendo e a calma chegando aveludada dentro da gente. Sabe?
17/10/2007 17:53:00
Meu Retrato Celular
Eu já expliquei o que é Retrato Celular, né? Relembrando: é a série-reality, da qual eu participo, com direção geral do Andrucha Waddington que está rolando no Multishow toda terça às 21:45. Bom, nessa terça próxima, dia 2 de outubro vai ao ar o episódio que aborda a minha vida. Dêem uma olhada, quem curte meu blog certamente vai curtir o programa.
Tive que ficar uma semana com um celular com câmera muito foda da Nokia e filmar minha vida durante esse período. Chegou um momento em que eu me acostumei tanto a filmar, que não queria parar mais. Talvez por isso filmei tanta coisa da minha viagem no youtube, depois. Viciei, fazer o quê?
Mas o recado tá dado: terça que vem, 21:45, canal Multishow. Não percam!
Se quieserem ter uma prévia do programa, é só ir em http://globosat.globo.com/multishow e clicar no Retrato Celular.
26/09/2007 20:49:00
A Incrível Privada Japonesa
Falei, falei da viagem e esqueci de contar uma coisa importantíssima: a privada japonesa é a coisa mais moderna e interessante que eu vi no Japão! Sério. Tão legal que eu fiz um videozinho lá no dia de chegada. Vou postar o vídeo aqui para vocês terem noção do que eu falo. Só não reparem na minha cara acabada de quem viajou 24 horas, ok?
26/09/2007 20:27:00
Céu e Frusciante
Um não tem nada a ver com o outro, mas estou apaixonada pelos dois: a cantora Céu e o John Frusciante.
Tenho ouvido tanto, tanto, tanto que estou com medo de enjoar daqui a pouco.
Frusciante é O CARA, ninguém tem a sensibilidade e a melancolia que ele tem. Já é incrível ouvi-lo tocando guitarra no Red Hot Chili Peppers, mas nos discos solo, nos quais ele compõe, canta e toca é absurdo. “To Record only Water for Ten Days” é o melhor. “Shadows Colide With People” também é ótimo. Alma jorrada, entregue, sangue escorrendo da maneira mais poética possível. Dá vontade de voar, de criar, de viver sem ressalvas. Vá lá agora: www.johnfrusciante.com
Céu é uma das coisas mais autênticas e improváveis que surgiram no Brasil no momento.Ela podia ser uma imitação da Marisa Monte, mas não é. Podia ser uma mpb-com-música-eletrônica, mas não é. Tampouco vai nessa onda de cantoras nostálgicas que simplesmente cantam “samba antigo” sem inovar. Então o que é ela? Não sei explicar, só ouvindo. É uma mistura louca de sonoridades e uma voz com muita personalidade. O cd (que fiz questão de comprar) é todo bom, mas estou apaixonada pelas músicas “Malemolência”, “Lenda” e “Roda” – baixem para ter uma noção do que estou falando.
E olha que bonito isso aqui, está na letra da música “Bobagem”:
"Minha beleza
Não é efêmera
Como o que eu vejo
Em bancas por aí
Minha natureza
É mais que estampa
É um belo samba
Que ainda está por vir"
14/09/2007 16:10:00
Vinícius e eu
Revi ontem o documentário sobre a vida de Vinícius de Moraes, entre o deslumbramento e a preocupação. Deslumbramento por ver naquela vida recheada de paixão e leveza um ideal (cada vez mais me convenço de que nasci na época errada, pensei isso quando li a biografia de Tarso de Castro também). E preocupação por sentir que eu, com a tal da maturidade (essa faca de dois gumes) estou perdendo muito daquela inocência, aquela ingenuidade tão linda que eu via escancarada nele, mesmo à beira da morte.
Senti isso ao reler, esses dias, meu primeiro livro (“De Abismos e Vertigens”), escrito aos vinte e dois anos. Hoje, aos vinte e sete, ele me pareceu absurdamente adolescente e infantil. Não só na maneira de escrever (na qual é normal uma evolução), mas no conteúdo, nas preocupações, nas emoções da quais muitas me soavam ingênuas e sentimentais. Autocrítica excessiva? Talvez. Mas também um certo senso de desmistificação da vida, que eu não tinha na época em que escrevi o livro, mas hoje tenho. E será isso bom? Acho que não. Foi essa a conclusão à qual cheguei vendo, ontem, retratada aquela vida tão cheia de esperança. Sim, porque era disso que se tratava a vida de Vinícius: esperança e crença. Ele dizia: “é melhor crer do que ser cético”. Ele acreditava no amor e no sofrimento, simplesmente acreditava na magia da vida e das emoções. Ao invés de amadurecer com o tempo, ia no caminho inverso – começou a vida velho e sério e foi se tornando um adolescente. Morreu um menino.
O ato de “amadurecer” é incrivelmente superestimado no mundo em que vivemos. Quem disse que ficar mais maduro é sinônimo de ficar mais feliz? Claro que em certos aspectos se tornar adulto é imprescindível, mas na arte e na vida às vezes é um empecilho, é como se apagassem uma luz dentro de nós, como se colocassem em nossos olhos uma lente preta e branca. Vinícius não teria escrito tantas sublimes poesias se não tivesse essa ingenuidade, nem teria amado tão ardorosamente tantas mulheres se não acreditasse na ingenuidade da paixão. Acreditar em certas coisas depois de uma certa vivência não é muito fácil. A vida nos caleja de forma que desmistificar a vida é quase inevitável. Ele, no entanto, driblou lindamente essa questão – a realidade só lhe dava mais energia para ver poesia nas coisas.
O problema é que a gente se poupa. Vai se poupando de um sofrimento ali, outro aqui e, quando vê, está anestesiado. Não só para os mortos da guerra ou da queda do avião, não só para o pobre cavalo mal tratado puxando uma carroça ou para menino miserável pedindo esmola, mas também para amar, para o sofrimento necessário, para se emocionar com a vida, para ver beleza no lúdico, para SENTIR.
“Quero minha ingenuidade inteira de volta”: era só isso que eu pensava enquanto assistia deslumbrada aquela vida de entrega, imersa em poesia transbordante.
O documentário fez efeito. Acabei de vê-lo, me sentei e, num clima bem bossa nova, escrevi um belo poema de amor, sentindo que felizmente, para certas almas, esse início de perda de ingenuidade é reversível. Mas em todo caso, estarei engajada daqui para frente na tentativa de “desamadurecer” ou melhor, “re-adolescer”. Engajada, como diz Vinícius, numa irredutível recusa à poesia não vivida.
07/09/2007 21:10:00
Retrato Celular
Hoje começa a série-reality-show do Multishow, RETRATO CELULAR(http://www.retratocelular.globolog.com.br), da qual eu estou participando. Vai ao ar por oito terças-feiras. O episódio de hoje é só a apresentação dos 34 participantes. Nas terças seguintes serão abordadas as vidas de três participantes por episódio. O meu é no dia 2 de outubro.
