Das coisas não sublinhadas
Não consigo ler um livro sem sublinhar as partes que mais gosto e dobrar páginas interessantes. Pode ser porque um trecho está absurdamente bem escrito ou porque me tocou profundamente, mas simplesmente não consigo ler um livro sem me apropriar dele dessa forma. Dá medo de perder as boas palavras lidas - e perder palavras, para mim, é, sob todos os aspectos, inadmissível. Por isso não empresto livros e odeio que as pessoas leiam meus trechos marcados sem o meu consentimenteo - acho íntimo demais, fico com medo que me decifrem. Eu, pelo menos, decifro qualquer um por seus livros preferidos e seus trechos grifados. Diga-me o que sublinhas e te direi quem és. Ontem peguei um livro para reler (estou sempre relendo livros, talvez pelo mesmo medo de perder palavras): "Aritmética", da Fernanda Young. Percebi algo bem interessante: havia trechos que eu não tinha marcado na primeira leitura, há mais de três anos atrás, mas que me pareciam incríveis hoje em dia. Como eu não tinha marcado? Achei fascinante perceber, através do ato de grifar trechos não antes grifados, que eu tinha mudado. Achei poético.
Enfim, aqui vai uma dessas bonitas partes que só foram reconhecidas agora em 2008:

“Por isso tem tanta gente que não ama, nem é amado. São os que não agüentam levantar a tampa que os protege do incerto, e mudar. Pois a paixão é incerta, não aceitando o estabelecido. O amor, pior, engana, garantindo que poderá ser estável e infinito. E o ódio rapaz, esse é sempre eterno. Portanto, quem é que não ama, não se apaixona, não odeia? Os covardes? Com certeza. Os covardes, entretanto, sábios. Naquele conceito de sabedoria que mata você de velho. E morrer de velho, convenhamos, é a coisa mais humilhante do mundo.”
27/08/2008 23:55:00
Os vídeos
Bom, aqui vão os vídeos feitos durante o bate-papo. Vamos por partes.

PARTE I:



PARTE II:

Essa parte não foi filmada. Nela, eu falei um pouco dos anos 60 e 70, das queimas de sutiã e desse radicalismo que foi a necessidade de se livrar de todos os símbolos do feminino. Também falei dos anos 80 e da ânsia das mulheres por ocupar altos cargos executivos, de serem excelentes profissionais enquanto desdenhavam de coisas muito legais do universo feminino como a vaidade e a maternidade. Foi nessa fase que foi levantada essa bandeira de se "igualar" ao homem.

PARTE III:



PARTE IV:

20/08/2008 22:34:00
Mulheres
Hoje (quer dizer, ontem, né? Já são quase três da manhã) participei de um evento beneficiente bem legal, só para mulheres (leiam a nota acima que saiu na ZH, na coluna RSVIP). O meu objetivo era falar sobre a mulher na pós-modernidade e um pouco sobre as fases do feminismo e de como chegamos no lugar (que eu considero muito confortável) onde estamos atualmente. Eis que, pensando um pouco sobre toda essa história, cheguei a conclusões bem interessantes e, quando vi, acabei esclarecendo várias coisas para mim mesma. O evento foi incrível, só gente legal e interessada, cheguei em casa só agora depois da ótima janta e muita vodka e champanhe.
Leiam aqui o trecho do livro "Vampes & Vadias", da Camille Paglia (de que eu sou super fã) que eu li no final, enquanto falava sobre como os papéis dos homens e das mulheres finalmente estavam sendo novamente estabelecidos.
“Eu nunca gostei nem um pouco da tendência que têm muitas feministas de quererem refazer os homens numa forma algo tímida e sensível – para que se tornem, em essência, espécies novas de mulheres, eunucos contemporâneos de pênis afeminado, que seriam menos inconvenientes para as mulheres. Eu acho que isso não é do interesse da raça humana. Nós queremos um pênis duro. Nós queremos o vigor masculino. E temo que, para voltarmos a tê-los machos, teremos que passar por uma certa dose de instabilidade nas relações sexuais. Quer dizer, há que haver uma espécie de trégua de honra entre os campos inimigos. Assim, qual seria meu conselho para os sexos no final dos século? Eu diria para os homens: Fiquem de pau duro! E para as mulheres: lidem com isso!”

Amanhã vou postar aqui minha participação no evento (estou postando no youtube agora).

20/08/2008 03:29:00
Sorry
Mil desculpas pela ausência aqui no blog. É que, de uma hora para outra, surgiram milhares de coisas novas na minha vida, coisas ótimas, que por enquanto eu não posso falar, mas logo logo conto para vocês. E essas coisas estão consumindo bastante o meu tempo.
No que eu tiver um tempinho volto para escrever mais...
13/08/2008 18:54:00
Quero voar
Estou odiando esse inverno.
Vontade de sair correndo por um campo lindo num dia ensolarado de primavera, ouvindo Billie Holiday no ipod.
05/08/2008 23:22:00
Zé Celso Martinez Corrêa
“Estou sintonizado também com o universo, porque trabalho muito com a ligação do corpo do ator com o universo. Na Oficina, às 15 h a gente faz uma hora de silêncio, para meditar. Existe uma religiosidade, mas é uma religiosidade dionisíaca. Antônio Conselheiro conseguia fazer as pessoas sentirem, quer dizer, trazer as pessoas para a sensibilidade. Só que ele era asceta. Eu não. A minha religião é erótica.”

26/07/2008 14:44:00
Caio Fernando Abreu
" A vida é um punhado de lantejoula e purpurina que o vento sopra. Daqui a pouco tudo vai ser passado mesmo. Let it be, deixa soprar. Fica pelo menos com o gostinho de ter brilhado um pouco."
25/07/2008 01:51:00
E o novo livro?
Não vou conseguir acabar meu livro esse ano.
Pois é, não vai dar. E não vou me apressar só porque tinha colocado essa meta para mim mesma, não é assim que a arte funciona.
Engraçado, mas me dar conta disso me fez muito bem, sabe. Me tirou um peso que eu mesma tinha colocado sobre meus ombros, um imperativo desnecessário que estava me deixando meio tensa, trancando minha energia. Porque eu tenho isso às vezes, essa coisa de me cobrar demais, de ir contra meu tempo interior. E com o tempo a gente aprende que não adianta lutar contra esse tal tempo.
Mas o fato é que assumir isso para mim mesma, que não vou conseguir acabar meu livro para esse ano, me relaxou de tal forma que as energias boas todas começaram a fluir de novo dentro de mim, tudo começou a acontecer de forma mais rápida e natural, projetos e idéias, inclusive para o próprio livro. O que prova que trabalhar under pressure não é comigo – o que funciona é justamente o oposto.

24/07/2008 00:11:00
O Movimento
Ontem estava numa livraria e, ao folhear um livro sobre Einstein, vi a seguinte frase atribuída a ele:
"A vida é como andar de bicicleta. Para que haja equilíbrio é preciso se manter em movimento."
Achei interessante. Porque sempre vivi assim. Talvez seja por isso que a minha vida tenha essa espécie estranha (às vezes torta) de equilíbrio. Por causa do movimento (em todos os sentidos da palavra) que faz parte da minha essência, sem que eu faça esforço algum.
22/07/2008 00:26:00
A Culpa
Quinta teve o PapoCabeça e eu adorei, apesar da ressaca horrível que eu estava, o que me deixou menos falante do que nas outras vezes. O Gerbase citou várias vezes um filósofo genial, Michel Onfray, que tem idéias bem subversivas e radicais, tipo o Nietzsche. Também mostrou no telão uma cena de seu filme “Tolerância” (que tinha a ver com o tema) para discutirmos. O Paulo, que é um ótimo psiquiatra, questionou a posição freudiana sobre a questão e se posicionou o tempo todo contra a culpa, usando argumentos contidos em seu livro “O Sentimento de Culpa” e respondendo perguntas do público.Eu queria botar uma foto aqui mas o fotógrafo não me enviou ainda...

19/07/2008 19:00:00
Uma Analogia Gastronômica
O tempo passou e eu virei uma mimada no que diz respeito a sentimentos, mal acostumada mesmo. Comecei a criar em mim uma resistência absurda ao sofrimento, como se eu precisasse ser sempre-sempre-sempre feliz. Quando chegava uma tristeza por algum motivo real ou imaginário, eu já entrava em pânico, me desesperava como se tudo estivesse perdido, ao invés de aceitá-la em sua devida magnitude – que geralmente não era das maiores. Ou pior, as bloqueava, sublimando de alguma maneira - o que pode funcionar às vezes para uma escritora, mas não é das coisas mais saudáveis psicologicamente falando.
Um dia desses me dei conta do quanto isso era errado e ilusório.
Sou louca por temperos, mais especificamente temperos anti-convencionais. Então, enquanto a maioria das pessoas fica no salzinho e na pimentinha, aqui em casa imperam os currys, gengibres, coentros e, as minhas preferidas: as francesas ervas de provence, que consistem numa mistura deliciosa de diversas ervas entre elas manjerona, alecrim, manjericão e a erva-doce, que, para mim, é a melhor do grupo. Quando estou comendo algo com as tais ervas de provence, sinto uma alegria meio infantil quando pego uma erva doce em meio as outras possibilidades. Me remete à infância, quando eu, entre as sortidas e coloridas balas de goma, conseguia pegar a vermelha, que era a que eu mais gostava.
Esses dias me questionei: se eu gosto tanto de erva doce, porque eu não compro logo um pacote desse tempero ao invés de contar com probabilidade de pegá-la entre os tantos outros tipos de ervas? E por que quando criança eu não comprava de uma vez um saco de balas vermelhas, ao invés de ficar catando em meio às outras cores?
E então comprei erva-doce pura. E me decepcionei. A graça foi embora – onde estava a energia boa da espera e a alegria de achá-la entre todas as outras? Foi mais ou menos como um cd de coletâneas. Já notou como enjoamos rápido quando gravamos uma coletânea só com as músicas preferidas? A gente vai lá, escolhe cuidadosamente as melhores músicas de cada artista e, duas semanas depois, já dá vontade de nunca mais ouvir o cd.
E quando vi, em meio a esse raciocínio tão cotidiano, percebi que aquele era o mesmo pensamento simplista que temos em relação à vida. Por que ela não é feita só de momentos felizes? Por que temos que viver oscilando entre tristezas e alegrias durante toda a existência?
Raciocínio inútil. Porque embora nem sempre a gente perceba, o melhor da vida são as esperas, as dúvidas, o não saber. Porque os pontos altos precisam dos baixos para serem valorizados. Porque a maioria das felicidades vêm precedidas pela possibilidade, não pela certeza. E porque a vida seria muito chata se fosse feita somente de erva-doce, balas vermelhas, coletâneas e momentos felizes.

16/07/2008 01:04:00
Papo Cabeça na quinta
Nessa quinta tem mais PapoCabeça. Dessa vez o tema é CULPA e os convidados são o psiquiatra Paulo Guedes (autor do livro “O Sentimento de Culpa”) e o cineasta Carlos Gerbase.
Na mediação eu e o Leo Felipe.