O programa tem direção geral de Andrucha Waddington e música tema de Gilberto Gil.
aí vai o clip:
04/09/2007 20:20:00
Mais
03/09/2007 22:51:00
Mais Johnatan Meese
03/09/2007 22:49:00
Johnatan Meese
03/09/2007 22:42:00
Suécia
03/09/2007 22:34:00
Naxos, Grécia
03/09/2007 22:30:00
Tokyo
03/09/2007 21:47:00
No bar do hotel
Escrevendo no bar do hotel.
Se você for para Amsterdam tem que ficar lá!
http://www.greenhouse-effect.nl/index2.html
É hotel, bar e coffee shop
03/09/2007 21:45:00
A Viagem - parte 2
De Amsterdam fomos para Berlin, que, apesar de ser menos legal do que eu esperava, tem um bairro ótimo chamado Mitte, na parte leste da cidade. Fomos recebidos pelo Daniel, amigo dj alemão que nos levou nos lugares mais incríveis, incluindo uma pizzaria comandada por punks e o Cookie´s, onde vimos o dj Tiga tocar. Depois de uns dias lá fomos para o lugar mais lindo do mundo: Grécia. Ficamos em Naxos, uma ilha onde os brasileiros não costumam ir, e nos apaixonamos pelo lugar. Aquela vida paradisíaca de acordar, tomar café na varanda de frente para o mar, ir para a praia, ficar amigo do dono do hotel, dos garçons do restaurante onde sempre comíamos, uma vida de pequenos e grandes prazeres. A comida é a melhor possível, o mar inacreditavelmente azul turqueza, o povo simpaticíssimo e uma energia inexplicável. Conhecemos duas ilhas lindas (dicas do nosso amigo Rogerinho, que encontramos no aeroporto, antes de ir), praticamente desabitadas: Iráklia e Koufunísia. Paraíso, paraíso, paraíso. Não existe melhor sensação que vivenciar aquilo. Saí da Grécia com uma dor no peito de deixar tanta beleza. Indo embora no barco, por uma daquelas sincronicidades bonitas da vida, estava lendo um livro do Geoff Dyer que descrevia algo bem perto do que eu sentia no momento: “Há alguma coisa que se sente quando se vai embora de um lugar a bordo de um pequeno barco – alguma coisa no movimento das ondas, no barulho do motor: é como se você deixasse sua vida para trás e, ainda assim, por fazer parte dessa vida que deixou para trás, uma parte sua permanecesse ali. (...) Tudo era uma lembrança, tudo acontecia no mesmo presente estendido e tudo ainda estava por vir.”
Podia acabar aqui, com essa frase linda, né?
Mas ainda tem a Dinamarca e a Suécia.
Nossa passagem pela Dinamarca foi literalmente uma passagem. Um dia e uma noite, só para logo pegar um trem para a Suécia. Mas foi inesperadamente produtiva. Saindo do avião tivemos uma idéia para mais uma música ( a primeira que escrevemos juntos para a Comunidade Nin-jitsu, óbvio, vai sair na compilação Neo Funk, pela Som Livre.). Foram tantas as idéias, que eu tive que pegar meu “caderninho de idéias” e começar a botar tudo no papel. Resultado: éramos dois loucos a caminho da esteira para pegar a mala, bem empolgados, escrevendo e rindo muito da letra engraçadíssima. Chegando no hotel a gente se jogou no quarto e acabou a música, que ficou bem legal.
A Suécia é um lugar muito louco, com clubs que fecham as três da manhã, mas cheios das pessoas mais animadas que eu vi na vida. Amei o povo sueco. A segunda noite, em Malmo, numa festa super conhecida lá (The Rumble) foi absurda. Dançamos muito, ficamos amigos de uma dupla canadense (dj e MC) divertidíssima que tocou lá no mesmo dia (Thunderheist, procurem no Myspace, é foda), fomos para um after louco clandestino comandado por chilenos (!) e acabamos nos sentindo como se morássemos lá a vida toda. No fim, chegamos à conclusão de que aquela tinha sido a noite mais divertida dos últimos tempos, fechando com chave de ouro nossa viagem
03/09/2007 21:26:00
A Viagem - parte I
É tanta, tanta coisa para contar sobre a viagem que dá até preguiça. Preguiça pelo inevitável: como diz Gabriel Garcia Márquez, a gente nunca conta algo como é, mas sim como a gente lembra- daí a agonia que dá diante da insuficiência que é contar. Só posso passar adiante a minha lembrança, que nunca terá a força da vida vivida.
Então dá preguiça. Dá para entender?
Mas vamos lá.
Tudo começou quando o Fredi foi convidado para tocar no Japão no final de julho. Convite que foi seguido por outro, tocar na Suécia no fim de agosto. Nos olhamos e, impulsivos que somos, imediatamente decidimos: vamos fazer uma volta-ao-mundo, uma lua-de -mel louca entre (e durante) as duas datas. Se o dinheiro ia dar? Depois a gente descobria. Então nos mandamos, começando pelo Japão, o lugar mais intrigante que já vi na vida. Imaginava sempre Tokyo inevitavelmente mais ocidentalizada e, para a minha surpresa, o que encontrei foi uma cidade absurdamente japonesa: cardápios somente em japonês, sem tradução, garçons que não falam inglês, só comidas japonesas até mesmo em postinhos de fast food. Achei fantástico achar no mundo um lugar que definitivamente não se americanizou. Porque no resto do mundo existem muitos pontos de identificação, o ocidente é, em essência, muito parecido. Fui comprovar isso depois, pulando de país em país. Eu que adoro me descontextualizar, adorei me sentir em outro planeta como me senti no Japão: foi o auge da descontextualização. Deu vontade de ficar mais, de estudar a história do lugar, de fazer amigos japoneses, de aprender japonês. Saí de lá com um profundo respeito por aqueles seres tão educados, respeitosos e diferentes de mim. O Fuji Rock na cidade de Naeba (onde o Fredi tocou) foi o festival mais incrível que já vi na vida: Iggy Pop, Justice, the Cure e mais muita coisa legal. Escrevi tudo na Bizz, naquele link que já tinha colocado aqui para vocês.
De lá fomos para Amsterdam. Eu já conhecia, mas dessa vez, ficando lá seis dias, tive outra perspectiva. É a cidade mais linda que eu já vi, sob o ponto de vista arquitetônico. Por outro lado tem toda essa cultura onipresente da maconha, reggae, Bob Marley (com a qual eu definitvamente não me identifico). Tem a coisa da putaria que eu acho interessante: é ótimo ver as famílias, com velhos e crianças passeando tranquilamente na red light zone, coexistindo com as putas se oferecendo na vitrine. É tão normal que as pessoas as olham como se fossem bichinhos no zoológico. Da mesma forma reagem com as centenas de sex shops. É um lugar lindamente livre, tinha tudo para ser uma baderna e não é. Saindo um pouco do centro dessa cidade minúscula, tem umas ruazinhas super culturais, cheias de galerias interessantíssimas. Vi uma exposição incrível do alemão Johnatan Meese, uma das coisas mais legais que vi em termos de arte nos últimos tempos. O cara mistura fotos, imagens dele, textos e tinta em instalações pós-modernas over interessantes. Fazia tempo que não via alguma coisa que me deixasse empolgada no atual cenário da arte contemporânea. Saí de lá com vontade de criar – e isso é um dos belos efeitos que uma arte de impacto tem sobre outro artista.
Daqui a pouco conto o resto...
03/09/2007 20:13:00
Paraíso
Estou na Grécia. O mais próximo do paraíso que já cheguei.
14/08/2007 07:44:08
Na Bizz
Confiram a cobertura do Fuji Rock Festival (Japao) que fiz para o site da revista Bizz!
http://bizz.abril.com.br/home/
04/08/2007 04:22:20
Universo Paralelo
Estou em Amsterdam, escrevendo de um Coffee Shop! cheguei ontem do Japao (!) onde fiquei quatro dias. Depois explico essa loucura toda, vou ficar viajando pela Europa ate dia 20 de agosto, mas prometo postar antes disso contando tudo! Tenho muita coisa para contar, ando absorvendo tanta coisa interessante que parece que estoun aqui ha mil dias...
31/07/2007 02:23:00
Dos que ardem...
Eu não gosto do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto
Eu agüento até rigores
Eu não tenho pena dos traídos
Eu hospedo infratores
E banidos
Eu respeito conveniências
Eu não ligo pra conchavos
Eu suporto aparências
Eu não gosto de maus tratos
Mas o que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto
Eu agüento até os modernos
E seus segundos cadernos
Eu agüento até os caretas
E suas verdades perfeitas
Eu agüento até os estetas
Eu não julgo competência
Eu não ligo pra etiqueta
Eu aplaudo rebeldias
Eu respeito tiranias
Eu compreendo piedades
Eu não condeno mentiras
Eu não condeno vaidades
O que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Não, não gosto dos bons modos
Não gosto
EU GOSTO DOS QUE TEM FOME
DOS QUE MORREM DE VONTADE
DOS QUE SECAM DE DESEJO
DOS QUE ARDEM
("Senhas", da Adriana Calcanhoto)
19/07/2007 01:22:00
PapoCabeça no meu bar
Apareçam & repassem! Vai estar foda, garanto.
Nessa quarta, dia 11, tem PapoCabeça na Casa de Lou-lou. Dessa vez, mais
convidados e mais polêmica. Alice Urbim (jornalista), Fredi Endres
(guitarrista da Comunidade Nin-Jitsu e produtor musical), L. Potter (rádio
Atlântida e TV Com) e Lê Silvello (empresário da Ultramen e do Wander
Wildner) se juntam para debater o MACHISMO nos dias de hoje. Mediação da
Carol Teixeira.
O quê? debate pop-filosófico que acontece mensalmente na Casa de Lou-lou.
Quando? dia 11, quarta
Hora? 20:30
Onde? rua Mariante 170
Quanto? R$ 5,00
Chegue cedo para pegar mesa!
Após o PapoCabeça, vai rolar um pocket show especial Jimi Hendrix, reunindo
os irmãos Nando e Fredi Endres + o ex-parceiro de Comunidade Nin-Jitsu,
Pancho (Pedrada Afu). Re-união imperdível !
09/07/2007 00:21:00
Caio F, again
“Devia ser sábado, passava da meia-noite.
Ele sorriu para mim. E perguntou:
- Você vai para a Liberdade?
- Não, eu vou para o Paraíso.
Ele sentou-se ao meu lado. E disse.
- Então eu vou com você.”
07/07/2007 17:31:00
Little Wing
A música que melhor define o melhor de todos os meus lados.
Little Wing, do Jimi Hendrix.
"Well, she's walking through the clouds
with a circus mind
that's running wild.
Butterflies and zebras and moonbeams
and fairy tales,
That's all she ever thinks about ...
Riding with the wind.
When I'm sad, she comes to me
with a thousand smiles.
She gives to me free.
It's alright, she says,
it's alright.
Take anything you want from me,
anything.
Fly on, little wing
Yeah, yeah, yeah, little wing..."
26/06/2007 22:21:17
Loose Strings
Esses dias li um artigo ótimo do Contardo Calligaris (sempre adoro o que ele escreve) na Folha de São Paulo. Ele falava sobre um amigo artista que tinha o costume de presentear os amigos com obras peculiares: acumulava objetos que tinham a ver com a vida da pessoa, os fixava em um painel de madeira e os conectava entre si com fios. Mas, no meio da espécie de teia em que acabava constituindo a obra, havia alguns fios soltos, desconectados. Contardo, entendendo que os fios simbolizavam a conexão que todas as coisas que acontecem em nossa vida têm, porém intrigado com os fios soltos, resolveu perguntar sobre eles. E seu amigo respondeu: numa vida sempre sobram “loose strings”, fios soltos.
Essa percepção me bateu de forma muito forte quando fiz aquela volta ao meu passado no meu texto anterior (“Minha Vida Até Aqui”). Senti exatamente isso que ele escreveu: na teia de conexões da vida sempre sobram fios soltos. E não adianta tentar conectá-los. A gente passa a vida buscando sentido nas coisas que nos acontecem, procurando conexões entre alegrias e tragédias, buscando explicações psicanalíticas para entender nossos traumas, reflexões filosóficas visando o encontro de um sentido para nossa existência e, no fim, a verdade, a dura verdade é que muitas vezes esse sentido, essa explicação não existe. Como ele diz: “há vasos de flores que caem na nossa cabeça sem ter sido empurrados por ninguém, nem por nós nem pelos outros nem pela providência divina nem por melefício diabólico.”
Diante da resignação quanto ao fato de que existem coisas que “simplesmente acontecem”, paradoxalmente, senti uma vontade louca de voltar para a psicanálise. Fui analisada por oito anos e nesse tempo achei em mim muito mais sentido do que esperava. Se os tais “loose strings” de fato não podem ser conectados, que pelo menos a gente lute para conectar os fios que podem.
Concordo com Sócrates: a vida não examinada não vale a pena ser vivida.
21/06/2007 16:29:17
Minha Vida Até Aqui
Sou do tipo que se comove com propaganda de TV. Não pela ignorância de que estou sendo levada a comprar um produto, mas porque gosto de SENTIR e às vezes acabo reprimindo alguns juízos críticos pela possibilidade, por mais ínfima que seja, de me entregar a algo que me faça sair da mesmeira do dia-a-dia. Sou uma viciada em emoções, fazer o quê? Sendo assim, preciso admitir: a publicidade me toca e estou pouco ligando se estão querendo me vender carro ou panela – me esqueço da marca e do produto; lembro da idéia e sempre acabo refletindo sobre ela. Se estou na TPM então sou capaz de chorar.