O quê? Debate pop-filosófico que acontece mensalmente no Cult.
Quando? Dia 17, nessa quinta-feira
Onde? Comendador Caminha 348
Hora? 21:00
Quanto? R$ 10,00
14/07/2008 12:56:00
Peter Pan
"Ser artista implica a incapacidade de crescer e enfrentar o mundo real. Portanto, ser capaz de sublimar a realidade é uma dádiva dos deuses."
(Louise Borgeois)
09/07/2008 21:27:00
Berlim again
Bom, o destino seguinte foi Berlim - mas de Berlim já falei bastante, né? Pirei com aquela cidade. E comprovei uma coisa: gostar ou não de um lugar depende muito de ter as dicas certas e conhecer as pessoas certas. Essa foi a segunda vez que fui para lá Na primeira, fui sem dica nenhuma e caí na roubada de ficar no lado oeste, que é uma merda. Uma turistada, grandes avenidas, clima pesado de cidade grande, comidas ruins e caras, gente antipática, um horror. Saí de lá odiando.
Dessa vez fiquei no lado leste, que é incrível. Gente simpática, clima jovem e agradável e todo o charme que a gente imagina que vai encontrar lá. Ali sim está a verdadeira Berlim. E foi então que me apaixonei pela cidade e, desde então, vivo repetindo por aí que quero morar lá.
Um dia eu vou.
05/07/2008 19:52:00
Ucrânia
Falei tanto da Rússia e acabei deixando de falar do resto da viagem. Vamos então continuar o diário de bordo.
Saindo de lá fui para Kiev, na Ucrânia. O que é absurdamente interessante por ser tão improvável - porque a Ucrânia não é exatamente o sonho de turismo das pessoas. Elas geralmente vão para lugares mais batidos, mais normais.
Mas lá estava eu, em Kiev. Num apartamento caindo aos pedaços por fora e surpreendentemente novo por dentro, um dos mil paradoxos do leste europeu. Parece que, para eles, o edifício em si não é importante, é como se fosse parte da rua, como uma calçada, sei lá. Dentro geralmente temos uma surpresa.
As pessoas lá são bem mais simpáticas, sem o clima nariz empinado que há nas grandes metrópoles. Kiev é muito pequena, a arquitetura é bonita, mas também ali vemos o espectro da época comunista e das guerras. Tem abrigos anti-nucleares por tudo e eles são utilizados das mais diversas formas. Aliás o club mais legal do lugar é o Xlib, que fica justamente num desses antigos abrigos. É muito, muitíssimo, mega underground. Eu, que sou meio claustrofócbica, fiquei chocada com o quanto se descia até chegar no club em si. Muitos e muitos andares abaixo da terra. Uma galera muito louca, muito moderna e animadíssima, uma turma completamente diferente daquela de Moscou. Em Moscou a noite é chique, em Kiev é under (e eu gostei bem mais). Tinha uma turma alucinada de djs/estilistas apaixonados pelo Brasil e pelo funk. Entrem no www.myspace.com/zhiguli que é de dois promoters e djs que fizeram a festa incrível em que eu estava.
Povo estranho esse do leste europeu, mas interessante. No último dia, antes de ir para o aeroporto, ganhamos de presente um cd do Iuri, nosso amigo ucraniano. Um querido, ele: gravou uma coletânea só com suas músicas preferidas, coisas muito loucas tipo um funk nigeriano, umas trilhas de filmes indianos (Bollywood) dos anos 70...Bem legal. Virou a trilha aqui de casa.
Sério, queria entrar na cabecinha deles para entender o que se passa, eles são muito diferentes de nós. Fico imaginando essa gente naquela época sem saber o que se passava no mundo lá fora, ilhados num lugar com opções tão limitadas. Imagina a reviravolta que deu na cabeça deles quando foram abertas as portas para o mundo? Me fez lembrar da Alegoria da Caverna do Platão - homens acorrentados nunca caverna de costas para a saída, somente com a luz de uma fogueira, que só permitia que eles vissem as sombras do que se passava lá fora. E eles achavam que as sombras eram a realidade, já que só o que conheciam eram elas. E se os libertassem das correntes?
E foi dessa alegoria que lembrei, enquanto estávamos no carro do Iuri, rumo ao aeroporto, ouvindo trilhas antigas de Bollywood e pensando naquela gente com suas alminhas tão conturbadas e tão marcadas pela história

05/07/2008 19:32:00
A Lei Seca
Estou indignada com essa lei ridiculamente radical, então adorei quando li esse ótimo texto na coluna do David Coimbra. Concordo plenamente. Transcrevo aqui:


O Pequeno Príncipe

Todos os dias, mas todos os dias mesmo, sem faltar um, a Redação de Zero Hora é visitada por misses. Ou rainhas.. Rainha do Nabo, Rainha do Aipim, há muitos tubérculos necessitando de rainhas neste Estado gigante da agricultura. Elas vêm sempre em trio, a rainha ladeada por suas duas princesas. Excluindo sábados e domingos, são 15 rainhas ou princesas por semana, 60 por mês, 720 por ano. Muita realeza. Mas mesmo sendo tantas, todas sabem de verdades que os legisladores brasileiros desconhecem. Por quê? Porque leram O Pequeno Príncipe, as misses têm o hábito de ler O Pequeno Príncipe. Se os deputados também o tivessem, lembrariam de um trecho célebre no qual o principezinho encontra o rei de um minúsculo planeta. Tratava-se de um monarca absoluto, que fazia questão fechada de que suas ordens fossem obedecidas. Como não havia mais ninguém no planeta, o principezinho perguntou sobre o que o rei reinava. Ele respondeu que sobre tudo, o seu planeta, as estrelas, tudo.
- E as estrelas vos obedecem? - indagou o principezinho.
- Sem dúvida. Obedecem prontamente. Eu não tolero indisciplina.
Encantado com tamanho poder, o Pequeno Príncipe pediu para ver um pôr-do-sol. Ao que o rei observou:
- Se eu ordenasse a meu general voar de uma flor a outra como borboleta, ou escrever uma tragédia, ou transformar-se em gaivota, e o general não executasse a ordem recebida, quem, ele ou eu, estaria errado?
- Vós - respondeu com firmeza o principezinho.
- Exato. É preciso exigir de cada um o que cada um pode dar - replicou o rei. - A autoridade repousa sobre a razão. Se ordenares a teu povo que ele se lance ao mar, farão todos revolução. Eu tenho o direito de exigir obediência porque minhas ordens são razoáveis.
- E meu pôr-do-sol? - lembrou o principezinho, que nunca esquecia a pergunta que houvesse formulado.
- Teu pôr-do-sol, tu o terás. Eu o exigirei. Mas eu esperarei, na minha ciência de governo, que as condições sejam favoráveis.
- Quando serão? - indagou o principezinho.
- Hem? - respondeu o rei, que consultou inicialmente um grosso calendário. - Será lá por volta de por volta de sete horas e quarenta, esta noite. E tu verás como sou bem obedecido.
As misses, as rainhas, as princesas, o rei do Pequeno Príncipe, todos sabem que uma ordem impossível de ser cumprida... não será cumprida! Caso da Lei Seca, ora promulgada. A aplicação de tal lei é plausível e até recomendável nas estradas, mas nas cidades se torna ficção. São incontáveis as chances de uma pessoa ser denunciada pelo bafômetro com os rígidos limites impostos, desde o mamão papaia com cassis e o bombom com licor à única taça de champanha consumida no brinde durante uma recepção, passando pela saída não planejada com a colega de trabalho. Se a polícia quiser encher ainda mais os presídios, basta colocar viaturas a circular por Porto Alegre todas as noites a partir da uma da madrugada. Duas, 3 mil pessoas serão encarceradas por dia. E nem isso fará com que a lei seja observada. Até porque a maioria das pessoas que bebe não se embriaga. São essas as pessoas, as mais sensatas, que vão desafiar a legislação. Uma pena, porque eis aí uma lei bem-intencionada. Foram tantas as boas intenções dos que a escreveram, que exageraram. A lei perderá a credibilidade. E, ao invés de irmos para frente, iremos para trás. Só porque os parlamentares não leram O Pequeno Príncipe, só porque não sabem que a autoridade repousa sobre a razão.

05/07/2008 03:00:00
+ info
Acabei de descobrir que o evento do qual vou participar nessa quinta é muito mais legal do que eu pensava. Além do nosso bate-papo, vai rolar também um coquetel com bebidinhas bem legais, música ao vivo (com Ricardo Zymbabwe) e sessão de autógrafos. Então tem mil motivos para ir: seja para ganhar autógrafo no livro, seja para assistir uma conversa descontraída ou simplesmente para filar um bom vinho ao som de uma boa música.
01/07/2008 23:20:00
Nessa quinta
Nessa quinta, dia 3, às 19:00, eu e o Thedy Corrêa estaremos participando de um bate-papo literário bem legal. É o Happy Hour Cultural, que rola ali no Shopping Total (na Alameda dos Escritores, que fica na frente do Restaurante Marcos).
Vou adorar se vocês aparecerem lá!

01/07/2008 12:04:00
Moscou
Cada viagem nos provoca um tipo de sentimento. Algumas nos inspiram, nos abrem a cabeça, como Londres. Outras nos causam aquele sentimento de liberdade, de realmente estar tirando férias da vida real, como a Grécia. Tem também o tipo de viagem que desperta um louco consumismo até nas mais contidas criaturas, que é o caso de NY. Ir, para a Rússia no entanto, foi, para mim, um tipo de viagem que eu nunca tinha vivenciado: me deu vontade de estudar história. Sério, cheguei com vontade de me jogar nos livros e entender porque aquele povo e aquele lugar tão peculiar são como são.
Moscou não deslumbra por suas lojas, por seu povo, pela quantidade de informação ou por seus lugares, mas sim pela história, que de tão presente, se torna impossível de ser esquecida. O comunismo não existe mais lá há quinze anos, mas ronda o povo como um espectro do mal, como tatuagens em suas peles. As pessoas são fechadas, ninguém fala inglês (ninguém mesmo), ninguém dá informação, como se ainda vivessem na época da espionagem – e é a cultura deles, não adianta, não se muda um povo em tão pouco tempo. A coisa mais fácil do mundo é se perder lá, já que não se pode pegar táxi (pois eles dão mil voltas, te enganam) e metrôs são escritos somente no alfabeto deles sem tradução, assim como os monumentos históricos. E como eles têm outro alfabeto não entendem nem se você mostrar um papel com o nome do hotel escrito. Eles definitivamente não fazem a mínima questão de agradar turistas. Parece uma grande São Paulo. É poluída, o trânsito infernal (levamos três horas para chegar do aeroporto até o apartamento) e os edifícios tem bem aquela estética do comunismo, grandes blocos muito pobres e feios. É oito ou oitenta, mas o oitenta é a minoria. Lá pelas tantas encontramos um pequeno centro onde está tudo aquilo que a gente vê em cartões postais, tudo muito lindo. A Praça Vermelha rodeada por lojas como Dior, Louis Vuitton (que ironia histórica) e cafés e restaurantes chiquérrimos. Tanta beleza que parece outra cidade. E é ali que se concentra a noite, que é linda & louca. O Denis Simachev Bar (www.denissimachev.com) é o lugar mais incrível de Moscou (foi lá que o Fredi tocou). Denis Simachev é o estilista mais conhecido da Rússia, todo louco e estiloso, com tatuagens feitas no Caribe, é tipo o Herchcovitch deles. Em cima tem a loja-conceito do cara (ganhei uma blusa linda!) e no térreo tem um restaurante que vira pista de dança depois das onze. Os djs mais legais do mundo tocam lá e as pessoas que freqüentam são louquérrimas. A decoração é original em cada detalhe e numa das paredes tem um mangá erótico em mosaico. Dêem uma olhada no site que eu indiquei.
Outro lugar maravilhoso é o Salanka. Também nos mesmo clima restaurante-que-vira-boate.
Mas, no fim das contas, a impressão que ficou mesmo é a de que é um povo em reconstrução. Muito mais em movimento do que qualquer outro lugar que conheci. Claro que tem aquele grupo que é igual em todo lugar, os djs que conheci lá, a promoter, o diretor artístico do lugar, etc. e foi com esses que deu para conviver e conversar pois eram os que falavam inglês. Ouvi deles histórias horríveis da época do comunismo. Uma menina por volta dos trinta e poucos me contou que, quando pequena, chegava no colégio e só via pessoas com vestidos iguais ao seu – pois só existiam três tipos de vestido nas lojas. Era a individualidade dissolvida no coletivo. Essa era a idéia. As pessoas precisavam ser iguais. Saiam da faculdade e já tinham estabelecido todo seu futuro, onde iriam trabalhar, qual posição iriam ocupar, e nada disso podia ser contestado. E na época de grande crise tinha aquela coisa horrível da fila para pegar pão com um número específico de cupons dado a cada cidadão. Fora o terror de ser prisioneiro no próprio país, só ter informações filtradas, ser vigiado, e não poder contestar nada disso. E o mais louco é que eles não me contaram isso num clima tipo “Olha que horror o que passamos!”. Não. Eles contaram com naturalidade e, quando eu perguntei se eles não achavam tudo isso uma atrocidade, eles disseram: “Não. Nós só conhecíamos aquilo.”.
Fiquei chocada. Mas daí pensei na naturalidade com que falamos (e logo esquecemos) sobre a roubalheira vergonhosa em nosso país e em como não reagimos, como idiotas anestesiados - e então fiquei quieta.
Cada povo acostumado com suas respectivas atrocidades.