Há um tempo atrás vi um comercial de carro que dizia algo do tipo “Sua vida te trouxe até aqui” e mostrava um cara chegando a pé diante de um carro tipo-de-adulto seguido pela “vida” dele: o Mickey, um professor, uma fada, mulheres, a mãe, etc. - enfim, uma série de símbolos e pessoas que fizeram dele o que ele havia se tornado naquele momento.
Me comovi. Não só me comovi como fiquei um bom tempo pensando sobre a minha vida e todos os elementos dela que “me” trouxeram até aqui e me fizeram me tornar quem eu sou. E de súbito me vi criança, com a porta do quarto fechada, escrevendo no meu diário confissões do meu vasto e complexo mundinho interior, enquanto ouvia, ao fundo, os adultos falando na sala. Me vi pequena chorando pelo meu coelhinho que morreu e ninguém me explicou que ele nunca mais ia voltar. Pelo meu pai, que se foi e eu infelizmente entendi que ele nunca mais ia voltar. Me vi aprendendo a ler com a minha babá, aos quatro anos de idade, e me deslumbrando com o mundo para o qual eu dedicaria minha vida. Me vi na aula de português, orgulhosa porque o professor estava lendo minha redação para turma como exemplo. Me vi na minha primeira decepção com uma amiga, quando aprendi que se pode confiar em praticamente ninguém. Me vi indo para o balé, às sete da manhã, com minha mãe contando piadas para me manter acordada e me lembrei das longas reflexões com ela, eu já adulta, quando ainda morávamos na mesma casa e eu tinha a mania de ler Caio Fernando Abreu para ela em voz alta – e ela adorava. Me lembrei da minha primeira recuperação no colégio, da primeira expulsão da aula, do primeiro amor e do primeiro fim de amor, no qual descobri que as coisas acabam. Me vi na Disney, chorando quando vi a Sininho descendo do castelo do Magic Kingdom, envolta por fogos magníficos. Me lembrei da primeira catarse com um livro, com uma peça, uma música, quando descobri o poder da arte e dos seres iluminados que são os artistas de todo tipo. Me lembrei do primeiro editor que acreditou na minha escrita, do segundo editor que também acreditou em mim e de todas as pessoas queridas que me prestigiaram nos meus lançamentos e em todas minhas conquistas.
Pensei em tudo isso, em toda a vida que me trouxe até aqui, e bateu uma nostalgia daquelas que enchem os olhos de lágrimas e fazem a gente reconhecer que construiu uma história – mas não sozinha. E então percebi que o “torna-te quem tu és “ nietzscheano talvez não seja tão individualista assim. Que a gente se torna quem a gente é apesar e por causa de todas a pessoas e relações que vamos cultivando ao longo da vida. Como naquela peça de Michel Melamed em que ele, no palco, ligado a fios, recebia descargas elétricas que variavam em intensidade de acordo com as risadas ou manifestações da platéia. Mais que uma boa metáfora para a arte, é uma bela metáfora para vida. É como se nós todos estivéssemos conectados a fios, o tempo todo levando choques e sendo afetados por cada olhar, palavra ou ação alheia. Choques que fazem de nós o que somos.
Voltei assim à simples lição que recebi de meu pai, em uma carta escrita pouco antes de ele morrer: “nenhum homem é uma ilha” ele disse, completando com um aviso de que um dia nós (as filhas dele) íamos aprender isso.
Aprendi, pai.
19/06/2007 15:22:34
Salman Rushdie
"Tinha vinte e quatro anos de idade. Queria habitar fatos, não sonhos."
05/06/2007 19:10:43
Clarice
"Tenho certeza de que, no berço, a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada nem a ninguém. Nasci de graça. Se no berço experimentei essa fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino. A ponto de meu coração se contrair de inveja e desejo quando vejo uma freira: ela pertence a Deus ( ... ) Quem sabe se comecei a escrever tão cedo na vida porque, escrevendo, pelo menos eu pertencia um pouco a mim mesma"
18/05/2007 23:07:00
De volta
Cheguei. A viagem que era para ser de uma semana virou de três. Num clima deliciosamente irresponsável, fui ficando, ficando até resolver voltar. A vida fica sem graça se não nos permitimos essas leves transgressões, essa fugas que não fazem mal a ninguém. Loucurinhas necessárias para a sanidade de uma pessoa como eu. Depois da semana sem São Paulo sobre a qual eu tinha falado, fui para o Rio. E me lembrei que é o lugar que eu mais amo desse país, o tipo de lugar que me comove, que quase me faz chorar. Porque é muito lindo, porque é muito leve, porque abriga as pessoas mais alegres que eu conheço. Porque não se trata especificamente de felicidade – esse conceito tão complexo e subjetivo – mas de alegria, simples e pura alegria. Sorriso. Não é como São Paulo em que dinheiro é condição sine qua non para que haja diversão, em que a pessoa precisa gastar para ser feliz. No Rio, existe o prazer grátis, o prazer de caminhar no calçadão, de ir à praia, de se sentir de férias a cada fim de semana. Acho lindo, democrático, coloca o lixeiro e a patricinha no mesmo patamar: todos sob o mesmo pôr-do-sol. Fiz um videozinho no calçadão enquanto eu procurava o lugar onde tinha morado quando era bem pequena (sim, nasci lá, mas vim para cá com meses de idade): Ipanema, Vieira Souto 350, segundo andar. Fui andando e sentindo vontade de rir, rir muito. Fui tomada por uma alegria inexplicável, uma sensação de liberdade, com aquele ventinho no rosto e o mar logo ali. Vontade de sair dando pulinhos infantis, o que obviamente não fiz, já que, embora não pareça, tenho um mínimo de senso crítico. Mas deu vontade. E pensei que da próxima vez em que, numa entrevista, perguntarem “Qual é seu sonho de consumo?” (essa pergunta boba que as pessoas insistem em fazer e eu nunca achei o que dizer), eu saberei responder: “morar no Rio”.
Mostro o vídeo quando eu conseguir baixar aqui. Sou péssima para essas coisas.
Depois de uns dias lá, voltamos para São Paulo porque o Fred ia jogar o rockgol da MTV, que foi engraçadíssimo, principalmente porque os artistas levam muito a sério uma coisa que quem vê de fora, julga ser uma brincadeira.
E agora estou de volta, com a minha gatinha, minha casinha bagunçada, meus livros e meus escritos.