30/06/2008 23:40:00
Viagem
Prometo que vou parar hoje para contar com calma sobre minha viagem para vocês, tá?
É que tenta coisa para contar que eu nem sei por onde começar!
18/06/2008 16:05:00
Entrevista
A Paula Pfeifer, minha leitora queridíssima há muito tempo, está com um blog ótimo!

http://sweetestperson.wordpress.com

Entrem ali e leiam a entevista que dei para ela.
Aproveitem e leiam outros textos também, tem muita coisa legal.
17/06/2008 23:36:00
As Mulheres da Vida Dele
Meu querido amigo Miguel Costi é o maquiador mais requisitado para comercias, filmes e produções de moda do Sul - ele é o melhor, quanto a isso ninguém tem dúvida. Eis que ele fez 20 anos de profissão e resolveu comemorar com uma linda exposição chamada "Mulheres da Minha Vida". Então ele convidou algumas mulheres que foram importantes na trajetória dele, as maquiou lindamente para logo depois serem fotografadas pelo Eduardo Liotti (que é ótimo também). Tive a honra de ser convidada para ser uma dessas mulheres e o resultado vocês podem conferir nessa foto aqui. Ou passem no bar Aquavit, que fica na República 552 - Cidade Baixa. Daí vocês podem ver toda a exposição.
17/06/2008 23:25:00
Americans do it Better
Aqui vai um pedacinho que filmei do show da MC de NY, Bunny Rabbit, que se apresentou ontem por aqui na mesma noite em que o Fredi tocou. Muito foda.
Não adianta, ninguém rima como os americanos.

01/06/2008 20:21:00
Ai, ai, estou tão feliz...
Queria morar aqui!
Essa foto é no edifício onde estou, aqui em Berlim. Fica na Schönhauser allee, em Prenzlauer berg, que é um bairro lindo, só com gente jovem com um estilo muito legal. E tem muitos, muitos bebês. Sério, é muito engraçado, nunca vi tantos nenis na minha vida! Em cada quadra tem uns três carrinhos com crianças. Perguntei para um amigo alemão e ele me explicou o motivo: quando houve a queda do muro, muitos jovens de West Berlim migraram para o lado de cá, East Berlim, porque morar desse lado era ridiculamente barato. Então era uma maneira acessível de ser independente. Naturalmente esses jovens se juntaram e tiveram filhos - por isso esse bairro (e também Mitte, que fica ao lado) é essencialmente habitado por pessoas jovens e bebês. Fora os babys, tem lojas ótimas, brechós incríveis e lugares maravilhosos e baratos para comer. Eu, que amo comida Thai, estou feliz da vida porque um prato que no Koh Pee Pee custaria uns 60 reais, aqui custa 4 euros. E é o único lugar que conheço onde a cerveja custa o mesmo que uma água.
31/05/2008 20:17:00
Em Berlim, hoje
28/05/2008 22:39:00
Ucrania
Estou escrevendo de uma lan house em Kiev, Ucrania! Que lugar incrivel: gente muito louca e todo peso de uma historia interessantissima. Estou amando, depois falo mais e posto fotos. Coisa boa se descontextualizar assim, estou me sentindo renovada.
25/05/2008 19:15:23
That´s me
Adoro as decisões definitivas que duram horas.
15/05/2008 05:22:00
Intimação
Espero vocês lá.
PapoCabeça: debate pop-filosófico
quarta, às 21:00, no Cult (Comendador Caminha 348)
tema: "os outros"; convidados: o escritor Paulo Scott e a atriz Ingra Liberato
mediação: eu e Leo Felipe

E entrem no blog também: www.papopopfilosofico.blogspot.com
06/05/2008 05:16:00
Sleepless
Se tem uma inveja que nutro nessa vida é pelas pessoas que DORMEM.
Sério, as pessoas conseguem dormir e não sabem que são felizes. Eu tenho a insônia mais terrível que alguém pode ter: minha cabeça não pára, simplesmente não pára. Daí eu fico irritadíssima pelo fato de não conseguir pará-la e isso obviamente só piora meu estado insone. O resultado é que acordo TODOS os dias ao meio dia com muito esforço (porque senão dormiria até as três da tarde) ainda cansada. Esses dias tive uma reunião às onze da manhã e tive que acordar às dez. Foi uma martírio, cheguei na tal reunião com cara de sono reclamando do horário enquanto todos (que provavelmente tinham acordado às oito) me olhavam me achando louca.
Agora, por exemplo, são quatro da manhã e eu estou aqui, sem nenhum sinal de sono, tomando um vinho e ouvindo Los Hermanos (que amo) para ver se relaxo um pouco. Então resolvi escrever para expor meu sofrimento. Porque sou uma pessoa que sonha em acordar cedo, ler meus dois jornais, tomar um café da manhã ótimo e saudável, fazer yoga, almoçar e depois ter minha tarde livre para escrever, pensar, trepar, ler, fazer nada, sei lá. Vocês estão me entendendo?
Mas não consigo. Acordo tarde e me sinto uma improdutiva. E não tem a ver com culpa, tem a ver com bem estar, qualidade de vida, coisa que perco nessas fases de insônia mais grave.
Enfim, é só um desabafo
06/05/2008 04:11:00
Apesar de tudo, SIM
Estou até agora sem ar com o filme que vi ontem. O Signo da Cidade, com roteiro da Bruna Lombardi e direção do Carlos Alberto Ricceli. Lindo de doer. Senti aquela coisa que o Tenesse Williams escreveu e que eu vivo citando, que estamos todos condenados a um confinamento solitário dentro de nossa própria pele. O filme mostra isso, essa inexorável solidão, essa barreira aparentemente intransponível que a gente tenta quebrar tentando alcançar o outro, abraçar e beijar o outro, se comunicar com o outro com palavras que muitas vezes ficam "lost in translation" – como se cada um falasse sua própria língua, dentro de seu próprio mundo, com seus próprios códigos e traumas, todos com o espectro da incomunicabilidade pairando sobre suas cabeças.
O Signo da Cidade tem um formato de roteiro parecido com Magnólia (de Paul Thomas Anderson) : mostra o drama de algumas pessoas perdidas numa metrópole, vidas que, ao longo do filme, vão se cruzando e nos mostrando como estamos todos interligados e o quanto precisamos uns dos outros. Bruna Lombardi é Teca, uma astróloga em São Paulo que se vê entre seus próprios anseios e problemas enquanto tenta confortar as almas aflitas que ligam para seu programa noturno de rádio pedindo algum conselho dos astros. Ao longo da história conhecemos diversas outras vidas com seus dramas, encontros, desencontros e constatamos o que constataríamos se parássemos mais para olhar para os outros: todo mundo é menos feliz do que imaginamos.
É lindo, epifânico, com cenas que ficam em looping dentro da gente por muitas e muitas horas. É um filme triste, muito dolorido e verdadeiro, mas a gente sai do cinema feliz e com esperança, muita esperança. Porque, no final, a mensagem que fica é a de que, apesar de tudo, de toda a dificuldade que é essa vida com suas perdas, fases difíceis, sonhos perdidos e corações despedaçados, apesar de tudo isso, eles estão ali, tentando botar a cabecinha para fora da janela e respirar, apesar de tudo, eles estão ali dizendo SIM. É essa bela insistência em viver, que é muito mais forte que qualquer isolamento protegido por barreiras aparentemente instransponíveis. Existe a solidão, mas existe a solidariedade. Existe a morte, mas existe o nascimento. Existe a incomunicabilidade, mas existe o entendimento. Existem os desencontros, mas existem os lindos encontros. E, mais importante que tudo, existe a dor de hoje, mas existe o dia de amanhã, que certamente será diferente. E o filme termina mostrando justamente esse aspecto cíclico da vida, lindamente colocado nas palavras de um enfermeiro lendo para um paciente em seu leito de morte:
“Se perdem gestos,
cartas de amor, malas, parentes.
Se perdem vozes,
cidades, países, amigos.
Romances perdidos,
objetos perdidos, histórias se perdem.
Se perde o que fomos e o que queríamos ser.
Se perde o momento.
Mas não existe perda,
existe MOVIMENTO.”




01/05/2008 17:10:00
Eu e a Lya Luft

Estava aqui começando a ler o novo livro de contos da Lya Luft e,na apresentação feita por ela mesma, li algo que me tranqüilizou muito:

“A idéia inicial desse livro foi um ensaio na linha de Perdas & Ganhos: gosto desse jeito direto de chegar aos meus leitores. (...) Depois, com o tempo, me pareceu que seria um romance: os personagens saltavam, sacudiam braços e pernas, queriam viver. Assim cheguei a escrever muitas páginas. Finalmente, após um desses períodos que todo escritor conhece, de inércia, quase desânimo, acordei com o romance fragmentado numa porção de histórias, todas ligadas pela mesma proposta.(...)”

Adorei ler isso, pois eu estou justamente nesse período estranho, causado por um turbilhão de idéias que, ao fim, me deixam tão confusa que me levam ao desânimo ou essa espécie de inércia que, como ela disse, todo escritor passa – mas sempre parece que é a primeira vez.
Primeiro surgiu uma idéia que me parecia ser perfeita para um romance. Comecei a escrever e achei que não, que na verdade teria mais força se fosse um conto. Enquanto a escrevia como conto, surgiam mais alternativas na minha cabeça, entre elas a de voltar e reler um romance antigo (outra idéia) o qual eu já escrevo lentamente há muitos anos, mas tinha esquecido completamente. Então, como se não bastasse a confusão que eu estava em relação à forma da primeira idéia, minha mente veio com essa: quem sabe não acabo de vez esse romance antigo? Enfim, vai entender....
O fato é que estou metida nessa teia que eu mesma criei e, muitas vezes, ao invés de isso me fazer andar, me paraliza, entende?
Daqui a pouco saio desse nó.
Me tranqüilizou ler que a Lya Luft passou por algo parecido antes de escrever esse livro que, a princípio, está me parecendo ótimo (adoro a ficção dela).
25/04/2008 21:08:00
mais...
24/04/2008 21:21:00
mais fotos...
24/04/2008 20:58:00
Tinha me esquecido de contar como foi...
O PapoCabeça foi incrível, melhor impossível.
A Martha, numa fase linda “apaixonada por ela mesma” segundo suas próprias palavras, era a personificação do nosso tema. Foi super pessoal e aberta no discurso, falou de experiências pessoais, analisando-as naquele clima das suas unânimes crônicas. O Cardoso, como sempre, espirituoso & único, foi numa direção oposta da Martha e o resultado foi um papo interessantíssimo de muita troca entre eu, Leo, os convidados e o público – composto por gente interessada e inteligente que participou com várias perguntas e colocações.
É impressionante como me realiza fazer esse evento, me sinto muito bem vendo aquela gente toda animada, reunida para filosofar sobre um tema.
Sei bem que PARAR e PENSAR hoje é um luxo.
O próximo acho que vai ser dia 7 de maio. Quando estiver confirmado, aviso aqui no site e dou mais detalhes.
(fotos por Michael Paz Frantzeski)
24/04/2008 20:55:00
Livros
Ando lendo louca & compulsivamente, naquelas fases em que emendo um livro no outro e só paro de ler quando é caso de vida ou morte. Adoro isso, me sinto vivendo em outro nível, como que flutuando por cima da realidade. Fico andando pela casa de pijama o dia inteiro, meio aérea, com um livro na mão e meu inseparável copão de água no outro. São fases extremamente necessárias, que vêm de tempos em tempos.
Um dos livros bons que andei lendo: “Toda Terça”, romance da Carola Saavedra. Incrível. Uma escrita pós-moderna, diferente, criativa, um texto que flui de maneira absurdamente leve. Ela escreve muito bem, é impressionante. Peguei o livro e só consegui largar quando acabei. Aqui vai um trechinho:

“Mas a verdade é que tudo que eu havia decidido na minha vida fora sempre assim, de um momento para outro, como quem está sentado num banco olhando os patos e de repente resolve ir embora, assim, sem nunca ter pensado antes no assunto, simplesmente porque viu um barco cheio de japoneses passando, simplesmente porque numa noite alguém sorriu por trás do vinho, e, se esse barco não tivesse passado e se aquele sorriso não houvesse surgido, talvez tivesse continuado por décadas sentado naquele banco (...)”