18/05/2007 22:34:00
Sobre a peça "O Continente Negro"
Uma menina apaixonada pelo professor, uma atriz decadente, um homem infiel e mais nove personagens representados por apenas três atores: Débora Falabella, Ângelo Antônio e Yara de Novaes. Sob a direção incrível de Aderbal Freire Filho, o texto do chileno Marco Antônio de La Parra é um lindo, louco e fragmentado tratado sem início nem fim sobre a dificuldade de amar. O que se vê é uma tentativa incessante de quebrar a barreira que os separa, de fazer dar certo apesar de tudo, de buscar a felicidade nem que seja fugindo – como se isso fosse mudar de fato a situação interna. E é aí que a África surge no final como o ponto de fuga de todos. É a África mas podia ser qualquer outro lugar, porque o que importava ali era fugir, mesmo que eles achassem o tempo todo que estavam buscando algo. Me lembra uma frase que li certa vez, não lembro onde: “eu era como um menino correndo atrás de um balão levado pelo vento. Eu era o vento e não sabia.”.
Eles eram o vento.
Para mim, uma das coisas mais interessantes é o microfone que fica durante toda peça postado no centro do palco. No meio das cenas, às vezes de forma meio nonsense ou em tom de desabafo, um personagem ia lá e dizia alguma coisa, meio para todo mundo, meio para ninguém (para si mesmo talvez?). E ali ficava muito claro o que, para mim, é uma das grandes metáforas da peça: a fala no microfone como uma exposição visceral da nossa carência, da nossa avidez por sermos OUVIDOS, compreendidos, amados, seja como for.
Num determinado momento uma das personagens, vivida por Yara de Novaes, diz assim: “Eu tenho uma filha de 14 anos e digo para ela ´Cuida`. Mas cuidar com o quê? E adianta?”
Não adianta. Ninguém consegue ser à prova-de-vida. Por isso talvez a menina apaixonada pelo professor não se diferencia em nada da atriz desiludida ou da mulher em briga com o marido – no que diz respeito ao amor, somos todos iguais. Talvez por isso a gente saia da peça com uma certa sensação de inevitabilidade, se é que você entende o que eu quero dizer. Sim, estamos todos no mesmo barco, gritando para sermos ouvidos, cuidando para não nos machucar, fugindo para não sofrer e sempre nos perguntando se tudo isso adianta para alguma coisa , quando, no fim das contas, a vida e o amor acabam sempre nos atropelando e nos fazendo sentir eternos iniciantes despreparados.
07/05/2007 01:34:00
SP
Estou em São Paulo. Um tanto quanto irresponsavelmente (como sempre) vim para cá e ao invés de ficar só um fim de semana como previsto, resolvi ficar a semana inteira com meu namorado, emendando com o Skol Beats (imperdível, a Miss Kittin vai tocar!). Estou deixando rolar, gastando meu dinheiro (que se esvai como água nessa cidade) só em coisas que realmente importam: arte e comida. Entrei numa viagem meio sem querer de comer hamburguer quase todo dia. Então, no momento, sou a maior especialista nesse tipo de comida, a mais indicada para dar as dicas dos melhores hamburguers e milkshakes de SP. Caso alguém se interesse: o melhor é o Leblon (hamburguer com camambert e bacon) da Lanchonete da Cidade, na qual casualmente se encontra também o milkshake de gianduia, que é o melhor de todos que já tomei na minha vida. Vi também peças ótimas que me fizeram sair delas com aquele nível perfeito de melancolia necessária para a reflexão. As peças que vi: "Continente Negro", do Aderbal Freire Filho com a Debora Falabella matando a pau; "Uma pilha de pratos na Cozinha", do Mário Bortolotto, "Impostura", com a direção da Fernanda D´Umbra. Todas tratam de forma diferente um mesmo tema e a gente sai com o coração meio apertado, pensando, pensando, pensando. Mas isso merece um post inteiro escrito com tempo, calma e profundidade. Virá depois, esperem eu voltar.
Saudade de escrever e de ler, mas feliz por estar longe da vida real. Acordando a uma da tarde (na verdade às duas, mas fiquei com vergonha de dizer), pensando, amando, comendo, bebendo e absorvendo vida & arte. Nada melhor que isso.
03/05/2007 18:31:00
Caio
Não adianta, o Caio Fernando Abreu é foda. Início do livro "Onde andará dulce Veiga?":
“Eu deveria cantar.
Rolar de rir ou chorar, eu deveria, mas tinha desaprendido essas coisas.”
23/04/2007 17:58:47
Livros
Nada nada nada nada na vida é melhor do que comprar livros - é algo quase melhor que lê-los. Em livraria fico que nem criança em loja de brinquedo e inevitavelmente torro meu dinheiro. Últimas compras: a reedição de "Onde andará dulce Veiga?", o único livro do Caio Fernando Abreu que eu não li; "Tête-a-tête", o relato da louca & interessante intimidade do casal Sartre & Simone de Beauvoir; "Ela", do Rubem Fonseca, de quem eu não gosto tanto assim, mas não desisto. Na fila de espera para leitura está "Era uma vez o amor, mas tive que matá-lo" do Efraim Medina Reyes.
19/04/2007 12:22:19
Neverland
Pergunta mais neni da semana: "Amor, a gente
tem vida real hoje de tarde?"
15/04/2007 16:26:44
A Crítica, o Bukowski e a Minha Opinião
(texto publicado em minha coluna no site da ed. L&PM)
Na minha última crônica acabei citando Bukowski, o que definitivamente não é uma coisa freqüente para mim, já que ele, apesar de divertido & interessante, não está entre meus amores como o Kerouac ou Caio Fernando Abreu por exemplo. Aliás, não lembro de tê-lo citado em texto algum antes daquele. Eis que, ao começar minha segunda coluna para esse site, quem volta sem ser convidado em meu pensamento? Sim, ele mesmo. Evito ao máximo sua entrada, afinal pensarão que eu sou fixada em uma pessoa na qual definitivamente não sou. Inútil, não consigo. Por isso estou aqui rendida, começando meu texto falando dele. Prometo que na próxima vez páro.
Certa vez Bukowski recebeu uma carta longa e furiosa de um homem o criticando, falando sobre o absurdo de ele ter dito em dada ocasião que não gostava de Shakespeare. Segundo o indignado autor da carta, se um escritor como ele dissesse tal “despautério”, muitos jovens podiam acreditar e não se dariam ao trabalho de ler Shakespeare. Depois de ler as acusações feitas pelo tal leitor, Bukowski, que de fato não gostava do aclamado dramaturgo inglês, optou por não responder de imediato. No entanto, no final de um de seus livros, conta esse episódio e completa com algo como: “Não respondi na época, mas vou responder agora. Vá se foder, colega, eu não gosto também de Tolstoi!”