Outro livro absurdo de tão bom que li há um tempo atrás (não entendo como eu não falei dele ainda aqui!) é o “Extremamente Alto & Incrivelmente Perto”, do Jonathan Safran Foer . Acabei de ler chorando, sentindo demais a vida, a beleza e a tristeza das pequenas e grandes coisas pelas quais todos temos que passar, comovida com o pequeno Oskar que, para mim, é um dos personagens mais bem construídos da literatura contemporânea. Estou apaixonada por esse livro, que é sem dúvida alguma, o melhor romance que eu li nos últimos vários anos. Nem vou começar a falar dele senão vou ficar horas e horas escrevendo, mas comprem agora, vale a pena.

23/04/2008 01:41:00
PapoCabeça is back
Como meu bar não existe mais, vou começar a fazer o PapoCabeça (lembram?) no Cult bar, que reabriu ali na frente do Parcão. Apareçam lá, essa edição de retorno vai estar ÓTIMA!
E agora o Leo Felipe apresenta a função comigo.
Aí vai o email de divulgação. Apareçam! Repassem!

"O PapoCabeça, mistura de sarau e debate pop-filosófico que acontecia no hoje extinto Casa de Lou-lou, agora vai rolar mensalmente no Cult bar, que inaugurou semana passada em novo endereço. A primeira edição na casa nova rola na próxima quarta, e tem como tema a FELICIDADE.
Para discutir a questão, escritora e colunista da ZH Martha Medeiros e o consultor criativo e escritor Cardoso, com a mediação de Carol Teixeira e Leo Felipe.
Após o debate, pocket-show da Lica

Onde? No Cult, que fica na Comendador Caminha 348
Quando? Nessa quarta, dia 16
Hora? 20:30
Quanto? R$ 10,00"
12/04/2008 02:56:00
Melhor Música dos Últimos Tempos
"Feeling Good" (Muse)
Dá vontade de chorar, de sentir, de se virar do avesso.

12/04/2008 02:52:00
A Felicidade, desesperadamente
Estou lendo um livro ótimo, “A Felicidade, desesperadamente". Dica dada pela Luana Piovani, quando entrevistei ela para a MOD (uma revista muito foda para qual estou escrevendo, depois falo mais sobre). O título me pareceu meio auto-ajuda (odeio auto-ajuda), mas fui pesquisar no google, para ver quem era o autor e botar corretamente na minha reportagem e descobri que na verdade era o André Comte-Sponville, filósofo francês que eu adoro. Vi que era dele e comecei a ler imediatamente. Como é uma transcrição de uma palestra do cara, o clima, embora obviamente filosófico, acaba sendo mais coloquial, mais bate-papo e não algo exacerbadamente filosófico, o que torna o livro uma leitura mais leve e rápida, que vai agradar até os não iniciados na filosofia. Fala da nossa eterna busca pela felicidade, essa busca que parece nunca ter fim. Cita Sartre, quando diz que o homem “é fundamentalmente desejo de ser”, cita Platão que diz que “desejo é falta” e completa escrevendo que, seguindo esse raciocínio, estamos separados da felicidade justamente pela esperança que a persegue. É como se estivéssemos sempre correndo atrás do próprio rabo, entende? Desejamos e, quando conquistamos, já não somos/temos mais o que desejamos, mas sim o que desejávamos. Daí perde a graça e a felicidade é perdida. Então, ao longo do livro, ele faz uma crítica da esperança que, diz ele, é a culpada por não nos permitir sentir o presente, sem estarmos presos aos grilhões do passado ou atormentados por essa eterna “falta”. Não vou me estender mais no assunto “felicidade” porque não acabei de ler o livro e, quando concluir e pensar mais sobre, ainda quero dedicar um post inteiro a esse tema interessantíssimo.
Quero falar de outra coisa. Uma coisa que senti ao ler essa obra e algumas outras do mesmo gênero que vem surgindo nos últimos anos.
Os filósofos de hoje estão tendo uma visão que os outros, de outras épocas, não tinham: a de que a filosofia tem uma utilidade. Alain de Botton, Luc Ferry (que matou a pau numa palestra ano passado no ciclo de conferências Fronteiras do Pensamento), o próprio André Comte-Sponville, todos caras geniais, pensadores contemporâneos, conectados a seu tempo e, graças a deus, não enclausurados na Torre de Marfim do Saber. Acho isso ótimo, vibro com a atitude deles de escrever livros recheados de cultura e conhecimento, mas em uma linguagem mais acessível ou até divertida, pois desde meus primeiro semestre da faculdade de Filosofia, eu pensava nela como instrumento de compreensão do mundo e do próprio ser humano – e a compreensão é a base de uma posterior ação. Mas me deparava com alguns professores (não todos, que fique claro) que insistiam em afastá-la da realidade, deixando-a cada vez mais distante da vida prática, assim, cada vez mais inútil. E me perguntava: porque afastam as pessoas “não-inciadas” dessa maravilha que pode mudar uma vida, mudar um olhar? Porque deixá-la num grupinho seleto, na tal torre de marfim que sempre falo, se ela é definitivamente algo útil? Não é que a filosofia PRECISE ter uma utilidade, a questão é que ela simplesmente TEM. É só fazer a pessoa enxergar. E eles fazem.
Compreender o mundo e a si mesmo: para mim é nisso que consiste a sabedoria. E é disso que trata a filosofia. E é o que leva à felicidade. Entenderam como tudo está linkado?
Por isso se neguem a comprar os best sellers de auto-ajuda rasos que estorvam as vitrines das livrarias. Se rendam à filosofia que esses pensadores modernos e inteligentes estão fazendo o favor de espalhar por aí. É o tipo de leitura que acaba ajudando a vida pela sabedoria de verdade.
Aí vão algumas dicas (ando numas de dar dicas, não sei porque...)
- Aprender a Viver (Luc Ferry)
- As Consolações da Filosofia (Alain de Botton)
- Como Proust Pode Mudar a Sua Vida (Alain de Botton)
- A Felicidade, desesperadamente (André Comte-Sponville)
07/04/2008 19:42:00
Dicas
Dei umas dicas legais para o www.zerohora.com/rsvip
Dêem uma olhada!

02/04/2008 20:02:00
O que ando ouvindo
Fight Test (Flaming Lips)
Feeling Good (Muse)
My baby Just Cares for me (Nina Simone)
Tomorrow is my turn (Nina Simone)
Old Yellow Bricks (Artic Monkeys)
Hey Joe (Jimi Hendrix)
Nicotine & Gravy (Beck)
Love is a Game (The Magic Numbers)
I see you you see me (The Magic Numbers)
Forever Lost (The Magic Numbers)
DVNO (Justice)
Staring at the sun (TV on the Radio, Diplo remix)
Paper Planes (M.I.A.)
XR2 (M.I.A.)
My Sweet Lord (George Harrison)
Hot Kiss (Juliette and the Licks)
The Slaughter (John Frusciante)
Deixa o Verão (Mariana aydar)
Stronger than Me (Amy Winehouse)
You know I´m no good (Amy Winehouse)
Wicked Game (Giant Drag)
Crips (Ratatat)
Cold shoulder (Adele)
Fly me to the Moon (Diana Krall)
Dance me to the end of love (Leonard Cohen)
Love, you should´ve come over (Jamie Cullum)
Devil Moon (Jamie Cullum)
Road Trip (Red Hot chili Peppers)
Layla - unplugged (Eric Clapton)
Give it to me (Timbaland)
Anyone else but you (The Moldy Peaches)
Raphael (Carla Bruni)
L´excessive (Carla Bruni)
L´amour (Carla Bruni)
01/04/2008 14:42:00
Amo a Elisa Lucinda!
"A vida não tem ensaio
mas tem novas chances
Viva a burilação eterna, a possibilidade:
O esmeril dos dissabores!
Abaixo o estéril arrependimento
A duração inútil dos rancores
Um brinde ao que está sempre em nossas mãos:
a vida inédita pela frente
e a virgindade dos dias que virão!"

28/03/2008 05:31:00
O Fim da Era Glacial
Finalmente consegui descongelar meu freezer! Depois de quase três dias de descongelamento, dois só para conseguir abri-la (para vocês verem que eu não estava mentindo quando contei meu drama), aqui está ela, limpa e linda.
Obrigada pelo leitor que deu a dica do secador de cabelo! Aliás obrigada pela preocupação de todos os leitores - um chegou a me abordar em pleno Planeta Atlântida perguntando "Como é que tá a tua geladeira?"
Não é ótimo isso?

27/03/2008 17:27:00
Bob Dylan, etc.
Páscoa em Punta: Eu & Fredi no Conrad, honeymoon as always/ show incrível do Bob Dylan/ companhia querida dos amigos Ferla & Ana/ Peninha do lado contando a história das músicas e chamando, aos gritos, o contido público de “múmias” por não terem a reação dele de mega-fã que já foi a mais de sessenta shows do velho/ arrepio e quase lágrimas em “Like a Rolling Stone”/ para variar, trago homérico na área vip do casino (Willy!!! Una vodka com sprite!!!)/ sol lindo, que eu não consegui usufruir por acordar tarde demais/ croissant com queijo brie/ vista linda, de chorar vendo/ redescoberta do barulho das ondas e a constatação de que eu tenho que conviver mais com a natureza/ janta com Marcito & Joana e o melhor vinho do mundo/ o melhor risoto do mundo/ a melhor sobremesa do mundo/ máquina nova comprada no free shop: vocês vão ter que agüentar meus vídeos e fotos de novo.

Bob Dylan que me desculpe, mas eu ainda prefiro o Hendrix...




24/03/2008 17:39:00
Sina
“ Adoro observar as pessoas. Eu gostava de almoçar sozinho, num hotel antigo de Salvador, para observar os freqüentadores. Entrava um sujeito com uma moça e, a depender de como conversavam, ele saía de lá como o prefeito de não sei onde, que enfrentava um problema terrível com sua mulher feiosa mas boa gente, e agora transava com aquela moça, sua secretária, que já pensava em chantageá-lo. Eu biografo as pessoas que vejo, especialmente casais. Só sei escrever assim.”
(João Ubaldo Ribeiro, hoje na ZH)


Me identifiquei tanto com isso. Meu processo é bem parecido, sou louca por analisar pessoas. Uma vez, para o estranhamento de todos, decidi sair de Londres (onde morava na época) e passar uma semana inteira sozinha em Nice, no sul da França, almoçando sozinha, jantando sozinha, dormindo sozinha – e observando. Eu estava hospedada numa ruazinha movimentada, cheia de restaurantes, e todas as noites tinha um cara que tocava músicas lindas no sax. Às vezes eu ficava deitada na cama, sem abrir a janela, só ouvindo e imaginando quem tocava, quem ouvia e o que acontecia lá fora. Essa solidão, seguida desse exercício involuntário de imaginação, é uma das coisas que mais me inspira.
Outras vezes, a inspiração surge apenas de uma energia, uma emoção que alguém deixa escapar pelos olhos ou por algum gesto, geralmente pelas coisas não ditas. Sou tomada por aquilo e única solução para me livrar é escrever (é aquela coisa do Bukowski: “the words I write keep me from my total madness”...). O mais estranho é que a coisa que eu escrevo depois não tem necessariamente a ver com a tal emoção captada da pessoa: aquele processo serviu apenas para abrir um canal.
Também não posso ver uma janela aberta que já espio, olho os quadros, os móveis, o computador, a televisão e todos os detalhes a que tenho acesso. E imediatamente imagino a vida inteira da pessoa que ali habita, seus momentos de solidão, seus medos, seus gostos, seus laços, suas perdas. E mais: me imagino ali. E é então que sinto uma leve dor por me desconectar da minha pele e entrar, nem que seja por um instante, na pele de outro. E dessa dor, geralmente surge algo inesperadamente bonito. Tenho essa mania louca, que me acompanha desde pequena, de me colocar no lugar dos outros.
Talvez daí venha minha ânsia pela escrita – essa minha prazerosa condenação.

04/03/2008 17:34:00
Para alegrar a vida
Road Trippin, do Red Hot Chilli Peppers

23/02/2008 03:04:00
Eu e a Geladeira
A geladeira aqui de casa surtou.
A parte do freezer congelou de uma forma bizarra, com minhas Stolichnayas dentro e tudo. Um horror. O negócio está tão sério que portinha não abre porque tem uma camada de gelo louca que não permite a abertura. Quando eu, chocada, conto para as pessoas sobre esse fenômeno, todos me perguntam: “Tu nunca descongelou a geladeira para limpar?”. Pergunta a qual respondo achando muito óbvio “Claro que não!”
Sim, moro há mais de três anos aqui nesse apartamento e nunca descongelei a geladeira, aliás nem sabia dessa prática. Mas, pelo jeito, as pessoas descongelam sim suas geladeiras e freezers para que tais coisas não aconteçam. Sou uma péssima dona de casa, sem noção, eu sei que é isso que vocês estão pensando. E agora estou com esse problemão: um freezer congelado tipo nada-entra-nada-sai e nenhuma perspectiva de solução, já que foi tentado desligar o negócio por um dia inteiro e o gelo permaneceu intacto, de tão evoluído que está o estágio da tragédia...
07/02/2008 02:32:00
Deixa o Verão
Estou viciada nessa música da Mariana Aydar, dica do meu amigo Nelson Motta. Música linda, letra linda (do Amarante, do Los Hermanos). Olha só:

Deixa o Verão

Deixa eu decidir se é cedo ou tarde
Espere eu considerar
Ver se eu vou assim chique à vontade
Igual ao tom do lugar

Enquanto eu penso você sugeriu
Um bom motivo pra tudo atrasar
E ainda é cedo pra lá
Chegando às 6 tá bom demais
Deixa o verão pra mais tarde

Deixa
Deixa o verão
Deixa o verão pra mais tarde

Não to muito afim de novidade
Fila em banco de bar
Considere toda hostilidade
Que há da porta pra lá

Enquanto eu fujo você preparou
Qualquer desculpa pra gente ficar
E assim a gente não sai
Esse sofá ta bom demais
deixa o verão pra mais tarde

Deixa
Deixa o verão
Deixa o verão pra mais tarde

Deixa eu decidir se é cedo ou tarde
Espera eu considerar
Ver se eu vou assim chique à vontade
Igual ao tom do lugar

Enquanto eu penso você sugeriu
Um bom motivo pra tudo atrasar
E assim a gente não sai
Esse sofá tá bom demais
Deixa o verão pra mais tarde
06/02/2008 01:07:00
Almost Famous
Amo essa música. Amo essa cena. Amo esse filme.

01/02/2008 03:51:00
Praia
Eba! Estou indo para a Torres, pegar um sol e relaxar. Eu e o meu amor.
é tudo o que eu estava precisando...
25/01/2008 15:02:00
Enquanto isso, na Sala de Justiça...
Mas, para que eu não passe a falsa impressão de que minha vida esteja sendo apenas crises e incêndios, quero dizer uma coisa: meu livro novo está ficando lindo e criativo, um super desafio, porque escrever um romance bom não é bem assim, né? A história é muito boa. Pede, implora para ser um romance. Fazer dela só um conto seria sacanagem demais...
25/01/2008 04:41:00
Fim de Jogo
Era sábado e eu estava bem tranquila assistindo a atuação incrível do meu talentosíssimo amigo Zé Adão Barbosa na peça “Fim de Jogo”, do Beckett. Saio do teatro, ligo meu celular, que estava obviamente desligado antes, e vejo mil chamadas da minha irmã. O motivo? Meu bar, meu querido Casa de Lou-lou, tinha pegado fogo. Pegado fogo MESMO, perda total.
Pois é. Estou de luto pelo meu barzinho que tanta alegria me deu. Até botamos faixas pretas na grade porque é muito deprê ver os resultados do incêndio e não queremos que ninguém mais tenha esse desprazer.
E agora é lidar com as muuuuuuuuuuito chatas questões burocráticas e discussões com sócios. Aliás, uma lição nessa função toda eu tive: sociedade é o maior dos problemas e acaba amizades. Sério. Fique longe disso.
25/01/2008 04:26:00
A Crise dos Vinte e Muitos Anos
Fiz 28 anos no dia 19 de dezembro e surtei.
Sim, ao contrário dos 26 e 27 (que me faziam sentir só de leve a sensação de estar indo para o “lado de lá”), os 28 anos me levaram a uma série de sensações confusas e desagradáveis que nem eu mesma estou entendendo. Eu, a mulher das respostas, me deparei sem justificativas para tal surto. Para tentar detectar o problema, fui por eliminação: sou feliz profissionalmente, não tenho problemas em relação a minha aparência, sou feliz amorosamente, tenho uma casa linda lúdica, tenho uma gatinha que eu amo, estou escrevendo meu novo livro que, pelos meus cálculos, vai ser bem legal....então o que está errado?
Nada. Mas tinha que ter alguma coisa, porque a chegada dessa idade estava caindo como um chumbo nos meus ombros. Comecei a me sentir, de súbito, com medo do futuro, a sentir uma consciência excessiva (sim, consciência excessiva pode ser negativa) do meu papel no mundo e ao mesmo tempo dúvidas, muitas dúvidas sobre o fato de eu estar ou não o exercendo bem. Comecei também a fazer perturbadoras retrospectivas analíticas da minha vida até aqui (coisa que começou no ano passado – notaram o quanto eu falei da minha infância nos textos?), vendo aqueles filminhos que passam na nossa cabeça quando a gente morre, sabe?. Pois é, eu também não sei porque não morri, mas deve ser algo assim. O que eu queria afinal? Para que eu vim para esse mundo? O que ia ser de mim daqui para frente?
Sim, crise existencial das mais profundas.
Eis que me lembro do tão falado Retorno de Saturno, que acontece entre os 28 e os 30 anos da mulher e a leva a questionar toda sua vida. É quando o planeta em trânsito se posiciona no mesmo local em que ele estava no momento de nascimento da pessoa, iniciando uma nova volta em torno do zodíaco. Fui para o google saber mais e encontrei essa ótima explicação da astróloga Márcia Mattos:

“Novamente, como em todo trânsito de Saturno, ocorre um doloroso rito de passagem, envolvendo responsabilidades, desta vez, maiores do que nunca. A partir deste período, muitas coisas, que antes eram parte de uma gama de opções, se tornam definitivas. É o momento de determinar o que vai dar impulso aos próximos 28 anos e tudo o que é decidido tem sua repercussão e conseqüência.
Este período representa também o fechamento sobre todo o passado de dependência familiar, uma liberação final de tudo que ligava às servidões da infância e da adolescência, uma aquisição definitiva de autonomia. (...)É a chegada definitiva da certeza da sua responsabilidade em relação aos outros, em que se procura gerar confiança em que os cerca e se começa a pensar seriamente no futuro. É o primeiro contato com a sensação de que o tempo passa e que a velhice não tarda a chegar, por isso a intensificação das cobranças internas. Não é mais tempo para ilusões e sim para definições. Nesta época, as pessoas começam a adquirir um senso de responsabilidade não apenas para si próprios, mas também para aqueles que o cercam. Começa-se a perceber que as suas decisões terão influência na vida daqueles que amam. (...) A crise provocada por Saturno sempre é complicada, já que mexe com assuntos como o tempo e a idade, fracasso, frustração ou sucesso. Todos estes aspectos são muito angustiantes porque abalam a auto estima de cada um.”

É isso aí. Estou iniciando meu Retorno de Saturno à todo vapor.
Acho que a parte que mais me pega nessa explicação toda é a que diz que “muitas coisas, que antes eram parte de uma gama de opções, se tornam definitivas”. Agora eu estou numa idade em que, por exemplo, não posso começar de novo profissionalmente e ser, sei lá, psicóloga. Não que eu queira, que fique BEM claro, mas se eu quisesse, não podia. Isso é novo para mim, entende? E com o tempo só vai piorar. É um novo ciclo, de olhar para o futuro, se sentir dono e responsável pela sua história.
Bom, vou acabar por aqui antes que vocês me mandem ir ouvir um Renato Russo nesse clima “quero me encontrar/mas não sei onde estou...” ou ler algum filósofo existencialista chato.
De qualquer forma, obrigada pela atenção. Esse texto me poupou uma hora de análise.




22/01/2008 14:02:02
Aos Meus Amigos
Acabei de ver o primeiro capítulo da mini-série da Globo "Queridos Amigos", da Maria Adelaide Amaral. A história é baseada num livro da própria Maria Adelaide pelo qual eu sou APAIXONADA. Se chama "Aos Meus Amigos" e a trama é um pouco diferente, mas tem o mesmo tema. Vale a pena, corram para a livraria e comprem, é absurdamente lindo.
Outro livro muito bom da mesma autora: "Luisa - quase uma história de amor".

Estou indo para o Ossip, amanhã escrevo mais!
18/01/2008 00:07:00
Caio F.
Voragem, vórtice, vertigem:ego. Farpas e trapos. Quero um solo de guitarra rasgando a madrugada. Te espero aqui onde estou, abismo, no centro do furacão. Em movimento, águas.
10/01/2008 23:31:00
Sobre o Desejo
Nunca me deixei ser tomada pelo espírito natalino, o Natal e toda sua suposta energia nunca me tocaram muito. Depois que eu descobri que Papai Noel não existe, passei a não ver mais sentido em tanta emoção. No entanto, no Ano Novo fico à flor da pele, com retrospectivas rodando na minha cabeça, faço o balanço de erros e acertos e, o mais importante de tudo, faço planos, muitos planos para o ano que está por vir. A proximidade dessa página em branco me intriga, me estimula, me dá vontade de viver, de ser uma pessoa melhor ainda, como se à meia noite fosse possível – e não é? – ao invés de ver a carruagem voltar a ser abóbora, como na fábula, nos tornarmos versões melhores de nós mesmos.
Então fico lúdica e sonhadora e meus finais de ano são assim, cheios de sonhos e alegrias. Alegrias essas que me levam a crer que o que move a vida é isso: o desejo.
Alguém disse, acho que foi o Tenesse Williams, que “o oposto da morte é o desejo”. Porque desejar é não estar estagnado, desejar é sentir o sangue correndo quente nas veias. Desejar é ter esperança.
Por isso, nesse final de ano, faço minhas as palavras da Rita Lee numa entrevista que ela deu à última Rolling Stone:
“Nunca estive tão feliz em toda a minha vida. Feliz para caramba. Feliz, but I still can´t get no satisfaction, and I like it, like it, yes I do. Se a gente ficar satisfeita, é melhor morrer, né não?”

Um feliz 2008 para todos vocês que me lêem! Um ano cheio de desejos e esperança!
27/12/2007 17:40:00
Meu Casamento
"Não fosse isso, era pouco
Não fosse tanto, era quase"
(Leminsky)

Foi perfeito.
Com direito a tatuagem feita na hora pelo meu querido amigo Edu Tattoo, votos escritos por nós mesmos e lágrimas infinitas dos convidados. Foi uma catarse coletiva.
Se quiserem ver mais fotos, entrem no site do fotógrafo www.tiagotrindade.com.br - lá tem fotos e texto contando tudo.
22/12/2007 19:07:00
Olhos de Cadela

Andei folheando de novo o livro "Olhos de Cadela" (L&PM), da minha amiga e grande poeta Ana Mariano e achei coisas lindas - como ela escreve bem! Olha que lindo isso aqui:

Desamparo

Um fio apenas me mantém ereta
Faz com que eu desperte eterna, diuturna,
invada o circo, enfrente a platéia,
encare o dia e sorria marionetes.