Lembro que quando li isso me identifiquei completamente pelo fato de eu também ter sido sempre contra algumas unanimidades e contra a maioria das opiniões dos críticos - não por implicância rasa mas por pura e fiel crença na minha opinião. Não li os livros “Código da Vinci” nem “O Caçador de Pipas”, dois sucessos de público, por exemplo. Mas não é implicância com os best-sellers não, também tem muita coisa-cabeça, idolatrada pela crítica, que simplesmente não me desce. Filme iraniano? Não gosto. Também não dou a vida por Dostoiewski, Saramago e Gabriel Garcia Márquez, como a maioria das pessoas dá. John Fante é outro que está tão hypado entre os jovens escritores que chega a irritar, definitivamente não acho tudo isso. O próprio Bukowski me parece um pouco superestimado (sim, eu sei que vocês devem estar duvidando disso, tendo em vista minha aparente fixação, mas é verdade).
Burrice? Acho difícil: leio compulsivamente desde que aprendi a juntar as letras e tenho uma ânsia por conhecimento que chega a me angustiar em certos momentos. Preconceito? Não, não há preconceitos para meus gostos, não é como se eu implicasse com “todos” os best-sellers, “todos” os clássicos ou alguma generalização desse tipo, não é isso – não vejo as coisas em grupos. Então o que é? Simplesmente confio muito no meu faro, no meu gosto. Sei muito sobre o que gosto ou desgosto, penso muito sobre as coisas e por isso é difícil ser indiferente, sem ter uma posição forte sobre algo. No fim das contas, a crítica alheia não importa tanto assim para mim.
Esses pensamentos me ocorreram quando, numa roda de amigos, eu falei que tinha adorado determinado filme e alguém (que não tinha visto o filme) retrucou espantado me perguntando “Como? - se a crítica de uma certa revista tinha falado tão mal...
Como se uma única pessoa que escreveu a crítica detivesse uma verdade absoluta em relação a algo tão contingente como uma obra de arte, como se não fossem possíveis outros vários olhares. Tive vontade de responder como Bukowski, mas me contive. E escrevi esse texto, me perguntando o porquê desse apego das pessoas a opiniões pré-fabricadas, a respostas prontas. Por que essa ânsia de seguir o rebanho, de se apegar na opinião da mídia ou da maioria ao invés de buscar sua própria posição em relação aos assuntos e à arte? Talvez a resposta esteja no fantástico Zaratustra de Nietzsche, que ao perceber que pessoas o seguiam com fé e crença em suas palavras, se virou e mandou todos embora dizendo que eles o procuravam porque não haviam procurados eles mesmos. “Assim fazem todos os crentes; por isso valem tão pouco todas as crenças”, disse ele. Claro que ele se referia à uma questão religiosa, mas podemos aplicar isso ao ponto desse texto: as pessoas, com preguiça e medo de tirarem suas próprias conclusões, seguem cegamente o caminho fácil e confortável de se apegar à opinião alheia. E assim não se comprometem – e nada mais medíocre numa vida do que não se comprometer com a própria opinião.
Ah, e antes que eu me esqueça, para quem se sentiu incomodado com minha sinceridade: sorry, não gosto de James Joyce também.
12/04/2007 15:58:47
Há vida antes do fim?
(texto publicado na minha colna do site da L&PM)
Vivemos numa época neuroticamente apocalíptica.
Volta e meia me vejo metida em um papo sobre o superaquecimento global ou sobre alguma espécie de tragédia que levará nosso planeta a um inevitável fim. Cansada um pouco disso tudo, me lembrei da genial resposta que o escritor Marcel Proust deu para o jornal francês L´Intransigeant, nos anos 20. Quando interpelado sobre qual seria o efeito nas pessoas e sobre o que faria se o fim do mundo fosse anunciado, ele disse: "Acredito que a vida nos pareceria subitamente maravilhosa se estivéssemos ameaçados de morrer da forma como você diz(...) Pense em quantos projetos, viagens, casos amorosos e estudos ela - a vida - afasta de nós, tornando-os invisíveis devida à nossa preguiça, que, certa da existência de um futuro, os adia incessantemente. Mas deixe esses projetos se tornarem impossíveis para sempre: como tudo se tornaria belo de novo(...)" Sim, essa ilusão de eternidade a qual nos apegamos para não surtar diante da obviedade de que iremos morrer, nos salva por um lado, mas nos atrapalha por outro: a certeza mesmo que ilusória de um amanhã nos torna seres acomodados e negligentes. Amanhã eu faço, amanhã eu digo, amanhã eu resolvo, amanhã eu me declaro, amanhã eu viajo amanhã eu melhoro, amanhã eu experimento, amanhã eu arrisco, amanhã eu realizo.
Assim vamos empurrando com a barriga, vivendo a vida de olho no futuro, fazendo planos, enquanto a vida passa por nós, saltitante e despercebida, rindo da nossa cara. Se a ameaça de fim não acontece, relaxamos e deixamos tudo para depois, porque estamos de volta à vida normal, na qual, "a negligência supera o desejo." No entanto, se houvesse a ameaça de um fim, subitamente visitaríamos todos os lugares que estávamos planejando visitar, falaríamos tudo o que estávamos planejando falar para quem amamos, largaríamos trabalhos ou relações estéreis, ousaríamos mais, esqueceríamos dos outros e finalmente perderíamos o medo do ridículo, o medo do amor, o medo da vida. Diante da morte, começaríamos a viver. Como diz Tolkien, as coisas só viram poesia quando ameaçadas de morte. E eu completo: não só as coisas, mas as pessoas, as situações, tudo. E quando falo em "morte" penso também nas várias mortes metafóricas que passam inexoravelmente por nossas vidas. Como no amor, por exemplo, que muitas vezes se perde nessas pequenas negligências do dia-a -dia, quando passamos correndo por onde deveríamos passar engatinhando - olhando, percebendo, sentindo. Até que diante da iminência da perda, de súbito percebemos seu real valor. Como numa situação feliz que só é reconhecida quando acaba ou numa pessoa que depois de morta só tem suas qualidades exaltadas, ou num trabalho que mesmo ruim, ao ser deixado só nos deixa lembranças boas.
O fato é que estamos sempre à espera de ameaças de mortes metafóricas ou reais para enxergarmos o valor e a poesia das coisas e das pessoas. O que está errado, pois assim como não deveríamos precisar de uma catástrofe para valorizar a vida, também não deveríamos precisar dessas pequenas mortes para sentirmos a beleza das coisas enquanto "vivas". Por que essa dificuldade de amar a vida hoje? É essa a pergunta que fica em looping na minha cabeça nesse início de ano (porque para mim o ano só começa em março), época de tantos planos. Por que, enquanto o fim do mundo não é anunciado, não tentamos parar de planejar um pouco e começamos a viver, sem precisar dessas "mortes" para nos sacudir?
Encerro aqui com as palavras do bêbado e inigualável Bukowski: "é a ação enquanto você está vivo. A glória é o movimento e a audácia. Que a morte se foda.