Luzes se ascendem, são velas
prometidas. Ao coro dos que passam
me reúno e inicio a faina delicada
de lavrar, em ferro e vidro

Ensaio, em mim, saltos, piruetas,
desafio o que me sustenta.
A arena é comum.
Inarredável e sem rede.
Desamparo.

Um fio apenas me enternece
a força pendurada, filamentos
de fuga, ponta de estrela
dançando nas correntes

10/12/2007 23:04:00
Tudo Que Você Não Soube
Acabei de ler “Tudo que você não soube”, novo livro da Fernanda Young. A obra consiste basicamente numa carta que a personagem escreve para o pai que está morrendo – uma carta contando “tudo que ele não soube”, uma carta dolorida, cheia de rancor e amargura, passando pela ironia e beirando a crueldade. Tem humor? Tem. Tudo da Fernanda Young tem um pouco de humor, principalmente nas digressões da personagem, mas definitivamente não é um livro leve, pelo contrário. Na carta a protagonista culpa o pai e a mãe pela pessoa que se tornou (coisa tão freqüente nas relações familiares) e tenta achar explicação para o que fez no passado do qual tenta fugir até hoje: ter agredido seriamente a mãe numa briga.
A primeira coisa que me veio à mente foi o início de um filme que vi no qual o personagem, antes de começar a contar suas memórias, dizia: “não vou contar as coisas como aconteceram, mas sim como eu as lembro.” Sim, há um abismo entre os fatos e a maneira como os recordamos – guardamos na memória as coisas com as cores e molduras que escolhemos. E é isso que lemos no livro. Sem o julgamento ou distanciamento de um narrador onisciente, a personagem conta ela mesma seu complicado passado da maneira como ela o registrou e nos deixa com inúmeras perguntas. O pai era mesmo um monstro? A mãe era tão má com ela? Ou ela era apenas um drogadita-adolescente-mimada que surtou? Suas dificuldades vem mesmo da maneira como ela foi criada?
É uma sensação parecida com a que temos ao ler “Dom Casmurro”, quando acabamos o livro sem saber se a traição da mulher tinha acontecido de fato ou era apenas paranóia dele. Aí que entra a grande questão: existem “fatos” ou apenas diferentes visões sobre o que acontece? Como diz Camus, para toda razão há sempre outra razão que a oponha, ou seja, o que existem são versões. E nós sempre acreditamos nas versões que criamos sobre nossa história, principalmente no que diz respeito à nossa família. Toda relação familiar é problemática, até as que pensam não ser. E não há como ser diferente: mal nascemos e caímos direto nas mãos de duas pessoas que têm total liberdade para nos moldar à vontade. Duas pessoas que têm seus traumas, suas neuroses, duas pessoas que têm as suas versões para o mundo. Daí crescemos nós, produtinhos dessas neuroses, até chegar numa idade em que adquirimos nossas próprias neuroses e visão de mundo – e é então que já não são mais dois seres batendo cabeça com suas “certezas” e diferentes “lentes”, mas três. Essa é a inexorável dialética das relações familiares.
Tem um momento do livro que para mim é muito revelador. Quando o final se aproxima, ela conta que havia transformado em foto uns slides antigos, que mostravam ela criança, com a família. Diante das imagens que a retratavam leve e sorridente, brincando, pulando corda, se divertindo com os mesmos pais que ela se dirige com tanto ódio, ela diz: “é tão assustador...hoje me dei conta de que fui feliz, antes até do que eu imaginava” . E é então que vemos a relatividade do relato – não só do dela, mas o de qualquer relato. Os slides eram outra versão dos fatos, talvez algo parecido com a narração onisciente que não há no livro. Onde estava a verdade? Na felicidade dos slides? Nas coisas que ela contava com tanto ódio e rancor? Estava em lugar algum ou em todos. Assim como na vida, não existe a verdade.
E é assim, sem redenção, que chegamos às últimas páginas. Com a certeza de que, como já disse Woody Allen “a vida só depende da maneira como iremos distorcê-la.”


06/12/2007 22:08:00
SIM

“The gratest thing you will ever learn is just to love and be loved in return”, frase da música “I`m glad there is you”, música linda, rasgadamente romântica (estou ouvindo ela agora mesmo em versão instrumental do Chat Baker). Sabe que é verdade mesmo? A frase, eu digo. É verdade sim: porque aprender a amar e se deixar ser amada é de fato uma das coisas mais complexas da vida, embora frequentemente a gente ache que não (eu, com minha veia de cronista, estou tentada a ficar horas dissertando sobre o assunto, mas esse post não é para isso). Então, quando a gente sente que chegou nesse nível sublime de consciência da arte de amar (que vem de um longo aprendizado) e se vê imersa numa sintonia única, é inevitável que algo grandioso aconteça.
Eu aprendi.
Ele aprendeu.
E a gente vai casar.
Sim, estamos a menos de um ano namorando, mas na relação mais intensa da vida, 24 horas por dia juntos desde o primeiro dia em que ficamos, criando juntos, viajando muito pelo mundo, rindo, nos emocionando, flutuando numa viagem romântica que só a gente entende. Descobrimos juntos que carência excessiva não é mais uma das questões a serem tratadas na análise – carência pode e deve ser suprida, é só achar a pessoa certa.
E a gente achou.
Então, no meio de dezembro a noiva mais louca que essa cidade já viu entrará feliz da vida pelas portas do Country Club e casará numa cerimônia única.
Mandei as convidadas mulheres irem vestidas de branco, pois eu vou de outra cor. A cerimônia não vai ter padre nem juiz, mas seguirá um ritual inventado por nós dois. Artístico e poético, claro. Nada convencional, como a gente. E no convite a gente avisa: é mais que uma casamento – é uma união autêntica entre duas pessoas que não seguem, mas criam.
27/11/2007 00:10:00
Frase linda
"Não perturbe o tornar-se"

(Deleuze)

20/10/2007 23:11:00
Vertigem
"O que é vertigem? Medo de cair? Mas porque temos vertigem num mirante cercado por uma balaustra sólida? Vertigem não é o medo de cair, é outra coisa. É a voz do vazio debaixo de nós, que nos atrai e nos envolve, é o desejo da queda do qual nos defendemos aterrorizados."

(Milan Kundera, "Insustentável Leveza do Ser")
18/10/2007 19:10:00
Das Coisas Sublinhadas
Não consigo ler um livro sem sublinhar meus trechos preferidos. É minha maneira de me apropriar dele, como se ali, através daquelas frases marcadas, se revelasse a MINHA visão da obra e a conexão da obra com a minha vida. Por isso, sempre achei que ler as frases sublinhadas do livro de alguém é algo tão íntimo que chega quase a ser invasivo.
Hoje acordei cedo (coisa rara) e fiquei perambulando pela casa, bem leve & silenciosa, pegando alguns livros lidos e relendo alguns trechos sublinhados.
Vou colocar alguns aqui, vou deixar vocês me invadirem.


“Peixe cego ignorante de meu caminho inevitável em direção ao outro que contemplo de longe, olhos molhados, sem coragem de tocá-lo. Alto de noite, certa loucura, algum álcool e muita solidão. Quero mais uísque, outra carreira. Tudo aos poucos vira dia e a vida – ah, a vida – pode ser medo e mel quando você se entrega e vê, mesmo de longe.”

(Caio F. Abreu, “O Rapaz mais triste do mundo”)


“Uma coisa:
Tem tanto que você não sabe sobre mim – coisas que eu não te contei – por exemplo, que eu tenho uma família, que eu acredito que exista um Deus, que um dia eu fui criança – e que eu já me apaixonei duas vezes e que nenhuma delas durou. Mas o que importa isso, no final, se você está sozinho? Qual é a nossa memória? Qual é a nossa história? Até que ponto uma parte de nós é a paisagem e até que ponto nós somos parte dela?”

(pg. 123, “Life After God”, Douglas Coupland)


“Pensei em como, todo dia, cada um de nós experimenta alguns poucos momentos que têm apenas um pouquinho mais de ressonância do que outros – ouvimos uma palavra que permanece na nossa mente -, ou talvez tenhamos uma pequena experiência que nos puxa para fora de nós mesmos, mesmo que brevemente – estamos num elevador de hotel junto com uma noiva de véu, digamos, ou um desconhecido nos dá um pedaço de pão para alimentar os patos selvagens na lagoa; uma criancinha começa a conversar com a gente numa lanchonete (...). E se fôssemos reunir esses pequenos momentos num caderno de anotações e guardá-los por alguns meses, veríamos certas tendências emergirem de nossa compilação – surgiriam certas vozes que têm tentado falar através de nós. Perceberíamos que estávamos tendo uma outra vida, uma vida que nós nem sabíamos que estava acontecendo dentro de nós. E talvez essa outra vida seja mais importante do que aquela que consideramos real – esse mundo atormentado, de ruídos e metais. Então talvez sejam esses pequenos momentos silenciosos os verdadeiros acontecimentos que fazem a história de nossas vidas.”

(pg. 146, “Life After God”, Douglas Coupland)



“...amor será dar de presente um ao outro a própria solidão? Pois é a coisa mais última que se pode dar de si”

(Clarice Lispector, "A Descoberta do Mundo", pg 418)

18/10/2007 11:49:00
Medo
Se eu pudesse escolher uma coisa para eliminar dentro de mim, escolheria o medo. Sim, esse sentimento inútil me acomete mais do que eu gostaria – sou uma medrosa assumida, às vezes beirando a paranóia. Sinto muito medo de avião, por exemplo, sempre senti. Fico tensa do início ao fim da viagem, imaginando horrores, sempre acho que entre os milhares de vôos no mundo, é justamente o meu que vai cair. Também, quando estava na Europa, tinha certeza de que aconteceria um atentado logo no meu vagão do metrô. Tenho medo de certas situações em público, mas escondo bem. Tenho medo de assalto, de doença (hipocondríaca total), de estrada, e muito, muito medo de morrer, porque amo a vida demais.
Tenho também um certo pânico diante da página em branco. A escrita, que é o que mais me dá prazer, ironicamente (mas compreensivelmente) é o que mais me aterroriza.
Sempre fui uma pessoa instável e atormentada (no sentido positivo e no negativo) e o medo (assim como a culpa) sempre foi um dos meus “pontos a trabalhar na análise”, mas só esse ano fui perceber isso.
No entanto, há momentos como esse aqui-agora, em que, sentada no computador, olhando para o sol lá fora e ouvindo o sino da Igreja aqui perto, sou inundada por uma paz inexplicável, uma ilha em meio ao caos interno, como se estivesse naquele estágio em que o Rivotril está batendo e a calma chegando aveludada dentro da gente. Sabe?

17/10/2007 17:53:00
Meu Retrato Celular
Eu já expliquei o que é Retrato Celular, né? Relembrando: é a série-reality, da qual eu participo, com direção geral do Andrucha Waddington que está rolando no Multishow toda terça às 21:45. Bom, nessa terça próxima, dia 2 de outubro vai ao ar o episódio que aborda a minha vida. Dêem uma olhada, quem curte meu blog certamente vai curtir o programa.
Tive que ficar uma semana com um celular com câmera muito foda da Nokia e filmar minha vida durante esse período. Chegou um momento em que eu me acostumei tanto a filmar, que não queria parar mais. Talvez por isso filmei tanta coisa da minha viagem no youtube, depois. Viciei, fazer o quê?
Mas o recado tá dado: terça que vem, 21:45, canal Multishow. Não percam!
Se quieserem ter uma prévia do programa, é só ir em http://globosat.globo.com/multishow e clicar no Retrato Celular.
26/09/2007 20:49:00
A Incrível Privada Japonesa
Falei, falei da viagem e esqueci de contar uma coisa importantíssima: a privada japonesa é a coisa mais moderna e interessante que eu vi no Japão! Sério. Tão legal que eu fiz um videozinho lá no dia de chegada. Vou postar o vídeo aqui para vocês terem noção do que eu falo. Só não reparem na minha cara acabada de quem viajou 24 horas, ok?



26/09/2007 20:27:00
Céu e Frusciante
Um não tem nada a ver com o outro, mas estou apaixonada pelos dois: a cantora Céu e o John Frusciante.
Tenho ouvido tanto, tanto, tanto que estou com medo de enjoar daqui a pouco.
Frusciante é O CARA, ninguém tem a sensibilidade e a melancolia que ele tem. Já é incrível ouvi-lo tocando guitarra no Red Hot Chili Peppers, mas nos discos solo, nos quais ele compõe, canta e toca é absurdo. “To Record only Water for Ten Days” é o melhor. “Shadows Colide With People” também é ótimo. Alma jorrada, entregue, sangue escorrendo da maneira mais poética possível. Dá vontade de voar, de criar, de viver sem ressalvas. Vá lá agora: www.johnfrusciante.com

Céu é uma das coisas mais autênticas e improváveis que surgiram no Brasil no momento.Ela podia ser uma imitação da Marisa Monte, mas não é. Podia ser uma mpb-com-música-eletrônica, mas não é. Tampouco vai nessa onda de cantoras nostálgicas que simplesmente cantam “samba antigo” sem inovar. Então o que é ela? Não sei explicar, só ouvindo. É uma mistura louca de sonoridades e uma voz com muita personalidade. O cd (que fiz questão de comprar) é todo bom, mas estou apaixonada pelas músicas “Malemolência”, “Lenda” e “Roda” – baixem para ter uma noção do que estou falando.
E olha que bonito isso aqui, está na letra da música “Bobagem”:

"Minha beleza
Não é efêmera
Como o que eu vejo
Em bancas por aí
Minha natureza
É mais que estampa
É um belo samba
Que ainda está por vir"
14/09/2007 16:10:00
Vinícius e eu
Revi ontem o documentário sobre a vida de Vinícius de Moraes, entre o deslumbramento e a preocupação. Deslumbramento por ver naquela vida recheada de paixão e leveza um ideal (cada vez mais me convenço de que nasci na época errada, pensei isso quando li a biografia de Tarso de Castro também). E preocupação por sentir que eu, com a tal da maturidade (essa faca de dois gumes) estou perdendo muito daquela inocência, aquela ingenuidade tão linda que eu via escancarada nele, mesmo à beira da morte.
Senti isso ao reler, esses dias, meu primeiro livro (“De Abismos e Vertigens”), escrito aos vinte e dois anos. Hoje, aos vinte e sete, ele me pareceu absurdamente adolescente e infantil. Não só na maneira de escrever (na qual é normal uma evolução), mas no conteúdo, nas preocupações, nas emoções da quais muitas me soavam ingênuas e sentimentais. Autocrítica excessiva? Talvez. Mas também um certo senso de desmistificação da vida, que eu não tinha na época em que escrevi o livro, mas hoje tenho. E será isso bom? Acho que não. Foi essa a conclusão à qual cheguei vendo, ontem, retratada aquela vida tão cheia de esperança. Sim, porque era disso que se tratava a vida de Vinícius: esperança e crença. Ele dizia: “é melhor crer do que ser cético”. Ele acreditava no amor e no sofrimento, simplesmente acreditava na magia da vida e das emoções. Ao invés de amadurecer com o tempo, ia no caminho inverso – começou a vida velho e sério e foi se tornando um adolescente. Morreu um menino.
O ato de “amadurecer” é incrivelmente superestimado no mundo em que vivemos. Quem disse que ficar mais maduro é sinônimo de ficar mais feliz? Claro que em certos aspectos se tornar adulto é imprescindível, mas na arte e na vida às vezes é um empecilho, é como se apagassem uma luz dentro de nós, como se colocassem em nossos olhos uma lente preta e branca. Vinícius não teria escrito tantas sublimes poesias se não tivesse essa ingenuidade, nem teria amado tão ardorosamente tantas mulheres se não acreditasse na ingenuidade da paixão. Acreditar em certas coisas depois de uma certa vivência não é muito fácil. A vida nos caleja de forma que desmistificar a vida é quase inevitável. Ele, no entanto, driblou lindamente essa questão – a realidade só lhe dava mais energia para ver poesia nas coisas.
O problema é que a gente se poupa. Vai se poupando de um sofrimento ali, outro aqui e, quando vê, está anestesiado. Não só para os mortos da guerra ou da queda do avião, não só para o pobre cavalo mal tratado puxando uma carroça ou para menino miserável pedindo esmola, mas também para amar, para o sofrimento necessário, para se emocionar com a vida, para ver beleza no lúdico, para SENTIR.
“Quero minha ingenuidade inteira de volta”: era só isso que eu pensava enquanto assistia deslumbrada aquela vida de entrega, imersa em poesia transbordante.
O documentário fez efeito. Acabei de vê-lo, me sentei e, num clima bem bossa nova, escrevi um belo poema de amor, sentindo que felizmente, para certas almas, esse início de perda de ingenuidade é reversível. Mas em todo caso, estarei engajada daqui para frente na tentativa de “desamadurecer” ou melhor, “re-adolescer”. Engajada, como diz Vinícius, numa irredutível recusa à poesia não vivida.
07/09/2007 21:10:00
Retrato Celular
Hoje começa a série-reality-show do Multishow, RETRATO CELULAR(http://www.retratocelular.globolog.com.br), da qual eu estou participando. Vai ao ar por oito terças-feiras. O episódio de hoje é só a apresentação dos 34 participantes. Nas terças seguintes serão abordadas as vidas de três participantes por episódio. O meu é no dia 2 de outubro.
O programa tem direção geral de Andrucha Waddington e música tema de Gilberto Gil.
aí vai o clip:

04/09/2007 20:20:00
Mais
03/09/2007 22:51:00
Mais Johnatan Meese
03/09/2007 22:49:00
Johnatan Meese
03/09/2007 22:42:00
Suécia
03/09/2007 22:34:00
Naxos, Grécia
03/09/2007 22:30:00
Tokyo
03/09/2007 21:47:00
No bar do hotel
Escrevendo no bar do hotel.
Se você for para Amsterdam tem que ficar lá!
http://www.greenhouse-effect.nl/index2.html
É hotel, bar e coffee shop
03/09/2007 21:45:00
A Viagem - parte 2
De Amsterdam fomos para Berlin, que, apesar de ser menos legal do que eu esperava, tem um bairro ótimo chamado Mitte, na parte leste da cidade. Fomos recebidos pelo Daniel, amigo dj alemão que nos levou nos lugares mais incríveis, incluindo uma pizzaria comandada por punks e o Cookie´s, onde vimos o dj Tiga tocar. Depois de uns dias lá fomos para o lugar mais lindo do mundo: Grécia. Ficamos em Naxos, uma ilha onde os brasileiros não costumam ir, e nos apaixonamos pelo lugar. Aquela vida paradisíaca de acordar, tomar café na varanda de frente para o mar, ir para a praia, ficar amigo do dono do hotel, dos garçons do restaurante onde sempre comíamos, uma vida de pequenos e grandes prazeres. A comida é a melhor possível, o mar inacreditavelmente azul turqueza, o povo simpaticíssimo e uma energia inexplicável. Conhecemos duas ilhas lindas (dicas do nosso amigo Rogerinho, que encontramos no aeroporto, antes de ir), praticamente desabitadas: Iráklia e Koufunísia. Paraíso, paraíso, paraíso. Não existe melhor sensação que vivenciar aquilo. Saí da Grécia com uma dor no peito de deixar tanta beleza. Indo embora no barco, por uma daquelas sincronicidades bonitas da vida, estava lendo um livro do Geoff Dyer que descrevia algo bem perto do que eu sentia no momento: “Há alguma coisa que se sente quando se vai embora de um lugar a bordo de um pequeno barco – alguma coisa no movimento das ondas, no barulho do motor: é como se você deixasse sua vida para trás e, ainda assim, por fazer parte dessa vida que deixou para trás, uma parte sua permanecesse ali. (...) Tudo era uma lembrança, tudo acontecia no mesmo presente estendido e tudo ainda estava por vir.”
Podia acabar aqui, com essa frase linda, né?
Mas ainda tem a Dinamarca e a Suécia.
Nossa passagem pela Dinamarca foi literalmente uma passagem. Um dia e uma noite, só para logo pegar um trem para a Suécia. Mas foi inesperadamente produtiva. Saindo do avião tivemos uma idéia para mais uma música ( a primeira que escrevemos juntos para a Comunidade Nin-jitsu, óbvio, vai sair na compilação Neo Funk, pela Som Livre.). Foram tantas as idéias, que eu tive que pegar meu “caderninho de idéias” e começar a botar tudo no papel. Resultado: éramos dois loucos a caminho da esteira para pegar a mala, bem empolgados, escrevendo e rindo muito da letra engraçadíssima. Chegando no hotel a gente se jogou no quarto e acabou a música, que ficou bem legal.
A Suécia é um lugar muito louco, com clubs que fecham as três da manhã, mas cheios das pessoas mais animadas que eu vi na vida. Amei o povo sueco. A segunda noite, em Malmo, numa festa super conhecida lá (The Rumble) foi absurda. Dançamos muito, ficamos amigos de uma dupla canadense (dj e MC) divertidíssima que tocou lá no mesmo dia (Thunderheist, procurem no Myspace, é foda), fomos para um after louco clandestino comandado por chilenos (!) e acabamos nos sentindo como se morássemos lá a vida toda. No fim, chegamos à conclusão de que aquela tinha sido a noite mais divertida dos últimos tempos, fechando com chave de ouro nossa viagem
03/09/2007 21:26:00
A Viagem - parte I
É tanta, tanta coisa para contar sobre a viagem que dá até preguiça. Preguiça pelo inevitável: como diz Gabriel Garcia Márquez, a gente nunca conta algo como é, mas sim como a gente lembra- daí a agonia que dá diante da insuficiência que é contar. Só posso passar adiante a minha lembrança, que nunca terá a força da vida vivida.
Então dá preguiça. Dá para entender?
Mas vamos lá.
Tudo começou quando o Fredi foi convidado para tocar no Japão no final de julho. Convite que foi seguido por outro, tocar na Suécia no fim de agosto. Nos olhamos e, impulsivos que somos, imediatamente decidimos: vamos fazer uma volta-ao-mundo, uma lua-de -mel louca entre (e durante) as duas datas. Se o dinheiro ia dar? Depois a gente descobria. Então nos mandamos, começando pelo Japão, o lugar mais intrigante que já vi na vida. Imaginava sempre Tokyo inevitavelmente mais ocidentalizada e, para a minha surpresa, o que encontrei foi uma cidade absurdamente japonesa: cardápios somente em japonês, sem tradução, garçons que não falam inglês, só comidas japonesas até mesmo em postinhos de fast food. Achei fantástico achar no mundo um lugar que definitivamente não se americanizou. Porque no resto do mundo existem muitos pontos de identificação, o ocidente é, em essência, muito parecido. Fui comprovar isso depois, pulando de país em país. Eu que adoro me descontextualizar, adorei me sentir em outro planeta como me senti no Japão: foi o auge da descontextualização. Deu vontade de ficar mais, de estudar a história do lugar, de fazer amigos japoneses, de aprender japonês. Saí de lá com um profundo respeito por aqueles seres tão educados, respeitosos e diferentes de mim. O Fuji Rock na cidade de Naeba (onde o Fredi tocou) foi o festival mais incrível que já vi na vida: Iggy Pop, Justice, the Cure e mais muita coisa legal. Escrevi tudo na Bizz, naquele link que já tinha colocado aqui para vocês.
De lá fomos para Amsterdam. Eu já conhecia, mas dessa vez, ficando lá seis dias, tive outra perspectiva. É a cidade mais linda que eu já vi, sob o ponto de vista arquitetônico. Por outro lado tem toda essa cultura onipresente da maconha, reggae, Bob Marley (com a qual eu definitvamente não me identifico). Tem a coisa da putaria que eu acho interessante: é ótimo ver as famílias, com velhos e crianças passeando tranquilamente na red light zone, coexistindo com as putas se oferecendo na vitrine. É tão normal que as pessoas as olham como se fossem bichinhos no zoológico. Da mesma forma reagem com as centenas de sex shops. É um lugar lindamente livre, tinha tudo para ser uma baderna e não é. Saindo um pouco do centro dessa cidade minúscula, tem umas ruazinhas super culturais, cheias de galerias interessantíssimas. Vi uma exposição incrível do alemão Johnatan Meese, uma das coisas mais legais que vi em termos de arte nos últimos tempos. O cara mistura fotos, imagens dele, textos e tinta em instalações pós-modernas over interessantes. Fazia tempo que não via alguma coisa que me deixasse empolgada no atual cenário da arte contemporânea. Saí de lá com vontade de criar – e isso é um dos belos efeitos que uma arte de impacto tem sobre outro artista.
Daqui a pouco conto o resto...
03/09/2007 20:13:00
Paraíso
Estou na Grécia. O mais próximo do paraíso que já cheguei.
14/08/2007 07:44:08
Na Bizz
Confiram a cobertura do Fuji Rock Festival (Japao) que fiz para o site da revista Bizz!