É hoje e hoje e hoje. Sim"
29/03/2007 15:58:31
Bob Dylan, etc.
Páscoa em Punta del Este: Eu & Fredi no Conrad, honeymoon as always/ show incrível do Bob Dylan/ companhia querida dos amigos Ferla & Ana/ Peninha ao lado, contando a história das músicas e chamando o contido público de “múmias” aos gritos por não terem a reação dele de mega-fã que já foi a mais de sessenta shows do velho/ arrepio e quase lágrimas em “Like a Rolling Stone”/ para variar, trago homérico na área vip do casino (Willy!!! Una vodka com sprite!!!)/ sol lindo, o qual eu não consegui usufruir por acordar tarde demais/ croissant com queijo brie/ vista linda, de chorar vendo/ redescoberta do barulho das ondas e a constatação de que eu tenho que conviver mais com a natureza/ janta com Marcito & Joana e o melhor vinho do mundo/ o melhor risoto do mundo/ a melhor sobremesa do mundo/ máquina nova comprada no free shop: vocês vão ter que agüentar meus vídeos e fotos de novo...
Bob Dylan nos bons tempos de sua voz...
24/03/2007 16:28:00
Henry Miller
"Não tenho nenhum respeito pelo artista,por maior que ele seja, que não coloque sua arte em prática na sua vida. Recentemente descobri com alegria que era capaz de agir segundo minhas próprias convicções. Isso simplifica consideravelmente a existência. Todas as complicações se desintegram. Não se tem nenhum receio de se ser ridicularizado ou crucificado. Sabe-se ,então, pela primeira vez, me parece, o que delimita exatamente o domínio da moral. Talvez você não concorde, mas credito que moral e estética fazem apenas um. Tudo é um. Aí está a simples, total e absoluta beleza da coisa."
02/03/2007 15:56:03
A Louca da Casa
Escrever é a minha vida. Não consigo pensar em nada que me dê mais prazer, que me deixe mais plena. Mas paradoxalmente não há nada no mundo que me dê mais medo. Tremo de medo sempre que sento diante do computador com a tela em branco. Nunca é uma experiência tranqüila, nunca. E é interessante que isso é uma coisa muito pessoal, cada escritor tem sua própria relação com a escrita, uns como o Assis Brasil dizem que é a coisa mais prazerosa do mundo, que para eles nada em de dor. Outros como o Caio Fernando Abreu e Clarice Lispector sangravam a alma escrevendo. Eu sou dos que sangram. E muito. Apesar de ter escrito peças e publicado um livro, apesar de escrever para revistas e para sites com uma certa freqüência, saibam que nunca, nunca mesmo é uma experiência tranqüila.
Já falei sobre isso com o meu psiquiatra, já cheguei a achar que era uma espécie de auto-sabotagem essa coisa de sentir medo no momento que precede a escrita e de, volta e meia, me pegar fugindo, encontrando algo “mais importante” para fazer quando tudo o que eu queria e devia era escrever. A isso se deve parte da minha indisciplina nessa área. Mas eis que lendo um livro fantástico, “A Louca da Casa”, da espanhola Rosa Montero, me deparo com um trecho em que ela fala justamente sobre isso.
Não só fala como desvenda o mistério que leva alguns escritores, incluindo ela mesma, a sentirem esse pavor e muitas vezes fugirem da escrita. Senti como se ela estivesse explicando exatamente o que eu sentia. Há muito tempo não me dentificava tanto com algo que outra pessoa escrevia.
Ela fala que nós, escritores, dependemos muito de uma coisa que os gregos chamariam de daimon, essa coisa inexplicável que alguns chamam de inspiração. Não é como um advogado que se estudou o suficiente saberá executar sua função, não é como um matemático que sempre saberá que dois mais dois são quatro. Não, é diferente. É isso que dá medo, é isso que apavora: começar a escrever e ter medo de não conseguir encontrar o seu daimon.
E ela continua na melhor explicação sobre essa questão que eu já vi na vida e que divido aqui com vocês:
“O que realmente horroriza é o resultado do trabalho, isto é, escrever palavras, as palavras ruins, textos inferiores à sua própria capacidade.
Você tem medo de esmigalhar sua idéia redigindo-a de maneira medíocre. Claro que você poderá reescrevê-la, consertar as falhas mais evidentes e até cortar partes inteiras de um romance e voltar a começar. Mas uma vez que delimitou sua idéia com palavras, você a manchou, puxou-a para a tosca realidade, e é muito difícil tornar a ter a mesma liberdade criativa de antes, quando tudo voava pelos ares. Uma idéia escrita é uma idéia ferida e escravizada a uma certa forma material; por isso dá tanto medo sentar-se para trabalhar, porque é uma coisa de certo modo irreversível.”
10/02/2007 15:55:33
Deixa o Verão
Estou viciadíssima nessa música da Mariana Aydar, dica do meu amigo Nelson Motta. Linda música, linda letra (que é do Amarante, do Los Hermanos), dá vontade de sorrir e relaxar. Olha só:
Deixa o Verão
Deixa eu decidir se é cedo ou tarde
Espere eu considerar
Ver se eu vou assim chique à vontade
Igual ao tom do lugar
Enquanto eu penso você sugeriu
Um bom motivo pra tudo atrasar
E ainda é cedo pra lá
Chegando às 6 tá bom demais
Deixa o verão pra mais tarde
Deixa
Deixa o verão
Deixa o verão pra mais tarde
Não to muito afim de novidade
Fila em banco de bar
Considere toda hostilidade
Que há da porta pra lá
Enquanto eu fujo você preparou
Qualquer desculpa pra gente ficar
E assim a gente não sai
Esse sofá ta bom demais
deixa o verão pra mais tarde
Deixa
Deixa o verão
Deixa o verão pra mais tarde
Deixa eu decidir se é cedo ou tarde
Espera eu considerar
Ver se eu vou assim chique à vontade
Igual ao tom do lugar
Enquanto eu penso você sugeriu
Um bom motivo pra tudo atrasar
E assim a gente não sai
Esse sofá tá bom demais
Deixa o verão pra mais tarde
06/02/2007 01:02:00
Na ZH
A Martha Medeiros entrou de férias e eu substituí ela nesse primeiro fim de semana, na coluna do caderno Donna. Segue minha crônica para que não viu:
EU E O RIO
Uma das virtudes que mais admiro no ser humano é a capacidade de mudar. Porque, ao longo de uma vida, passamos por tantas fases diferentes que às vezes fica até difícil acreditar que ali habita a mesma pessoa de fases anteriores. É a velha idéia de Heráclito: não se entra duas vezes no mesmo rio – porque na segunda vez o rio mudou e nós já mudamos também. Isso sempre me fascinou, porque sou uma amante das mudanças, recebo de braços abertos as novas fases e não as reprimo.
Nunca fui apegada a pequenas certezas, não tenho vergonha de mudar de ideologia de opinião e, como Raul Seixas, sempre preferi ser assim do que ter “aquela velha opinião formada sobre tudo”.
Talvez por isso eu não entenda pessoas que resistem aos tais novos ventos, ficando enclausuradas em uma única e estática versão delas mesmas, vivendo vidas mumificadas – essa simplesmente não é uma opção para mim.
Eis que mudei de novo.
Eu, que odiava praia, ando me permitindo passar tardes à beira-mar, com areia grudando no corpo e tudo. Eu, que não gostava de jazz, viro noites ouvindo Amy Winehouse e Miles Davis. Eu, que era a pessoa mais urbana que eu conhecia, ando desejando loucamente um banho de cachoeira. Eu, que era baladeira de carteirinha, ando curtindo bastante um esquema mais boêmio de papo-de-bar. Eu, que escrevia só crônicas, passei a escrever também ficção. Eu, que só lia romances e contos, agora leio também poesia. Eu, que era mais da vodka, agora sou mais do vinho. Também mudei a cor do cabelo, fiz tatuagem nova, mudei meus móveis de lugar e ando tentando, com pouco sucesso, virar vegetariana. Fase nova avassaladora, daquelas que vem atropelando e viram a vida de cabeça para baixo. Sou o que eu era mais o que me tornei. Essa é a beleza cumulativa da vida, as camadas que vamos sobrepondo a nossa essência ao longo de uma história.
No entanto, para mim, a mudança mais significativa aconteceu fim de semana passado e é algo que para olhares menos sensíveis pode parecer meio insignificante. Fazia mais de seis anos que eu não entrava no mar – nunca me senti à vontade naquelas águas misteriosas e com o tempo foi aumentando meu medo infantil das ondas, de forma que eu passei a simplesmente não entrar mais. Podia estar fazendo um calor de quarenta graus, eu podia estar em qualquer lugar paradisíaco de águas cristalinas, não havia santo que me fizesse dar um mergulho. O mais próximo que cheguei das águas salgadas foi montar num jet ski que, com minha falta de sorte, pifou o motor perto das pedras em Angra, enquanto eu, sozinha e em pânico, via arraias (que, no momento, tomaram para mim a dimensão de animais assassinos) passarem embaixo de minha cambaleante máquina, enquanto eu esperava ser salva.
Pois fim de semana passado quis quebrar o padrão e decidi entrar no mar. Fazia um dia lindo, sol com ventinho e praia cheia. Entrei aos poucos, com os olhos e os poros muito abertos para absorver o momento. Uma menininha que brincava na beira me olhou e riu divertida, adivinhando talvez, com sua sensibilidade infantil, a minha falta de intimidade com o mar, que visivelmente já era íntimo amigo dela. E ali, mudada e renovada, com as ondas batendo em mim e eu surpreendentemente não sentindo medo algum, me lembrei de Heráclito e pensei que sim, não se entra duas vezes no mesmo rio. E talvez seja justamente por isso que, apesar de tudo, a vida seja bela, bela demais.
05/02/2007 15:53:36
Babel
Fazia tempo que eu não me sentia arrebatada por um filme. Pois há pouco tempo tive a sorte de ver “Babel”, do meu ídolo Alejandro González-Iñarrítu (mesmo diretor de Amores Perros e 21 Gramas), que me fez sair do cinema sem palavras ou com tantas que ficou difícil expressar alguma coisa. Tão difícil que agora estou aqui, de madrugada, tentando escrever algo que faça sentido em meio a esse caos de sensações.
Uma americana é atingida por um tiro acidental em território marroquino e esse fato provoca conseqüências em diversos pontos do mundo em uma série de mal entendidos e problemas de comunicação em diversos níveis. O filme, em meio a seu louco enredo, é um tratado sobre uma dificuldade de comunicação que vai muito além de línguas ou países.
Estamos todos interligados, globalizados, a ação de uma pessoa repercute na vida de outra, uma decisão de um país repercute no outro, sabemos das coisas que acontecem no mundo através da tv e Internet, nos comunicamos com pessoas do outro lado do planeta através de computadores e mesmo assim, supostamente tão interligados, nos sentimos aterradoramente sozinhos e simplesmente não conseguimos nos entender. Mas essa incompreensão, a meu ver, é muito mais profunda do que uma simples diferença de idiomas. Não nos entendemos, não nos comunicamos como deveríamos e freqüentemente criamos abismos entre nós, como se não bastasse a barreira natural e instransponível que temos por sermos seres individuais e, como disse Tenesse Williams, condenados a uma confinamento solitários dentro de nossa própria pele.
Todo mundo está falando dos aspectos políticos do filme, mas a mim, pouco importou se o filme era anti-americano ou se fazia algum tipo de crítica social. Para mim a grande sacada consistiu nos vários níveis de incomunicabilidade existentes.
Como numa cena simples e aparentemente insignificante na qual, bem no início, o casal, antes do acidente, está num precário restaurante marroquino e vemos que os dois estão em crise, juntos porém distantes. Não se entendem mais. E nós, mesmo sem entender o porquê exato da crise, enxergamos o abismo existente entre eles. Também tem a questão da surda-muda, que transita pelo mundo e pela noite com sua dificuldade de se comunicar devido a sua limitação e mostra, ao longo do filme, suas dificuldades de relacionamento com o pai – dificuldade que não tem nada a ver com sua condição – se ela falasse e ouvisse seria exatamente igual. Ali a gente vê como as palavras muitas vezes não fazem a menor diferença.
Tem também os milhares de mal entendidos, como o do mexicano tentando cruzar a fronteira numa situação honesta, mas que mal interpretada o faz fugir, ao invés de explicar. Porque é isso que fazemos freqüentemente: ao invés de ficar e explicar, fugimos metafórica ou literalmente. E isso vale para qualquer situação. Numa das cenas mais bonitas do filme ( e numa das únicas em que há uma comunicação de verdade), o americano, com a mulher baleada sofrendo em seus braços, se desculpa e admite que “fugiu” ao invés de ficar numa certa situação do passado dos dois que - ali fica claro - descobrimos, era a fonte da desconexão entre eles.
O nome do filme, Babel, é uma referência a uma história da bíblia: os homens tentaram construir uma torre (a torre de Babel) para chegar a Deus e ele, irado com a ousadia, mudou os idiomas de todos fazendo com que não se entendessem mais.
No entanto ali, vendo a última cena (uma das mais lindas que já vi no cinema), ficou muito claro que se houve alguma punição, não foi termos nossas línguas trocadas, mas sim, independente de raça ou idioma, sermos seres tão enclausurados em nossos próprios mundos, tão solitários em nossa condenação ao tal confinamento solitário em nossa própria pele.