http://bizz.abril.com.br/home/
04/08/2007 04:22:20
Universo Paralelo
Estou em Amsterdam, escrevendo de um Coffee Shop! cheguei ontem do Japao (!) onde fiquei quatro dias. Depois explico essa loucura toda, vou ficar viajando pela Europa ate dia 20 de agosto, mas prometo postar antes disso contando tudo! Tenho muita coisa para contar, ando absorvendo tanta coisa interessante que parece que estoun aqui ha mil dias...
31/07/2007 02:23:00
Dos que ardem...
Eu não gosto do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto

Eu agüento até rigores
Eu não tenho pena dos traídos
Eu hospedo infratores
E banidos

Eu respeito conveniências
Eu não ligo pra conchavos
Eu suporto aparências
Eu não gosto de maus tratos

Mas o que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto

Eu agüento até os modernos
E seus segundos cadernos
Eu agüento até os caretas
E suas verdades perfeitas

Eu agüento até os estetas
Eu não julgo competência
Eu não ligo pra etiqueta
Eu aplaudo rebeldias

Eu respeito tiranias
Eu compreendo piedades
Eu não condeno mentiras
Eu não condeno vaidades

O que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Não, não gosto dos bons modos
Não gosto

EU GOSTO DOS QUE TEM FOME
DOS QUE MORREM DE VONTADE
DOS QUE SECAM DE DESEJO
DOS QUE ARDEM


("Senhas", da Adriana Calcanhoto)




19/07/2007 01:22:00
PapoCabeça no meu bar
Apareçam & repassem! Vai estar foda, garanto.

Nessa quarta, dia 11, tem PapoCabeça na Casa de Lou-lou. Dessa vez, mais
convidados e mais polêmica. Alice Urbim (jornalista), Fredi Endres
(guitarrista da Comunidade Nin-Jitsu e produtor musical), L. Potter (rádio
Atlântida e TV Com) e Lê Silvello (empresário da Ultramen e do Wander
Wildner) se juntam para debater o MACHISMO nos dias de hoje. Mediação da
Carol Teixeira.
O quê? debate pop-filosófico que acontece mensalmente na Casa de Lou-lou.
Quando? dia 11, quarta
Hora? 20:30
Onde? rua Mariante 170
Quanto? R$ 5,00
Chegue cedo para pegar mesa!

Após o PapoCabeça, vai rolar um pocket show especial Jimi Hendrix, reunindo
os irmãos Nando e Fredi Endres + o ex-parceiro de Comunidade Nin-Jitsu,
Pancho (Pedrada Afu). Re-união imperdível !
09/07/2007 00:21:00
Caio F, again
“Devia ser sábado, passava da meia-noite.
Ele sorriu para mim. E perguntou:
- Você vai para a Liberdade?
- Não, eu vou para o Paraíso.
Ele sentou-se ao meu lado. E disse.
- Então eu vou com você.”
07/07/2007 17:31:00
Little Wing
A música que melhor define o melhor de todos os meus lados.
Little Wing, do Jimi Hendrix.


"Well, she's walking through the clouds
with a circus mind
that's running wild.
Butterflies and zebras and moonbeams
and fairy tales,

That's all she ever thinks about ...

Riding with the wind.

When I'm sad, she comes to me
with a thousand smiles.
She gives to me free.

It's alright, she says,
it's alright.
Take anything you want from me,
anything.

Fly on, little wing
Yeah, yeah, yeah, little wing..."
26/06/2007 22:21:17
Loose Strings
Esses dias li um artigo ótimo do Contardo Calligaris (sempre adoro o que ele escreve) na Folha de São Paulo. Ele falava sobre um amigo artista que tinha o costume de presentear os amigos com obras peculiares: acumulava objetos que tinham a ver com a vida da pessoa, os fixava em um painel de madeira e os conectava entre si com fios. Mas, no meio da espécie de teia em que acabava constituindo a obra, havia alguns fios soltos, desconectados. Contardo, entendendo que os fios simbolizavam a conexão que todas as coisas que acontecem em nossa vida têm, porém intrigado com os fios soltos, resolveu perguntar sobre eles. E seu amigo respondeu: numa vida sempre sobram “loose strings”, fios soltos.
Essa percepção me bateu de forma muito forte quando fiz aquela volta ao meu passado no meu texto anterior (“Minha Vida Até Aqui”). Senti exatamente isso que ele escreveu: na teia de conexões da vida sempre sobram fios soltos. E não adianta tentar conectá-los. A gente passa a vida buscando sentido nas coisas que nos acontecem, procurando conexões entre alegrias e tragédias, buscando explicações psicanalíticas para entender nossos traumas, reflexões filosóficas visando o encontro de um sentido para nossa existência e, no fim, a verdade, a dura verdade é que muitas vezes esse sentido, essa explicação não existe. Como ele diz: “há vasos de flores que caem na nossa cabeça sem ter sido empurrados por ninguém, nem por nós nem pelos outros nem pela providência divina nem por melefício diabólico.”
Diante da resignação quanto ao fato de que existem coisas que “simplesmente acontecem”, paradoxalmente, senti uma vontade louca de voltar para a psicanálise. Fui analisada por oito anos e nesse tempo achei em mim muito mais sentido do que esperava. Se os tais “loose strings” de fato não podem ser conectados, que pelo menos a gente lute para conectar os fios que podem.
Concordo com Sócrates: a vida não examinada não vale a pena ser vivida.
21/06/2007 16:29:17
Minha Vida Até Aqui
Sou do tipo que se comove com propaganda de TV. Não pela ignorância de que estou sendo levada a comprar um produto, mas porque gosto de SENTIR e às vezes acabo reprimindo alguns juízos críticos pela possibilidade, por mais ínfima que seja, de me entregar a algo que me faça sair da mesmeira do dia-a-dia. Sou uma viciada em emoções, fazer o quê? Sendo assim, preciso admitir: a publicidade me toca e estou pouco ligando se estão querendo me vender carro ou panela – me esqueço da marca e do produto; lembro da idéia e sempre acabo refletindo sobre ela. Se estou na TPM então sou capaz de chorar.
Há um tempo atrás vi um comercial de carro que dizia algo do tipo “Sua vida te trouxe até aqui” e mostrava um cara chegando a pé diante de um carro tipo-de-adulto seguido pela “vida” dele: o Mickey, um professor, uma fada, mulheres, a mãe, etc. - enfim, uma série de símbolos e pessoas que fizeram dele o que ele havia se tornado naquele momento.
Me comovi. Não só me comovi como fiquei um bom tempo pensando sobre a minha vida e todos os elementos dela que “me” trouxeram até aqui e me fizeram me tornar quem eu sou. E de súbito me vi criança, com a porta do quarto fechada, escrevendo no meu diário confissões do meu vasto e complexo mundinho interior, enquanto ouvia, ao fundo, os adultos falando na sala. Me vi pequena chorando pelo meu coelhinho que morreu e ninguém me explicou que ele nunca mais ia voltar. Pelo meu pai, que se foi e eu infelizmente entendi que ele nunca mais ia voltar. Me vi aprendendo a ler com a minha babá, aos quatro anos de idade, e me deslumbrando com o mundo para o qual eu dedicaria minha vida. Me vi na aula de português, orgulhosa porque o professor estava lendo minha redação para turma como exemplo. Me vi na minha primeira decepção com uma amiga, quando aprendi que se pode confiar em praticamente ninguém. Me vi indo para o balé, às sete da manhã, com minha mãe contando piadas para me manter acordada e me lembrei das longas reflexões com ela, eu já adulta, quando ainda morávamos na mesma casa e eu tinha a mania de ler Caio Fernando Abreu para ela em voz alta – e ela adorava. Me lembrei da minha primeira recuperação no colégio, da primeira expulsão da aula, do primeiro amor e do primeiro fim de amor, no qual descobri que as coisas acabam. Me vi na Disney, chorando quando vi a Sininho descendo do castelo do Magic Kingdom, envolta por fogos magníficos. Me lembrei da primeira catarse com um livro, com uma peça, uma música, quando descobri o poder da arte e dos seres iluminados que são os artistas de todo tipo. Me lembrei do primeiro editor que acreditou na minha escrita, do segundo editor que também acreditou em mim e de todas as pessoas queridas que me prestigiaram nos meus lançamentos e em todas minhas conquistas.
Pensei em tudo isso, em toda a vida que me trouxe até aqui, e bateu uma nostalgia daquelas que enchem os olhos de lágrimas e fazem a gente reconhecer que construiu uma história – mas não sozinha. E então percebi que o “torna-te quem tu és “ nietzscheano talvez não seja tão individualista assim. Que a gente se torna quem a gente é apesar e por causa de todas a pessoas e relações que vamos cultivando ao longo da vida. Como naquela peça de Michel Melamed em que ele, no palco, ligado a fios, recebia descargas elétricas que variavam em intensidade de acordo com as risadas ou manifestações da platéia. Mais que uma boa metáfora para a arte, é uma bela metáfora para vida. É como se nós todos estivéssemos conectados a fios, o tempo todo levando choques e sendo afetados por cada olhar, palavra ou ação alheia. Choques que fazem de nós o que somos.
Voltei assim à simples lição que recebi de meu pai, em uma carta escrita pouco antes de ele morrer: “nenhum homem é uma ilha” ele disse, completando com um aviso de que um dia nós (as filhas dele) íamos aprender isso.
Aprendi, pai.



19/06/2007 15:22:34
Salman Rushdie
"Tinha vinte e quatro anos de idade. Queria habitar fatos, não sonhos."
05/06/2007 19:10:43
Clarice
"Tenho certeza de que, no berço, a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada nem a ninguém. Nasci de graça. Se no berço experimentei essa fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino. A ponto de meu coração se contrair de inveja e desejo quando vejo uma freira: ela pertence a Deus ( ... ) Quem sabe se comecei a escrever tão cedo na vida porque, escrevendo, pelo menos eu pertencia um pouco a mim mesma"
18/05/2007 23:07:00
De volta
Cheguei. A viagem que era para ser de uma semana virou de três. Num clima deliciosamente irresponsável, fui ficando, ficando até resolver voltar. A vida fica sem graça se não nos permitimos essas leves transgressões, essa fugas que não fazem mal a ninguém. Loucurinhas necessárias para a sanidade de uma pessoa como eu. Depois da semana sem São Paulo sobre a qual eu tinha falado, fui para o Rio. E me lembrei que é o lugar que eu mais amo desse país, o tipo de lugar que me comove, que quase me faz chorar. Porque é muito lindo, porque é muito leve, porque abriga as pessoas mais alegres que eu conheço. Porque não se trata especificamente de felicidade – esse conceito tão complexo e subjetivo – mas de alegria, simples e pura alegria. Sorriso. Não é como São Paulo em que dinheiro é condição sine qua non para que haja diversão, em que a pessoa precisa gastar para ser feliz. No Rio, existe o prazer grátis, o prazer de caminhar no calçadão, de ir à praia, de se sentir de férias a cada fim de semana. Acho lindo, democrático, coloca o lixeiro e a patricinha no mesmo patamar: todos sob o mesmo pôr-do-sol. Fiz um videozinho no calçadão enqua